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91 anos de Mauricio de Sousa: por que a Turma da Mônica é tão popular?

Os quadrinhos de Mauricio são conhecidos nacionalmente e dominam o mercado de quadrinhos brasileiro
Texto alternativo: Cena de animação colorida da Turma da Mônica, em uma rua de bairro ensolarada com árvores de folhas alaranjadas e amarelas, casas ao fundo, céu azul com nuvens e uma cerca de tábuas roxas. Cinco crianças aparecem em pose de confronto, com expressões de determinação e sobrancelhas franzidas. Em primeiro plano, à esquerda, o Cebolinha, de cabelo preto e macacão xadrez vermelho sobre camiseta amarela, faz pose de luta. Atrás dele está o Cascão, de camiseta verde e short preto. No centro, a Mônica, de vestido vermelho e dentuça, segura pela orelha o coelhinho azul Sansão. Ao lado, a Magali, de vestido amarelo, ergue o punho. À direita, a Milena, menina negra de cabelos cacheados volumosos com laço rosa, macacão laranja e tênis rosa, está de braços na cintura e cenho franzido. No canto inferior direito aparecem a assinatura “Mauricio” e o crédito “© MSP”.

Por Nina M. Bozic (ninamilibo@usp.br)

Nesta terça-feira (27), Mauricio de Sousa completou 91 anos. O criador da Turma da Mônica teve seus noventa anos comemorados no decorrer deste ano, com homenagens de sua própria empresa, de fãs e de figuras e instituições renomadas. Entre as principais celebrações, estavam diversos eventos e obras distribuídos pela cidade de São Paulo, organizados pela própria Prefeitura. 

Em novembro de 2025, a obra de Mauricio foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial de São Paulo, e as celebrações também marcaram esse feito. O título foi justificado pelo legado do quadrinista ultrapassar a criação literária e atingir a sociedade brasileira, reconhecida nacionalmente como parte da infância e da educação do país. 

Todos os protagonistas das principais tirinhas existem há mais de 60 anos, e, ainda assim, suas histórias permanecem relevantes para o público atual. A Jornalismo Júnior conversou sobre a obra de Mauricio com profissionais envolvidos no meio dos quadrinhos para entender o impacto dos quadrinhos e o porquê de sua popularidade. 

Uma potência nacional

O título Turma da Mônica foi apontado como o terceiro “livro mais marcante”, considerado o mais citado por leitores brasileiros na 6ª edição da pesquisa Retratos de Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2024. Mauricio de Sousa também ficou em terceiro lugar como autor mais conhecido no país, atrás apenas de Machado de Assis e Monteiro Lobato.

Entre os entrevistados, é consenso que a Turma da Mônica ganha muito de sua força por ser reconhecida nacionalmente, como parte da sociedade e cotidiano brasileiros.

Arte em formato de adesivo, com contorno branco, mostrando a personagem Mônica em movimento alegre, com um pé erguido e os braços abertos, sorrindo e mostrando os dentes da frente. Ela veste vestido vermelho e usa uma faixa azul-clara de lado a lado, com a palavra “UNICEF” e uma medalha dourada com um coelhinho. Atrás dela há uma placa azul retangular com o nome “Mônica” em letra cursiva azul-clara, o texto “embaixadora do UNICEF” em branco e o logotipo do UNICEF. Nos cantos aparecem a assinatura “Mauricio” e o crédito “© MSP - Brasil”.
Mônica foi eleita embaixadora da UNICEF no Brasil em 2007 [Imagem: UNICEF/ Divulgação]

Waldomiro Vergueiro, professor titular e coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), explica que a Turma da Mônica passou a conquistar o meio HQs brasileiro a partir dos anos 70. A personagem Mônica, criada em 1963 e inspirada na filha de Mauricio, ganhou a própria revista em quadrinhos em 1970 pela editora Abril. A revistinha, que teve tiragem inicial de 200 mil exemplares mensais, logo cresceu e ganhou popularidade.

Produções estadunidenses, como as revistas do Tio Patinhas e do Mickey, criadas pela Disney, dominavam o mercado brasileiro de quadrinhos infantis antes da Turma da Mônica. Em um curto período, Mauricio reverteu este cenário e passou a ser o preferido das crianças do país. Para Vergueiro, este é um importante marco: “sempre se dizia que a produção estrangeira impedia o surgimento de autores nacionais. O Mauricio quebrou esse estigma e se tornou o maior produtor de quadrinhos no país”. 

