Por Gabriela César (gabriela.oliveiracesar@usp.br) e Gabriella dos Santos (gabriella.santos12@usp.br)
Na segunda-feira (25), Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, participou de uma roda de conversa promovida pelo movimento Direitos Já! Fórum pela Democracia, realizada na Casa de Portugal, em São Paulo. O evento reuniu lideranças da sociedade civil e do cenário político nacional para um debate sobre democracia e desenvolvimento do estado de São Paulo.
Na mesa, estiveram presentes Renato Gonçalves, diretor da Casa de Portugal; Simone Tebet; e Fernando Guimarães, coordenador-geral do Direitos Já! Fórum pela Democracia. Ao apresentar Tebet, que já havia participado do evento promovido em 2022, Guimarães afirmou seu potencial para as eleições de 2026 e para futuros pleitos. “Estamos não só com a futura senadora de São Paulo, mas com a futura presidente da República”.
Primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet liderou a Bancada Feminina durante sua passagem pelo Senado, entre 2021 e 2022, e foi eleita três vezes como a melhor senadora do Congresso pelo júri especializado do Prêmio Congresso em Foco. O coordenador do Fórum ainda ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só ocupa a cadeira presidencial atualmente pelo apoio de Tebet ao petista no segundo turno da eleição de 2022.
As bandeiras de Tebet para o Senado
Durante a roda de conversa, Tebet foi questionada sobre o que ela considera como seu diferencial para o Senado. A ex-ministra, no entanto, evitou responder diretamente e desviou do tema. Como resposta, afirmou que o pleito de 2026 será “a eleição mais importante da história das nossas vidas”. Ela ressaltou ainda a importância democrática do cargo para o qual está concorrendo e declarou apoio a Lula. “Não só porque temos o dever de eleger o único candidato verdadeiramente democrático, que é Lula, como temos que eleger um Senado democrático”.
A ex-ministra ainda explicou que, para a eleição de 2026, há a necessidade de que as pessoas dialoguem com quem pensa diferente porque, segundo ela, a eleição deste ano será decidida nos 2% ou 3% do eleitorado. Segundo dados do Paraná Pesquisas divulgados na quinta-feira (21), Simone Tebet aparece com 34,3% das intenções de voto para o Senado por São Paulo, atrás de Marina Silva (Rede), com 36,6%.
Questionada pela J. Press sobre sua visão a respeito do cenário e se isso poderia gerar uma concorrência entre as candidatas pelos eleitores, Tebet afirmou que o campo progressista vai apresentar apenas dois candidatos ao Senado e descatou uma terceira candidatura do PSB. Segundo ela, esse cenário amplia as chances do partido no pleito de outubro, uma vez que o eleitor que votar em um candidato certamente vota no outro. “Minha preferência é termos uma frente ampla. É por isso que me coloquei como pré-candidata em São Paulo, mostrando que o campo democrático está aqui. Sem democracia nós não temos nada”, afirmou.

Benedito Mariano, Presidente do Conselho Nacional de Secretários e Gestores Municipais de Segurança (Consems), questionou Tebet sobre sua visão a respeito da PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo Lula, que propõe a criação de um Ministério para a Segurança Pública e espera a aprovação do Senado. Segundo ela, a aprovação da PEC deve ser tratada com urgência porque, para ela, é impossível ter um projeto de segurança pública sem coordenação federal com os estados.“Há muito tempo o problema de segurança pública deixou de ser um “ladrão de galinha”, hoje, o crime organizado toma conta do processo produtivo do Brasil. O PCC [Primeiro Comando da Capital] está em todos os setores”, disse Tebet.
O economista André Perfeito perguntou a Tebet a respeito da diferença de gestão entre o Centro-Oeste, marcado pelo agronegócio, e São Paulo, marcado pela indústria e pelo mercado financeiro. Para Tebet, ter passado por todos os cargos políticos — prefeita, executiva municipal, deputada estadual, senadora, vice-governadora e secretária de governo —, faz com que ela acredite estar pronta para o posto na Câmara Alta pelo estado mais rico do país. “Para defender o desenvolvimento regional do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste, eu tinha que entender com profundidade como funciona o desenvolvimento do Sul e do Sudeste do Brasil. Qual é a diferença no caso de São Paulo? É que se São Paulo vai bem, o Brasil vai bem”, afirmou.
