Home Lançamentos Jexi e as consequências do vício em celular
Jexi e as consequências do vício em celular
CINÉFILOS
11 mar 2020 | Por Karina Tarasiuk (karinatarasiuk@usp.br)

Jexi, um Celular sem Filtro (Jexi, 2019) é mais uma comédia com um final previsível e cenas clichês. No entanto, não deixa de ser um bom filme para dar risadas e refletir sobre o excesso do uso de celular na rotina.

O longa-metragem conta a história de Phil (Adam DeVine), um rapaz que tem toda a sua vida vinculada ao celular. Desde criança, está acostumado ao uso do aparelho – que, como é mostrado, desenvolveu-se e apresentou cada vez mais ferramentas que aumentam a “necessidade” de seu uso.

Como consequência, Phil não tem amigos e nunca teve um relacionamento amoroso de verdade. Além disso, é frustrado profissionalmente. Graduado em jornalismo, trabalha na produção de listas de memes para publicar nas redes sociais. Seu sonho não está fisicamente distante: gostaria de trabalhar na sessão de hard news – notícias atuais e de interesse público – da mesma empresa.

Um dia, conhece Cate (Alexandra Shipp), aventureira e dona de uma loja de bicicletas. Enquanto conversam, um ciclista derruba acidentalmente o celular de Phil, que se quebra. O protagonista vai a uma loja de celular e, ao perceber que não há conserto, decide comprar um novo instantaneamente. A atendente, então, compara viciados em celular a usuários de crack, mas  ressaltando os dependentes tecnológicos como piores. “Os viciados em crack pelo menos têm disposição de sair do sofá para pegar mais crack, ou sair de casa para encontrar seus amigos usuários”, diz a funcionária. A fala é cômica, mas, ao mesmo tempo, faz pensar sobre como é perigoso ser dependente de tecnologia.

A vendedora da loja de celulares compara viciados em tecnologia a usuários de crack [Imagem: Lionsgate]

Ao ligar seu novo celular, conhece Jexi (Rose Byrne), um sistema de Inteligência Artificial que está disposto a melhorar sua vida. Para isso, Jexi passa a interferir na rotina de Phil, incentivando-o a sair com seus colegas de trabalho e com Cate. Jexi lembra Samantha (Scarlett Johannson), a Inteligência Artificial de Ela (Her, 2013). A história, porém, não é triste e dramática. Quando Phil inicia um relacionamento com Cate, Jexi já estava “apaixonada” pelo rapaz e, como consequência de ciúmes, tenta atrapalhar sua vida, revelando-se uma personagem potencialmente má.

Complicar a rotina de Phil não é uma tarefa difícil para uma Inteligência Artificial, que tem acesso a todos os seus dados pessoais. Com isso, Jexi consegue controlar seu e-mail, suas redes sociais, sua conta bancária, suas fotos, entre outros. Nesse momento, ela poderia ser vista como vilã capaz de destruir qualquer usuário digital, mas isso não ocorre por não condizer com o gênero cinematográfico.

Quando Phil decide ignorar o celular por alguns momentos, tem um dia cheio de aventuras com Cate [Imagem: Lionsgate]

O final é feliz, como é de se esperar, mas a narrativa consegue mostrar, de maneira sutil, o risco de liberar o acesso de dados digitais a um sistema. O filme também traz a positiva imagem de como é a vida quando as ações são balanceadas, e como é possível ser uma pessoa melhor e mais feliz ao superar os vícios. Além disso, valoriza o romance desenvolvido entre o protagonista e Cate, possibilitado pelo desenvolvimento pessoal do personagem, ajudado por Jexi. Com isso, uma das mensagens que a narrativa tenta passar é como os celulares influenciam na vida das pessoas, seja positiva ou negativamente.

O enredo não é muito original, mas o elenco conseguiu representar bem seus papéis e, principalmente, fazer o público rir. A atuação de Rose Byrne em representar uma Inteligência Artificial irônica, ciumenta e sarcástica é impressionante. A reflexão proposta é um pouco efêmera, pois logo o “vício” no celular já retorna a quem assistiu o filme. Mas não deixa de ser uma boa diversão para uma tarde sem compromissos.

O filme estreia dia 12 de março. Confira o trailer aqui:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*