Fotografia de uma revista em quadrinhos antiga e desgastada, apoiada sobre uma superfície de madeira. A capa amarela, com marcas do tempo, fita adesiva e carimbos de biblioteca, traz o título “Mônica” em grandes letras azuis com contorno vermelho e, abaixo, “e a sua turma”. Há o selo “Nº 1” e “NCr$ 0,90”, além do selo comemorativo de 20 anos da Editora Abril. Uma fileira de cinco quadrinhos coloridos mostra Cascão, Cebolinha, Jotalhão, Chico Bento e Bidu. Na ilustração principal, a Mônica, de vestido vermelho, segura um carrinho roxo dirigido por um Cebolinha emburrado, enquanto uma tartaruga caminha ao fundo. Há uma assinatura de Mauricio escrita à mão, com a data “03”, e a anotação “A Gibiteca Henfil”.
A Gibiteca Henfil, do Centro Cultural de São Paulo, tem uma cópia autografada da primeira edição do gibi da Mônica, junto a várias coleções históricas [Imagem: Nina M Bozic/ Acervo Pessoal]

A Gibiteca Henfil, do Centro Cultural de São Paulo, tem uma cópia autografada da primeira edição do gibi da Mônica, junto a várias coleções históricas [Imagem: Nina M Bozic/ Acervo Pessoal]

Lilian Lorante Araújo, coordenadora da Gibiteca Henfil, reforça que o autor tem um forte legado, mas que não abriu portas sozinho: “temos também o Ziraldo, o Henfil, e grandes nomes surgindo agora. Acho que Mauricio foi um dos que abriram esse caminho”.

Para Helô D´Angelo, cartunista autora do quadrinho Pipa – Voo (2026), a dimensão da Turma da Mônica possibilita que o meio das HQs seja reconhecido na sociedade brasileira. Segundo ela, o carinho pela Turma da Mônica permite que as pessoas entendam e recepcionem os quadrinhos com mais facilidade. Assim, a fama de Mauricio também impulsiona outros quadrinistas brasileiros.

“Se alguém me pergunta o que eu faço, eu digo que faço quadrinhos, como o Mauricio de Sousa. E assim as pessoas já sabem o que é e têm carinho por isso”
Helô D’Angelo

Vergueiro ainda explica que a conquista do mercado ocorreu principalmente pelo tino empresarial de Mauricio. Para o professor, a capacidade de  negociação do cartunista popularizou sua obra: “ele sempre abriu os personagens para produtos e propagandas e, por isso, eles se tornaram conhecidos rapidamente”.

Ilustração em estilo clássico de quadrinhos sobre fundo em degradê de amarelo-limão a laranja-dourado. Ao centro, o elefante verde Jotalhão corre sorrindo, com grandes presas brancas, olhos arregalados e orelhas grandes, soltando nuvenzinhas de poeira brancas nas patas. Sobre suas costas e cabeça estão sentados o Cebolinha, o Cascão, a Magali, um menino loiro de gravata-borboleta vermelha e o cachorrinho azul Bidu. Na frente, correndo e puxando a tromba do elefante, está a Mônica, de vestido vermelho. No canto direito há a assinatura “Mauricio” e o crédito “© MSP - Brasil”.
O personagem Jotalhão se tornou símbolo do extrato de tomate Elefante, da marca Cica, em 1969 e é um dos casos mais famosos de propagandas da Turma da Mônica [Imagem: Linkedin/Mauricio de Sousa/ Divulgação]

O especialista diz que os cenários da Turma da Mônica são populares pois costumam seguir uma “visão média da sociedade, no sentido de atingir todos os públicos”. Ele critica essa produção como muito “pasteurizada”, especialmente nas primeiras tirinhas, com temas generalistas para atingir a todos. “Era quase uma visão paradisíaca da infância brasileira. Mas, no meio, eventualmente surgiam algumas histórias que tocavam em pontos sensíveis da sociedade. É o caso de Os Azuis, por exemplo”, explica. 

