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Onde estão os pais? A temática da ausência paterna no Oscar 2026

Representações da paternidade e sua ausência têm se tornado tema cada vez mais frequente no cinema
por Alícia Simões (aliciasimoes@usp.br)

Quatro dos dez filmes nomeados na categoria de Melhor Filme do Oscar 2026 passam, de alguma forma, pelo universo do “pai ausente”. Valor Sentimental (Affeksjonsverdi, 2025), O Agente Secreto (2025), Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, 2025) e Sonhos de Trem (Train Dreams, 2025) perpassam o tema de maneiras bastante singulares.

Além destes, outros longas indicados na principal categoria da premiação também circundam o assunto da paternidade. Estão entre eles Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, 2025), Marty Supreme (2025) e Pecadores (Sinners, 2025). Ainda vale destacar Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I Had Legs I’d Kick You, 2025) indicado à Melhor Atriz, que, mais uma vez, aborda a paternidade ausente como um de seus temas centrais, em uma obra que passa pela vida de uma mãe sobrecarregada.

O Oscar não se trata de uma premiação de arte ou de qualidade do cinema, mas sim um prêmio de indústria. Ainda assim, a sincronicidade dessa temática em diversos filmes do evento revela um forte sintoma da sociedade contemporânea.

O pai ausente na sociedade atual

O destaque do tema na temporada de premiações do ano passado mostra, para além da coincidência, uma tendência na abordagem dessa discussão. Para a psicanalista e linguista pela FFLCH-USP Luciane Streit, a questão não é que esse tema está “em alta”, e sim, que ele foi reconhecido.  “Eu acho que se voltarmos  no passado, teremos  muitos filmes tratando disso. Hoje, discutimos mais a ausência paterna. Até muito pouco tempo isso era bem normalizado.”, declarou em entrevista ao Cinéfilos

Ou seja, não necessariamente os diretores estão produzindo mais filmes a respeito do tema, mas as pessoas estão prestando mais atenção e discutindo muito mais sobre o assunto quando ele aparece. Em produções já do século passado, como Central do Brasil (1998), esse tópico já era abordado, nesse caso através da trajetória de Josué (Vinícius de Oliveira) na busca por seu pai, que nunca pôde conhecer.

“Os filmes não julgam. Eu acho que sai desse clichê, porque não há o julgamento nem do pai herói, nem do pai mal. São muitas nuances, uma camada em cima da outra.” 

  • Nicky Klöpsch, Cineasta

Para Nicky Klöpsch, graduada em Realização Audiovisual pela Unisinos, as pessoas se atentam mais às consequências da ausência paterna atualmente. “O pai ausente no cinema sempre apareceu de alguma forma ou de outra, não é um tema que é tabu. Mas ultimamente o que está ficando e sendo descoberto, é realmente para as consequências, os traumas e as coisas que ficam dessa ausência.”, relatou à Jornalismo Júnior.

Para além disso, algo que muda muito com o passar do tempo é o próprio conceito de paternidade, a responsabilidade social do pai e sua função. No artigo “Ausência do pai: uma introdução ao tema”, já em 1983, os autores explicam: “Não há como abordar ausência paterna sem desvinculá-la, por exemplo, do papel que é atribuído ao pai, num determinado contexto histórico-cultural e num dado segmento temporal.” 

Para os autores, a discussão contemporânea também é extremamente influenciada pela noção do papel do pai que vem sendo construída – a de compreender que essa figura possui sim responsabilidades importantes na construção dos filhos enquanto sujeitos. 

A posição das mulheres

Apesar de ainda ser um ambiente extremamente masculino, os papéis de liderança como direção, roteiro, fotografia e vários outros estão sendo cada vez mais ocupados por mulheres. Isso impacta bastante a forma como a paternidade é abordada, pois, na maioria das vezes, quem mais sofre com um pai que abandona o filho, além da própria criança, é a mãe. 

No filme Hamnet: A vida antes de Hamlet, isso se torna muito evidente, na medida em que o roteiro e a direção de Chloé Zao fazem questão de mostrar o quanto a mãe é sobrecarregada e têm que lidar com as dificuldades das consequências da ausência do pai.

“A mulher olha para esse assunto, com certeza, com um olhar diferente do que um homem. [Um olhar] mais aprofundado e mais de quem vive na pele também.”, destaca Klöpsch.  A cineasta reitera afirmando que para cada pessoa, o processo de produção é diferente. Um mesmo roteiro dirigido por pessoas diferentes gera filmes completamente distintos. O impacto da presença feminina no cinema, por exemplo, resultou em abordagens que problematizam e colocam em cheque a posição do homem  construída culturalmente nas relações sociais.

Hamnet e a normalização da ausência paterna

Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, aparece a clássica imagem do pai ausente – aquele que está preocupado apenas consigo mesmo e com sua carreira, que deixa a mulher cuidando dos filhos sozinha e que não aparece nos momentos em que ela mais precisa. 

