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Entre as ruas e a internet, o ciberativismo

Uma visão para desmistificar o tal “ativismo de sofá”

JPRESS
25 set 2020 | Por Theo Sales (theo.carvalho@usp.br)

Capaz de mobilizar pessoas em todo o mundo ao mesmo tempo, as redes sociais ganharam dimensões gigantescas, conectando bilhões de usuários. O poder dessas plataformas cresce à medida que mais e mais pessoas se juntam a esses meios. Toda essa inserção digital traz à tona um debate relativamente novo: o ciberativismo.

Com a invenção da Internet, logo se abriram as possibilidades do uso dessa ferramenta para a propagação de ideias e o engajamento em torno de certas pautas. Esse poder de politização e mobilização social só fez aumentar conforme a Internet se expandiu e tomou a proporção que tem atualmente. 

Muito se debate também sobre o real poder de influência e transformação que as redes sociais e a internet podem proporcionar de fato. Passível inclusive de manipular eleições, é bastante reconhecido o poder político da internet. Contudo, um uso muito influente dessa ferramenta é frequentemente desqualificado, o ciberativismo, ou ativismo digital, que é por vezes taxado depreciativamente de “ativismo de sofá”. 

Infográfico sobre ciberativismo

 

A internet pode ajudar a mudar alguma coisa?

Não só pode, como já o fez. Exemplo disso foi a Primavera Árabe, como ficou conhecida a série de protestos e insurreições ocorridas no Oriente Médio e no Norte da África. Pobreza, desemprego, inflação e carestia foram alguns dos motivos que levaram as populações dos mais diversos países da região a se rebelarem contra seus governantes. 

O estopim para todas essas revoltas se deu em 17 de dezembro de 2010, quando Mohammed Bouazizi, um comerciante local, ateou fogo em si mesmo como forma de protesto contra o então Governo da Tunísia. Após esse acontecimento, uma série de prostestos irromperam pelo país, propagados e divulgados pela internet e pelas redes sociais entre a população tunisiana e entre todo o mundo. Outros países da região que passavam por situações semelhantes acabaram sendo contagiados também por esses atos.

 Na Tunísia, o então ditador Zine El Abidine Ben Ali foi deposto. No Egito e no Iêmen, dois governos foram derrubados, com consequências diversas em vários outros países também.

O que vale se notar nesses casos é a dimensão que o movimento ganhou graças à internet. Muitas das manifestações foram censuradas ou distorcidas pelas mídias tradicionais e pelos governos locais. A captação e transmissão de informações sobre o que estava acontecendo nesses países foi altamente manipulada e controlada de forma a prejudicar os manifestantes, mas com o poder das redes sociais e da internet, os participantes puderam se conectar entre si, bem como chamar a atenção do mundo para o que se passava na região. 

Primavera Árabe

Protesto da Primavera Árabe no Cairo, Egito [Imagem: Ahmed Ali/AP]

O uso da internet para a mobilização pode ser visto na defesa de diversas causas e ideias, como observado nos protestos do mundo árabe contra ditaduras e fome, mas também na defesa do meio ambiente. Segundo Jean Prado, porta-voz e analista de dados e mídias sociais do Greenpeace Brasil, “hoje, a gente vê a internet como fundamental para a comunicação de qualquer causa ou negócio. Não tem como você engajar milhares ou milhões de pessoas sem o apoio das plataformas digitais”. 

O porta-voz do Greenpeace Brasil ainda relata como as postagens e, sobretudo, os vídeos aumentam o engajamento das pessoas, seja deixando-as indignadas com algo ou comovendo-as. Jean diz que muitas pessoas usam essas plataformas, como o Instagram, para perguntarem como podem ajudar e agir para mudar a situação retratada e tudo isso aumenta o apoio e o engajamento em torno das pautas defendidas pela ONG.

Além da troca de informações, a internet transmitiu a esperança entre os indignados de todo o mundo. No livro Redes de indignação e esperança, o sociólogo espanhol Manuel Castells afirma que a internet possibilita a superação do medo de repressão e da violência, pois “as pessoas superam o medo quando se juntam. E elas estavam juntas, tanto nas redes sociais da internet quanto nas redes urbanas formadas nas praças”.

Um outro exemplo mais antigo, iniciado na década de 1990, é do uso das redes globais e outras tecnologias digitais pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), um grupo guerrilheiro mexicano de reivindicação de direitos dos povos indígenas. Por meio de seu site, de listas de e-mail e outras formas de comunicação, o EZLN conseguiu rebater parte da desinformação e das acusações do governo do México e da mídia tradicional contra o movimento.

 

É preciso ir além da internet?