“Minha história com a Turma da Mônica é afetiva”

Fotografia diurna, sob sol forte, de uma escultura de bronze dourado em um banco de ripas escuras na calçada de uma avenida movimentada, com árvores e carros ao fundo e um edifício de estrutura vermelha à esquerda. No centro, um homem de bronze está sentado com as pernas cruzadas e as mãos sobre o joelho, sorrindo, de camisa de botões e calça. Ao redor dele, personagens da Turma da Mônica, também em bronze, se agarram ao banco e ao homem: Mônica segurando o Sansão, Cascão, Cebolinha, Magali, Chico Bento de chapéu de palha, Milena e outros. Aos pés da escultura está o cachorrinho Bidu. Uma placa dourada fixada no encosto do banco identifica o monumento.
Mauricio de Sousa ganhou estátua de bronze na Avenida Paulista com seus personagens mais conhecidos ao redor, na qual leitores podem se sentar e tirar fotos [Imagem: Nina M Bozic/Acervo Pessoal]

Para Lilian, a memória da população dos quadrinhos de Mauricio é afetiva, por estar ligada à infância. Ela conta que sente essa relação em sua vida pessoal: “quando eu apresento as histórias para o meu filho, vem um resgate afetivo da minha própria infância”. A diretora da Gibiteca percebe o carinho na interação com seu público: “vejo pais e avôs trazerem os filhos para ler. É uma construção entre gerações”. Ela relata que muitos dos leitores ávidos da Turma da Mônica são adultos, que encontram memórias da infância em coleções antigas.

Helô tem a própria lembrança, que conta com carinho: “minha mãe trabalhava muito e tinha pouco tempo para ficar comigo. Mas, mesmo assim, ela lia as revistinhas e me explicava as histórias. Então, tenho essa memória muito afetiva”.

Segundo Vergueiro, ao conquistarem o mercado do país e serem produzidos localmente, os quadrinhos de Mauricio geram a valorização de ideais brasileiros. Helô complementa que a turminha cria proximidade com o público e seu cotidiano por ter elementos genuinamente nacionais. “As piadas são brasileiras, os personagens são brasileiros. E isso se relaciona com nosso imaginário”, diz. 

“São quadrinhos que falam da nossa realidade, que trazem o dia a dia das crianças”
Waldomiro Vergueiro

Para Helô, o afeto das pessoas pelas HQs de Mauricio também vem da linguagem simples das tirinhas, assim como o uso delas na educação. A cartunista diz que aprendeu a ler e a desenhar com os gibis da Turma da Mônica, e sente que a alfabetização com eles é uma experiência comum na infância brasileira. Lilian também conta que seu primeiro contato com a literatura foi através das revistinhas de Mauricio: “gosto de dizer que minha primeira biblioteca foi a banca, quando eu lia gibis enquanto meu pai comprava jornais”.

Ilustração digital em estilo de quadrinhos, com traço simples, contornos pretos e cores suaves, sobre fundo branco. Duas mulheres se abraçam de olhos fechados e sorrindo. À esquerda, uma mulher de cabelo curto e azul-escuro, pele clara com bochechas rosadas, camiseta branca, aparece com o rosto sereno e apoiado no ombro da outra. À direita, uma mulher de cabelo castanho ondulado preso em um coque no alto da cabeça, óculos redondos de armação branca e blusa listrada em vermelho e branco, abre a boca em uma fala animada. Um pequeno coração rosa flutua entre as duas, e acima delas há um balão de fala amarelo com o texto “VAMOS CELEBRAR A PIPA!”, em letras maiúsculas pretas.
A cartunista compartilhou diversas charges desenhando a si mesma com Pipa, personagem de Mauricio protagonista do quadrinho de Helô, principalmente em cenários de apoio [Imagem: Helô D’Angelo/ Reprodução/ Instagram/ @helodangeloarte]

Neste ano, a Secretaria Municipal da Educação de São Paulo adotou 72,4 mil assinaturas de Histórias de Quadrinhos para escolas de Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens Adultos. Entre os títulos adquiridos, estava Pipa – Voo, juntamente a outros títulos do selo Graphic MSP — série de quadrinhos de histórias de volume único da Mauricio de Sousa Produções (MSP). Helô pôde visitar as escolas e adora a experiência: “É um livro sobre autoestima, e é excelente ver esse tipo de discussão feita por crianças e adolescentes, especialmente nas periferias. Tem sido maravilhoso”.

“O quadrinho permite a leitura tanto de uma pessoa letrada quanto de uma criança ou alguém não alfabetizado, por trazer uma construção entre texto e imagem”
Lilian Lorante Araújo

Além da leitura, a turminha também ensina em outras áreas. Neste ano, uma parceria entre Sicredi, Sicoob e Banco Central distribuiu livros infantis para a educação financeira em 4 mil escolas do país. A ação utilizou a Turma da Mônica em parte dos materiais, com histórias em que personagens lidam com o dinheiro em situações do cotidiano infantil. 