O longa-metragem conta a história (ficcional) de William Shakespeare (Paul Mescal) e Agnes Shakespeare (Jessie Buckley) e constrói a imagem da ausência paterna para além do que é mostrado, mostrando muito pelo que é silenciado.

A partida do homem para Londres para investir em suas produções de teatro, logo após o nascimento da primeira filha do casal, é tratada como algo normal, o que acentua a “banalização” do abandono observado. A escrita para ele ganha papel principal em detrimento a sua família, ficando distante da filha e da esposa e permanecendo longe mesmo após o nascimento dos gêmeos Hamnet (Jacobi Jupi) e Judith (Olivia Lynes). 

Os três filhos de Agnes e William – Hamnet, Suzanna e Judith
[Imagem: Divulgação/Focus Features]

É evidente ao longo da trama o fato de que a escolha de William é sempre por desenvolver sua carreira. Sua opção é investir tempo no seu trabalho, e não na construção de sua família. Essa decisão continua mesmo com o alastramento de uma crise de peste bubônica. Agnes tem que lidar com a situação e cuidar dos dois gêmeos doentes, mais uma vez, praticamente sem apoio. Judith se recupera, mas Hamnet piora gravemente e falece. Uma montagem  feita com o ritmo acelerado do corte das cenas que contrapõem episódios do pai escrevendo e ensaiando e cenas de sofrimento e agonia da mãe e dos filhos, enfatiza as prioridades de cada um.

A mãe tem que lidar com o luto praticamente sozinha. William até aparece, mas em nenhum momento cumpre a função esperada. “E na perda desse filho, que é um momento de luto, ela fica mais desamparada ainda, porque nem nessa hora ele se coloca ao lado dela para compartilhar desse momento e para, de alguma maneira, fazer suplência ao tamanho da falta que ela está sentindo”, explica a psicanalista Luciane Streit.

William opta novamente por dedicar tempo a seu trabalho e o resultado é a peça teatral “Hamlet”, que dialoga com os acontecimentos envolvendo o filho mais novo. Agnes fica extremamente comovida e emocionada ao assistir ao espetáculo e lembrar de Hamnet. Ao mesmo tempo em que ela sofre muito, ela se vê grata por ver um pouco da história de seu filho de uma maneira bastante delicada. 

Tudo isso contribui para a construção dessa personagem complexa. A opção por Agnes ser a protagonista do filme, com mais tempo de tela e uma história mais desenvolvida, coloca visibilidade para o sofrimento da mulher e para sua  jornada permeada por força, solidão e muita emoção. 

A narrativa, então, torna o centro do enredo não um pai “herói” que falhou, mas sim, uma mãe que é extremamente sobrecarregada por diversos fatores atrelados à criação solo dos filhos. Isso é realizado através da predominância de cenas de Agnes com as crianças em relação a cenas de William em Londres – ele, de fato, aparece menos no longa.

 Apesar de esse “ato final” ser um acontecimento importante, a escrita e apresentação da peça não suprem a falta desse pai na vida de Suzanna, Judith e de sua  mãe. E é isso o que, muitas vezes, ocorre na realidade.  Como Streit pondera, “esse filme traz, com mais evidência ainda, um típico comportamento masculino que ainda é muito presente. É muito fácil aos homens ir embora, cuidar da sua vida”.

Valor Sentimental –  uma reconciliação turbulenta

Valor Sentimental, vencedor da categoria de Melhor Filme Internacional na última edição do Oscar, mostra outra representação de ausência paterna. Ali, o pai é distante durante boa parte do crescimento das filhas, e após a morte da mãe delas, volta para sua casa quando as meninas já são adultas.

O enredo aborda a volta de Gustav (Stellan Skarsgård) à Noruega para resolver pendências de sua casa após a morte de sua ex-esposa Sissel. Suas filhas Nora (Renate Reinsve), a mais velha, e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), a caçula, ressentem muito o tempo em que o pai ficou ausente e enfrentam dificuldades para reconstruir essa relação.

Assim como em Hamnet, Valor Sentimental traz um pai que escolhe se dedicar mais ao seu trabalho que, nesse caso, é como diretor de cinema, do que ao cuidado das filhas. Assim, elas passam quase toda a vida sendo criadas apenas pela mãe, construindo uma  ligação muito forte com ela. Por isso, com a morte de Sissel, se estabelece um certo vazio, que Gustav tenta suprir ao retornar. 

Mas como essa ausência foi sendo construída ao longo de todo o crescimento das filhas, a história mostra que é muito complexo a elas que esse vazio seja preenchido por ele. Além disso, ele volta como se nada tivesse acontecido e ele não tivesse feito nada errado durante todo aquele tempo, o que dificulta ainda mais essa compreensão.

