Por Maju Pinheiro (majupinheiro@usp.br)
Inaugurada em 16 de abril, a mostra intitulada “Janis” reúne acervo inédito de mais de 300 itens da cantora. Vindos diretamente de Los Angeles, nos Estados Unidos, até o MIS (Museu da Imagem e do Som), a exposição possui curadoria de André Sturm.
Com recursos interativos e salas temáticas, o visitante é transportado de volta à cena da contracultura hippie. Obras do audiovisual, como o filme O Selvagem (The Wild One, 1953), e da literatura americana como On The Road (Editora Brasiliense, 1984), também são participantes da exposição. Elas são relembradas pelo simbolismo de liberdade e juventude — tal como a vida de Janis é marcada.
Instalações que fazem referência ao famoso Porsche 356 de estampa psicodélica de Janis colorem o ambiente repleto de inspirações pessoais da cantora, como o som do blues cantado por Bessie Smith e Lead Belly, de vozes ásperas. Ela se reconhecia com os temas intensos abordados, seja através de suas composições, seja em suas performances.

Mais do que Janis como artista, na exposição o público é introduzido a todo seu universo. Com cartas endereçadas a sua família, por exemplo, é possível perceber a insegurança e culpa que a perseguiam ao chegar em São Francisco. Lá, faria um teste de vocalista para a banda Big Brother and The Holding Company, sob a promessa de manter a cabeça no lugar e voltar à faculdade, caso essa oportunidade não desse certo. Tentada a seguir na música, foi como voz do grupo que Janis Joplin se tornou conhecida. Gravou dois discos com a banda e, em 1968, seguiu carreira solo.
O ponto de virada na carreira de Janis — o Festival Internacional de Música Pop de Monterey — é destacado na exposição e convida os espectadores a assistirem as grandes performances que fizeram Janis Joplin ser considerada uma das vozes mais potentes de sua geração. Menos comercial que o celebrado Woodstock, foi com um show curto de cinco músicas que Janis afirmou seu talento, que pode ser verificado através da exibição do filme-concerto Monterey Pop (1968), projetado na sala dedicada ao festival.

Amante do Brasil, a passagem da cantora pelo Rio de Janeiro também é lembrada pela mostra, que constrói a atmosfera carioca com o famoso calçadão de Copacabana e a areia da praia. A estadia de Janis não foi resumida a um simples Carnaval na Cidade Maravilhosa — a artista eternizou sua paixão em sua própria pele, com uma tatuagem de um bracelete baiano.
Uma protagonista feminina nos palcos
Em uma época atravessada por mulheres como coadjuvantes, Janis reivindicava o desejo feminino em suas letras, além de contradizer o que, até então, era considerado cantar “bonito” ou “certo” — numa espécie de desabafo, Janis não só cantava, mas utilizava de seus sentimentos como um instrumento.
“Toda noite, eu subo no palco, faço amor com 25 mil pessoas e depois vou para casa sozinha”
Janis Joplin
De sexualidade franca e desinibida, Janis fazia o que queria nos palcos, cantava sobre sexo e amor enquanto se entregava completamente e, assim, ocupava espaços em que antes só cabiam homens.
Na mostra “Janis”, muitas das faces da artista são mostradas por meio de um acervo que vai desde sua auto-harpa até seu anel de formatura. Em 1970, a cantora faleceu por uma overdose de heroína — com uma carreira curta, mas de um legado imensurável.
* [Imagem de capa: Reprodução/Wikimedia Commons]