Além das tirinhas

Entre as celebrações dos 90 anos de Mauricio no decorrer deste ano, estava a Graphic Novel MSP Mauricio: 90 (2026), que contou com histórias dos personagens do cartunista, feitas por 90 artistas diferentes, incluindo Helô. Para Vergueiro, o projeto Graphic Novel MSP é um dos principais exemplos de inovações aos seus quadrinhos realizadas pelo estúdio.

Quadro de história em quadrinhos com moldura azul e fundo azul-claro com nuvens. Uma personagem de cabelo castanho encaracolado, óculos redondos, bochechas rosadas e blusa listrada de branco e azul, boca aberta em expressão animada, estende os braços segurando um livro de capa amarela. A capa mostra o título “MSP 90” em azul e vermelho, o nome “Mauricio de Sousa”, o retrato de um homem de cabelos grisalhos e diversos personagens da Turma da Mônica. Acima dela, um balão de fala branco traz o texto: “Pra quem não sabe, MSP90 é uma coletânea em que 90 artistas homenagearam Mauricio de Sousa!”, com a expressão “90 artistas” destacada em negrito.
Helô escreveu sobre a personagem Dona Pedra na Mauricio 90 [Imagem: Helô D’Angelo/ Reprodução/ Instagram/ @helodangeloarte]

O professor explica que a visão corporativa aguçada de Mauricio leva a empresa a sempre acompanhar as tendências e exigências do público, se mantendo atual. A incorporação de avanços tecnológicos nas tirinhas e as inovações de personagens e formatos de histórias, por exemplo, são atualizações que mantêm a força da Turma da Mônica.

“Essa é a razão do grande sucesso dele: ele não parou no tempo, ele continuou a evoluir e a evoluir seus personagens”
Waldomiro Vergueiro

A criação das Graphic Novels, quadrinhos com apenas uma história criados por vários cartunistas, foi idealizada por Sidney Gusman, ex-editor-chefe da MSP Estúdios. O projeto se iniciou com o livro MSP 50 (2009), que seguia um formato similar à Mauricio 90, com histórias de 50 artistas com os personagens do cartunista. Depois dele, vieram a Mauricio +50 (2010) e Mauricio Novos 50 (2011), até surgir a primeira edição com uma história própria, Astronauta – Magnetar (2012).

Fotografia de uma prateleira de biblioteca vista de frente, mostrando as lombadas de dezenas de livros enfileirados na vertical, todos da coleção Graphic MSP, da editora Panini Comics. As lombadas variam em cores: azul-turquesa, lilás, cinza-azulado, vermelho escuro, azul vivo, marrom-acinzentado, azul-marinho e branco. Os títulos legíveis incluem “Lições”, “Lembranças” e “Laços”, todos da “Turma da Mônica”, além de “Franjinha: Contato”, “Jeremias: Pele”, “Jeremias: Estrela”, “Jeremias: Alma” e “Anjinho: Além”. Na base de cada lombada há etiquetas brancas de catalogação com códigos como “QI C129t” e “QI C144j”, e adesivos redondos coloridos, em laranja, azul e vermelho. À esquerda aparecem ainda gibis de super-heróis com o logotipo da DC.
O selo também conta com personagens além da turminha principal, como a Turma da Mata, Tina, Louco e Horácio, e várias delas estão disponíveis em bibliotecas públicas [Imagem: Nina M Bozic/ Acervo Pessoal]

O formato atrai um novo público, abordando perspectivas e temas mais sensíveis do que tirinhas comuns. Entre os destaques das Graphics, está Jeremias – Pele (2019), vencedora do prêmio Jabuti de Melhor HQ em 2019. O livro, escrito por Rafael Calça e desenhado por Jefferson Costa, trata do racismo sofrido pelo personagem na infância, e a jornada de superação e busca por reconhecimento dele. 

Outro marco é a série Turma da Mônica – Laços (2013), Turma da Mônica – Lições (2015) e Turma da Mônica – Lembranças (2017). As duas primeiras edições da trilogia se tornaram filmes live action, de mesmo nome, em 2019 e 2021. As obras estrearam as produções audiovisuais do universo de Mauricio, que foi seguido por títulos como o filme Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa (2024) e a série Turma da Mônica – Origens (2024).