 As duas personagens são bastante diferentes e o roteiro constrói duas respostas distintas à distância paterna. Através do que aparece nas cenas, quando Gustav retorna, Agnes já consolidou uma família e, apesar de esse afastamento trazer consequências em sua vida, até mesmo na forma com que ela lida com seu filho, ela não sofre tantos impactos como a irmã.

Agnes exerce um papel de cuidado com Nora com a falta do pai
[Imagem: Divulgação/MUBI]

Nora parece sentir muito mais essa falta.  A trama mostra que ela tenta utilizar de mecanismos para suprir o vazio deixado por seu pai. Ela opta por seguir uma profissão relacionada à carreira dele, a atuação. Mas, ao mesmo tempo, escolhe ir para outra área nesse meio, o teatro, e, de início, não aceita trabalhar com ele ao receber uma proposta. “Ela cria uma espécie de redoma em volta dela. Só que esse redoma, ao mesmo tempo que a protege, a isola. E ela fica muito solitária”, pontua Luciane Streit. 

É como se Nora tentasse devolver o “abandono” que o pai teve em relação a ela, mas, mesmo assim, quem acaba sofrendo mais é ela. Além disso, também aparecem as dificuldades da filha mais nova em suas relações amorosas e o enfrentamento de sintomas depressivos o que, em alguma medida, podem ser algum tipo de reflexo desse abandono.

Um ponto interessante é perceber que muito da cenografia da obra reforça esse vazio, já que as casas utilizadas como cenário são, no geral, espaçosas e com cores mais frias, acentuando o afastamento das personagens. Em alguns momentos, a edição que alterna cenas do passado e do presente, remete à memória fragmentada das filhas que perpassam pela ausência paterna a qual as marca tanto.

Durante a trama, a escolha de Gustav pelo trabalho é ainda mais enfatizada. Mesmo diante da percepção do sofrimento das filhas, ele escolhe dedicar seu tempo e atenção à produção do seu novo filme, uma espécie de reflexo das suas próprias falhas afetivas. Nessas circunstâncias, ele opta por empatizar muito mais com a atriz que escolhe para atuar no longa do que com as próprias filhas durante todos aqueles últimos anos, um reforço inconsciente ao sentimento de “abandono” sofrido por elas.

Ao final da trajetória, Nora é convencida por Agnes a participar e atuar como protagonista no filme do pai. Há uma certa reconciliação. Mas, mesmo com a consolidação dessa relação através da colaboração dos dois no filme, é evidente que as consequências dessa ausência se refletem na identidade das duas mulheres ao longo de suas vidas – o buraco estabelecido pela falta do pai, depois de consolidado, é muito difícil de ser coberto.

A direção de Joachim Trier prova que é possível abordar esse assunto de forma completamente original. “Ele sai do clichê, porque é um metacinema.  Ele está retratado de uma forma muito genial, em todos os seus aspectos, tanto na cenografia, quanto no roteiro, quanto na direção, na atuação, em todos os sentidos. Tudo é muito simbólico, tudo foi muito bem construído e arquitetado.”, reflete Nicky Klöpsch. 

O Agente Secreto – uma ausência silenciosa

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, traz uma abordagem menos centralizada sobre a ausência paterna. A trama acompanha a trajetória de Armando (Wagner Moura) em um processo de perseguição durante a ditadura militar, em 1977. Ele é professor acadêmico e retorna a Recife, sua cidade natal, em busca de proteção da perseguição do regime militar.  Por causa disso, precisa adotar o codinome Marcelo para se proteger do regime. 

Durante o tempo em que viveu em São Paulo, seu filho Fernando (Enzo Nunes) foi criado pelos avós maternos, após sua mãe ter morrido. Apesar de o pai biológico não estar presente em sua infância, a função paterna parece ter sido cumprida pelo avô, Seu Alexandre (Carlos Francisco). “Ele teve a avó fazendo a função materna e o avô fazendo a função paterna. Então, o pai biológico, de alguma maneira, não faltou. Deve haver um sofrimento por não ter esse pai (…) mas ele teve alguém ali, ele recebeu o afeto, o cuidado e foram exercidas as funções necessárias para que ele se constituísse enquanto sujeito.”, diz Streit.

Ao longo da história, a paternidade de Armando não ganha tanto destaque; e, por isso, pode-se compreender que ela não tenha sido uma falta tão marcante para Fernando. “Ele traz nuances desse ser humano que está ali, que, de certa forma, tem os seus motivos para estar nessa posição, mas ele não está completamente ausente”, comentou Klöpsch. 

Não que isso seja uma justificativa para sua ausência, mas a obra mostra todo um percurso do pai em Recife – que passa por viver em um “refúgio” para perseguidos políticos, pelos trâmites de conseguir um passaporte para deixar o país, por se envolver em uma rede de espionagem e desvendar o próprio passado –  trajetória essa em que talvez não coubesse a presença de uma criança tão pequena.