Você não será capaz de ficar em casa, irmão

Você não será capaz de se conectar, se ligar e copiar

(…)

A revolução não será televisionada

A revolução não será trazida para você por xerox

Em 4 partes sem interrupções comerciais

(…)

A revolução não será televisionada, não será televisionada

Não será televisionada, não será televisionada

A revolução não será reencenada irmãos

A revolução será ao vivo

– Tradução de trecho da música “The revolution will not be televised” de Gil Scott-Heron

“A internet é uma ferramenta, a rua é tudo. A coisa tem que se dar na rua”, afirma Paulo Lima, mais conhecido como Galo, um dos fundadores do movimento Entregadores Antifascistas. Galo hoje é uma das principais vozes do grupo e começou a ganhar destaque nas redes sociais após um vídeo seu ser divulgado pelo The Intercept Brasil.


O movimento cresceu em torno da luta por um direito básico: comida. Os entregadores do grupo exigem que os aplicativos – como Ifood, Uber Eats e Rappi – forneçam refeições para os trabalhadores. Também foi demandado a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) enquanto durar a pandemia para a segurança dos entregadores que estão na linha de frente, altamente passíveis de exposição ao coronavírus. 

Hoje, os Entregadores Antifascistas contam com organizações em todo o Brasil e o apoio e visibilidade do movimento só aumentam. Chamou a atenção inclusive de lideranças políticas que enxergam a importância do grupo, como Guilherme Boulos, ex-candidato à presidência, e os deputados federais Marcelo Freixo e Sâmia Bomfim. Galo realizou lives nas redes sociais com todas essas personalidades e conversou sobre o grupo e sua atuação. 

A página dos Entregadores Antifascistas no Instagram já conta com quase 30 mil seguidores e é usada para divulgar as demandas e ações do movimento. O grupo hoje recebe ajuda e assessoria em diferentes setores, como de mídias, que gerencia essas páginas e suas publicações, e jurídica.

Cartaz em protesto

Cartaz em protesto. [Imagem: Peter Vilanova]

Paulo Lima conta um pouco sobre a importância de manter as atividades na Internet: “principalmente na pandemia, agora tá todo mundo em casa e o pessoal fica nas redes sociais. Então é uma forma de se comunicar com as pessoas. Hoje, tem que alinhar a luta das ruas com a luta virtual também.”

No caso dos entregadores de aplicativos o uso da internet é ainda mais considerável, visto que esse trabalho funciona justamente mediante a internet. Pensando nisso, uma das formas de protesto para reivindicar melhorias nas condições de trabalho foi o Breque dos Apps, que ocorreu no dia 1 de julho. 

Nesse dia aconteceu uma greve de milhares de entregadores, que fizeram uma paralisação e foram às ruas em manifestação. O protesto ainda contou com a participação dos consumidores, que foram incentivados a não fazerem pedidos pelos aplicativos durante o dia, com postagens de apoio sendo veiculadas com a hashtag #BrequeDosApps. 

Manifestação de entregadores

Manifestação de entregadores em Florianópolis [Imagem: Pierre Rosa/Agência Estado]

Galo comenta também sobre outras ambições do grupo, como a criação de um sindicato ou associação desses trabalhadores: “vão surgir outros movimentos sociais, eu não tenho dúvidas disso. A ideia dos Entregadores Antifascistas é que ele seja um movimento de rua, assim foi o Panteras Negras e o Movimento Zapatista”.

Para Raul Nunes, pesquisador sobre ciberativismo e movimentos sociais, não é possível afirmar se os movimentos que acontecem somente na internet e não tomam lugar nas ruas são mais ou menos eficazes. “Em um protesto de rua, a pessoa pode se machucar e decidir não participar mais, por exemplo”, conta o doutorando em sociologia, enquanto que na internet, por não ter os mesmos riscos, a quantidade de pessoas interessadas e participando pode ser maior. 

Os efeitos e consequências podem ser vários e dependem de inúmeras variantes, sendo assim muito difícil mensurar os rumos de qualquer movimento do tipo. Tampouco são todos os movimentos com pretensões de irem para as ruas. É possível se criar uma organização ou manifestação que atinja seu propósito a partir da atuação exclusivamente virtual. Tudo dependerá dos objetivos e do foco de execução.

 

Anonymous e o hacktivismo

Uma das principais formas de atuação ciberativista, o hacktivismo consiste no uso de métodos e ferramentas hackers para se defender determinadas causas. Esse tipo de ativismo digital ficou mundialmente conhecido pela atuação do Anonymous, um movimento formado por pessoas de diversos países sob condição de anonimato. Entre as principais reivindicações desse grupo estão a liberdade de expressão e a transparência dos governos.