Vergueiro explica que a criação audiovisual a partir dos quadrinhos é uma importante renovação da Turma da Mônica. Para o professor, as produções além da leitura criam um “sistema de consumo”: “são mídias que se apoiam, e ampliam o público da marca”. 

A popularidade dos filmes também atrai uma nova atenção aos quadrinhos. Para Helô, as produções não só fortalecem o cinema nacional, mas também estimulam que produtoras procurem quadrinhos como fontes de história.

“Existe um casamento excelente entre quadrinhos e o cinema”
Helô D’Angelo

Outro exemplo de renovação do público dos quadrinhos é a criação da Turma da Mônica Jovem (2008-agora). O projeto foi criado em 2008 e segue um estilo mangá, formato de quadrinhos tradicionalmente japonês. Na época de lançamento, a MSP esclareceu que buscava acompanhar o crescimento e a adolescência de seus leitores, juntamente ao crescimento da popularidade desse estilo de revistas na época.

A nova turminha

Outro ponto abordado sobre a produção da MSP é a criação de novos personagens conforme demandas e discussões sociais. Para todos os entrevistados, a atenção às mudanças da sociedade é um motivo claro para a permanência da força da Turma da Mônica.

Para Helô, o mérito da manutenção da atualidade das tirinhas está na equipe que as produz. A cartunista explica que, ao admitir criadores de identidades diversas em sua produção, a Mauricio de Sousa Produções cria espaço para a inclusão também nos quadrinhos.

Fotografia de um homem idoso de cabelos grisalhos penteados para trás, sorrindo de forma calorosa para a câmera. Ele veste jaqueta bege de gola azul-escura sobre camisa polo amarela e está sentado em uma poltrona preta, diante de uma parede clara com uma moldura dourada ao topo. Com as duas mãos, ele segura à frente do corpo um gibi de capa rosa e amarela com o título “Milena” em letras verdes e o número 01. Na capa, a personagem Milena, menina negra de cabelos cacheados, sorri cercada por outros personagens da Turma da Mônica. No canto esquerdo aparece a assinatura “Mauricio”.
A primeira edição de Milena foi roteirizada por um time de jornalistas negras dos estúdios MSP [Imagem: MSP Estúdios/ Divulgação]

O lançamento da personagem Milena, a primeira protagonista feminina preta de grande destaque, foi um marco importante para a representatividade na Turma da Mônica. Em 2019, juntamente à sua família, ela foi introduzida como parte do grupo principal de crianças, e vem conquistando popularidade desde então. A personagem ganhou o próprio gibi em maio deste ano, sendo a primeira a ter uma própria publicação em quase 40 anos.

Capa de revista em quadrinhos da Turma da Mônica, com fundo em degradê de amarelo a verde e um gramado ao ar livre. No topo está o logotipo “Turma da Mônica” e, abaixo, o selo do Instituto Mauricio de Sousa. Em primeiro plano, três meninos andam juntos em uma bicicleta azul, sorrindo e em movimento, com linhas curvas indicando velocidade. Ao fundo, uma menina de vestido amarelo está sentada no chão brincando com panelinhas, a Mônica corre segurando o Sansão e a Milena, de vestido azul e rosa, leva as mãos ao rosto com expressão de surpresa. Na base está o título “Um amiguinho diferente”, e há a assinatura “Mauricio” no canto inferior.
André foi apresentado na revista especial Um Amiguinho Diferente (2002) e ainda aparece, como secundário, em histórias atuais [Imagem: Instituto Mauricio de Sousa/ Divulgação]

Lilian também cita o caso de André, personagem com Transtorno do Espectro Autista (TEA)  criado em 2001 pelo Instituto Mauricio de Sousa (IMS) em parceria com a Universidade de Harvard. 

No programa Altas Horas (Rede Globo, 2000-atualmente), Mauricio revelou que André foi inspirado em um garoto autista que se identificava com Chico Bento, que visitou seu estúdio ainda criança. O cartunista conta que o garoto o reencontrou mais velho, com desenhos que o impressionaram. Ao contar a história, o autor se emocionou e disse que assim percebeu a importância de tratar do autismo em seus quadrinhos. 

A diretora da gibiteca ficou emotiva ao lembrar do relato: “se ver representada de uma forma positiva impacta muito na vida de uma criança. É aí que pensamos o quanto o quadrinho, que muitas pessoas tratam como uma leitura ´boba´, pode mudar a vida de uma pessoa”.

*Imagem de capa: Linkedin/Mauricio de Sousa/ Divulgação

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