O Agente Secreto representou o Brasil na temporada de 2025/2026 e conquistou premiações em Cannes, no Globo de Ouro e outras
[Imagem: Divulgação/MUBI]

Um recurso importante que Kleber Mendonça utiliza é uma espécie de algumas lacunas temporais nessa relação entre pai e filho. Em nenhum momento aparece o instante em que Armando deixa Fernando. Isso reforça que essa questão da distância do cuidado paterno deve não ter sido um evento dramático, já que o filme começa com esse fato estabelecido.

Ao final do longa, Fernando, já adulto, é procurado por uma estudante de história que investiga a ditadura e busca compreender um pouco mais sobre a história de Armando. Ele, no entanto, diz não ter nenhuma lembrança do pai, mas sim do avô e de suas idas ao cinema com ele. Ou seja, de fato a presença desse pai praticamente não existiu para o menino.

Sonhos de Trem e a falta eterna

Dirigido por Clint Bentley, Sonhos de Trem aborda mais uma história envolvendo um pai que se torna ausente. Ele deixa a esposa e a filha sozinhas, e depois de perdê-las, segue o resto de sua vida convivendo com essa dor.  É evidente que toda ausência é uma escolha, mas aqui ela se dá principalmente por motivos externos à relação, devido a condições socioeconômicas que dificultam essa presença. 

O enredo acompanha Robert Grainier (Joel Edgerton), lenhador que vive nos Estados Unidos no início do século XX. Ele e Gladys Olding (Felicity Jones) se casam e têm um bebê, a Kate. Para conseguir sustentar a família, ele aceita um trabalho muito distante de casa, necessitando ficar muito tempo longe das duas, e, assim como em outras histórias, a esposa precisa ficar completamente sozinha e cuidar da filha em circunstâncias que dificultam muito essa criação.

O principal episódio do enredo ocorre em uma das vezes em que Robert sai para trabalhar, deixando as duas na cabana sozinhas. Nesse período,  um grande incêndio atinge a floresta e destrói completamente a residência. Em meio ao caos, Gladys e Kate não são encontradas, indicando que elas não resistiram ao acidente. Robert  volta e encontra o ambiente devastado, sem nenhum resquício das duas.

Faz de tudo para encontrá-las, pois mantém a esperança de ainda estarem vivas em algum lugar. O homem então começa a reconstruir sua vida a partir daí, um processo extremamente difícil. Anos depois, Robert vai para outro trabalho, mas se sente deslocado frente às novas tecnologias e aos jovens colegas. 

Gladys, Robert e Kate perto de sua cabana de madeira
[Imagem: Reprodução/IMDb]

O acontecimento o traumatiza pelo resto de sua trajetória. Ele tem alucinações com as imagens de Gladys e Kate, sonha com elas, acredita tê-las visto em alguns momentos. Tudo isso revela que ele enfrenta desafios ao superar a morte das duas e, possivelmente, um arrependimento por não ter passado tempo suficiente com elas.

Bentley utiliza uma abordagem nem tão direta sobre o tema, e sim algo mais implícito, quase que documental. A fotografia do brasileiro Adolpho Veloso, por exemplo, reforça essa escolha através de enquadramentos mais abertos e que, no geral, isolam o protagonista através da grandeza da paisagem norte-americana. Além disso, a montagem trabalha com uma certa fragmentação, com saltos que misturam cenas do trabalho de Robert, de Gladys e Kate e do incêndio.

De certa forma, a obra trabalha a ausência através da impossibilidade conjuntural da presença – o trabalho sazonal, a vulnerabilidade da mulher no espaço rural e atrelada a ela, a falta de rede de apoio. A falta dele parece ser uma consequência dessas condições estruturais.

Impactos do cinema

A exibição de todos esses filmes aflora a discussão sobre as possíveis influências do cinema na forma como as pessoas enfrentam as situações.  Cada pessoa lida com aquilo que assiste de uma forma única, porque cada um possui questões internas que podem se relacionar com as obras de diferentes maneiras.

Para Luciane Streit, os impactos podem se manifestar de diferentes formas. Desde a pessoa que passa por uma situação semelhante a alguma retratada e percebe algo que não notava antes; passando por aquela que já está consciente da sua posição e dos conflitos que vive e, ao ver algo parecido nos filmes se identifica e se sente, de alguma forma, acolhido; até chegar a quem sai sofrendo mais, pois rever algo que já viveu pode produzir um efeito de sofrimento mais intenso.

Para além dos efeitos diretos, “a partir do filme as pessoas conversam sobre o assunto. Então eles levantam discussões, debates, trazem à tona assuntos que, muitas vezes, não estão sendo falados.”, afirma Streit.

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