Anonymous

Representação do grupo Anonymous. [Imagem: Anonymous/ Reprodução]

São diversas as formas de hacktivismo, mas entre as mais usadas e conhecidas estão o hackeamento de instituições governamentais e divulgação de dados confidenciais. Um dos casos mais famosos é do Edward Snowden, um ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos), que expôs documentos considerados sigilosos pelo governo estadunidense. 

Nesse conteúdo, constavam informações referentes a um programa de vigilância dos Estados Unidos usado para espionar sua própria população e também outros países e chefes de Estado, entre eles a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

O Wikileaks, organização internacional de mídia responsável pela publicação de diversos documentos confidenciais de países de todo o mundo, é um exemplo notório desse tipo de ciberativismo. Apesar de não ser responsável pelos hackeamentos, o Wikileaks recebe todas as informações e as posta de forma totalmente anônima para proteger seus contribuidores. A organização tem como princípios a defesa da liberdade de expressão e do acesso à informação.

Outra forma muito empregada de hacktivismo é o DDoS, ou simplesmente ataque de negação de serviço. Nesse método, os hackers usam várias máquinas – ou computadores –, para acessar um endereço de site ou um servidor e sobrecarregá-los, fazendo com que ele seja derrubado e se torne inacessível por um determinado tempo. Um detalhe importante é que para essa ferramenta funcionar são usados milhares ou até milhões de computadores, que podem ser controlados por apenas alguns computadores mestres. 

Um caso mais recente aconteceu com o atual presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus aliados e familiares, que tiveram seus dados confidenciais divulgados por um grupo brasileiro dos Anonymous. Entre as informações espalhadas, estava o CPF, RG, números telefônicos, propriedades e outros dados pessoais.

O pesquisador de ciberativismo Raul Nunes aponta que, embora o hacktivismo seja uma forma de atuação mais restrita e pouco popular, sua atividade é igualmente válida, com um potencial de agir em áreas que os outros métodos de ativismo digital não conseguem. Ainda que nem todos saibam como hackear um site ou algo do tipo, não é necessário um número muito grande de pessoas para isso, podendo ser feito por somente uma pessoa.

Os efeitos dessas práticas podem ser diversos dependendo do alvo, que pode ser um site do governo ou instituições financeiras – nesse caso é possível causar prejuízos na casa dos milhões ao se bloquear os serviços por muito tempo. Um caso famoso disso aconteceu em 2010, quando empresas de cartão de crédito bloquearam transações monetárias para o site Wikileaks. Em retaliação, o Anonymous realizou ataques de negação de serviços a empresas como MasterCard, Visa e Paypal, impedindo parte do fluxo financeiro por um determinado tempo.

 

Abaixo-assinados e petições 

Para Jean Prado, analista de dados e mídias do Greenpeace Brasil, os abaixo-assinados têm uma grande importância para fomentar suas pautas. Segundo ele, esses recursos “são fundamentais pra gente por diferentes motivos. Um deles é mensurar o interesse das pessoas nas diferentes causas, mas também fazer pressão nas empresas e governos”.

Jean ainda continua e cita um caso de grande relevância do Greenpeace Brasil, que foi a proposta do Desmatamento Zero, um Projeto de Lei que iniciou como um abaixo-assinado apoiado por mais de 1,4 milhão de pessoas e tem como objetivo acabar com o desmatamento no Brasil. Prado conta o porquê desse número de assinaturas ser tão importante: “quando a gente tá com um respaldo junto a 1,4 milhão de pessoas, pedindo a mesma coisa, mostramos que a população brasileira tem interesse sim em proteger o meio ambiente”.

Protesto do Greenpeace

Protesto do Greenpeace contra o desmatamento em frente ao Palácio do Planalto em Brasília [Imagem: Vinícius Santa Rosa/ Metrópoles]

O porta-voz do Greenpeace também relata como as petições podem ajudar a fazer pressão em políticos e instituições: “a pessoa consegue enviar um e-mail diretamente para uma empresa, ou para um deputado por exemplo. Então são ferramentas fundamentais de pressão para nossas causas”. A comunicação direta que a internet possibilita nesse sentido é muito importante por permitir um contato mais influente e, portanto, com mais possibilidade de ter efeitos reais. Prado fecha afirmando que hoje “a internet não auxilia, ela é fundamental”.

De forma semelhante, os Entregadores Antifascistas também fizeram um abaixo-assinado para reforçar suas reivindicações. Paulo Lima, o Galo, afirma que o intuito é fazer chegar a 3 milhões de assinaturas e então transformar em um Projeto de Lei e pressionar os políticos a aprovarem a proposta: “a gente vai até Brasília fazer uma manifestação lá e colocar isso para votação”. 