“Qual é o maior problema do Brasil? O Brasil não tem cultura de planejamento; ele pensa sempre a cada eleição. Nós nunca tivemos planos do que queremos para o Brasil em 25 anos”.
Simone Tebet
Eva Blay, ex-senadora federal e professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), questionou Tebet sobre sua visão a respeito do aumento de escolas cívico-militares no estado de São Paulo. Para ela, o único caminho viável para melhorar a educação de São Paulo é com a derrota do governador do Estado, Tarcísio de Freitas (PL), nas urnas em outubro. “Trocando o governador de São Paulo, não tem outro caminho”, respondeu a ex-ministra.
Tebet ainda explicou que a estratégia de implementação de escolas militares é um método fascista de fazer política porque, de acordo com sua visão, a comunicação e a educação passam a ser controladas.

Questionada sobre a criação de um plano para incorporar mais aulas culturais ao ensino público de São Paulo, Tebet afirmou que um país efetivamente desenvolvido e com diminuição da desigualdade social começa com uma educação de período integral. “Na ditadura, no fascismo ou na extrema-direita, a primeira coisa que fazem é fundir o Ministério da Cultura ao Ministério da Educação (MEC), como aconteceu há alguns anos”, destacou a ex-ministra.
A fala de Tebet faz referência a uma das estratégias propostas nos primeiros meses do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2019, na qual o ex-chefe do Executivo estudava fundir o MEC com as pastas de Cultura e Esporte. A ideia, no entanto, não prosperou após críticas de especialistas na época.
A ministra explicou ainda que a cultura é, de todos os meios econômicos, o que mais gera renda, especialmente no Estado de São Paulo. A Virada de São Paulo de 2026, por exemplo, movimentou cerca de R$1,1 bilhão na economia paulistana ao longo do último fim de semana, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O ex-ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Clóvis Carvalho (PSDB), questionou Tebet sobre estratégias para renovar o Congresso, afirmando que a “paz parlamentar” é indispensável para o sucesso de qualquer presidente. Em resposta, Tebet afirmou que os partidos progressistas precisam escolher apenas dois candidatos democráticos por estado para que os eleitores não tenham um volume grande de candidatos disponíveis e os votos não se dividam. Além disso, a ex-ministra afirmou que é preciso debater o conceito de cidadania em salas de aula e conseguir se comunicar, de fato, com o eleitorado.
Ela explicou que a classe política não está conseguindo entender o Brasil de hoje conectado à internet. “Nós estamos em guerra e perdemos a narrativa nas redes sociais […]. Por meio do celular, a população é bombardeada com narrativas que não damos conta de combater porque não conseguimos sequer usar o mesmo vocabulário que essa pessoa usa”, ressaltou.
Sobre a roda de conversa
O evento faz parte de um ciclo de debates promovido pelos Direitos Já! Fórum pela Democracia, com foco na reconstrução democrática, no desenvolvimento sustentável e na inclusão social. De acordo com os organizadores do evento, “a presença de Simone Tebet reforça a proposta do Direitos Já! de buscar alianças transversais e soluções pragmáticas para o país, promovendo a articulação entre lideranças partidárias”.
A ex-ministra foi a segunda convidada de uma série de conversas com pré-candidatos à eleição de 2026 que acontecerão semanalmente nos próximos meses. No primeiro encontro do evento, em 13 de maio, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi o convidado do debate.
Renato Gonçalves, diretor da Casa de Portugal, afirmou que a instituição integra o patrimônio cultural de São Paulo, é sem fins lucrativos e não realiza filiações políticas. “A Casa é um espaço democrático, comprometida com a dignidade humana”, destacou.
O convidado da próxima semana será o ex-ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB), também pré-candidato ao Senado por São Paulo.