Entregadores Antifascistas

Paulo “Galo” discursa para grupo de entregadores [Imagem: Reprodução/Redes sociais]

Imediatismo

Recentemente, houve um aumento grande no debate sobre o racismo no Brasil e no mundo com a morte de George Floyd, um cidadão afro-americano que foi assassinado por um policial nos Estados Unidos. Esse acontecimento desencadeou vários protestos contra a desigualdade racial e a violência policial no país, que foram veiculados por diversos tipos de mídia.

Mas a maior cobertura se deu pelos celulares dos manifestantes, que puderam usar das redes sociais e da internet para demonstrar toda sua indignação com a atual situação do país. Lives pelo Facebook e pelo Instagram, vídeos e fotos divulgados pelo Whatsapp e pelo Twitter deram uma visibilidade enorme para as manifestações. 

Black Lives Matter

Manifestantes seguram cartazes do movimento Black Lives Matter [Imagem: Scholars & Rogues]

A internet se transformou em um meio capaz de dar voz e visibilidade para grupos historicamente excluídos dos veículos midiáticos hegemônicos. O movimento Black Lives Matter, que há alguns anos tem mobilizado as pessoas em torno da questão racial, também recebeu uma atenção maior, com grupos e organizações no mundo inteiro levantando a bandeira do movimento. 

Porém, o interesse em torno dessas pautas e das ideias levantadas acabou se concentrando nos dias e semanas posteriores à concentração das manifestações, com uma queda acentuada nas interações nas redes sociais e também nas buscas sobre esses assuntos no Google.

Pesquisas no Google pelo termo “Black Lives Matter”

Pesquisas no Google pelo termo “Black Lives Matter”

Essa questão levanta um ponto importante sobre o ativismo digital: o imediatismo. Tanto as informações e pautas chegam em uma velocidade nunca antes vista, como também são esquecidas ou deixadas de lado muito rapidamente.

Raul Nunes, doutorando em sociologia na UERJ e pesquisador sobre movimentos sociais e ciberativismo no Brasil, vê com otimismo a capacidade de mobilização da internet apesar disso. Ele acredita que essas pautas e temas podem muitas vezes não ter resultado concretos ou imediatos, mas servem para chamar atenção e iniciar debates sobre diversas causas e ideias. Ainda que não se mantenham com a mesma intensidade ao longo do tempo, ao menos conseguem captar novas pessoas e angariar forças para as pautas.

Nunes aponta como exemplo a criação do Black Twitter nos Estados Unidos e no Brasil, que consiste em uma rede de interação entre pessoas da comunidade negra dentro da plataforma do Twitter. Nesse espaço, pode-se falar sobre diversos temas, como racismo e representatividade negra, mas também de coisas do cotidiano com outras pessoas que passam por situações semelhantes.

Segundo Raul, por mais que iniciativas como o Black Twitter não acabem com o problema do racismo estrutural, ao menos serve como lugar de discussão e ajuda a dar visibilidade a temas que são ignorados pelas mídias tradicionais.

 

Desigualdade de acesso

Atualmente, o mundo gira em torno da internet e das redes sociais. Segundo estudo da Organização das Nações Unidas, 53,6% da população mundial utiliza a internet. Aqui no Brasil esse número é ainda maior: 74,7% dos brasileiros têm acesso a esse serviço. Apesar desse número ter crescido nos últimos anos, também mostra que 1 em cada 4 brasileiros não está conectado na rede, e sendo ainda pior a situação em áreas rurais, onde o acesso chega a menos da metade das pessoas, com 53,6% da população isolada desse direito.

Mesmo com esse número reduzido de pessoas com acesso nessas regiões, o ciberativismo ainda pode ser uma ferramenta usada. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é exemplo disso, com práticas de inclusão digital entre esses trabalhadores, por meio de pontos de cultura e telecentros, espaços nos quais essas pessoas vítimas da exclusão digital podem ter acesso a esse serviço.

Além do processo inclusivo, o MST também usa da internet e das redes sociais para divulgar suas ações e suas ideias. Como forma de dar voz a suas pautas sem precisar da mediação dos veículos de mídia tradicional – que historicamente marginalizam movimentos sociais –, por meio de seu site, de um correio eletrônico, entre outras formas de comunicação, a exemplo do Jornal Sem Terra, disponibilizado gratuitamente na internet. 

Iniciativas como a do MST mostram um outro lado do ciberativismo, que explora as possibilidades de integração e participação de um maior número de pessoas.

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