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Netflix: ‘Amor e Monstros’ – uma jornada de autodescoberta recheada de charme e superação

Seria o seu amor suficiente para enfrentar grandes criaturas? Dylan O’ Brien quer mostrar que sim em uma aventura que nos remete diretamente a uma sessão da tarde

CINÉFILOS
24 abr 2021 | Por Anderson M. Lima (anderson.marques.lima@usp.br)

Quando os espectadores olham o resumo de um novo filme e o termo pós-apocalíptico aparece na descrição deste de alguma forma, a maioria das pessoas já imagina zumbis e aliens atacando a humanidade, principalmente devido à saturação e repetição encontrada no gênero atualmente. Amor e Monstros (Love and Monsters, 2020), nova investida da Netflix, tenta fugir desse esquema pré-estabelecido, mas será que a obra é bem-sucedida nessa empreitada?  

A história do filme é simples e direta: um meteoro se aproxima da Terra e os governos se veem obrigados a atuarem juntos na tentativa de destruir o corpo celeste. Apesar de conseguirem evitar o impacto, ao explodir, os componentes radioativos derivados dos mísseis caem no planeta e alteram toda a fauna e flora existente. Como? Insetos e animais, normalmente pequenos e inofensivos, se transformam em seres gigantes e grotescos, causando a quase extinção da raça humana.  

O futuro sombrio mostrado no longa pode até ter suas implicações cruéis, mas o charme dos personagens e a leveza do roteiro fazem Amor e Monstros ser uma ótima aventura de sessão da tarde. Joel (Dylan O’Brien) é um dos poucos sobreviventes dos ataques das criaturas e vive em um búnquer com outras pessoas. Esses refúgios subterrâneos são locais aparentemente seguros e guardam as lembranças e memórias do que sobrou da raça humana. 

No entanto, não demora muito para que esse local também seja atacado pelos monstros, evidenciando que essas pessoas precisariam em algum momento procurar outras formas para sobreviver. Mas quem teria a coragem necessária para procurar isso na superfície, local atualmente desconhecido e cheio de armadilhas em cada canto? Logicamente, a pessoa mais covarde e medrosa do grupo, Joel. 

O personagem tem um motivo bem claro, quando se oferece para entrar nessa busca: partir em uma jornada rumo ao búnquer onde vive Aimee (Jessica Henwick), sua namorada antes de toda a destruição. A partir desse momento, a verdadeira magia do longa se mostra presente. Ao acompanharmos os passos dados por Joel na superfície, entramos quase em uma versão pós-apocalíptica de um road movie (aquele gênero de filmes que mostra personagens partindo para uma viagem e que, ao terem algumas experiências, passam por transformações em sua personalidade, geralmente relacionadas ao autoconhecimento). 

Não demora muito para que Joel encontre o primeiro monstro de sua jornada e o aspecto apresentado pelo visual da criatura é verossímil e convincente, em uma mistura de efeitos digitais e práticos. A qualidade da equipe técnica por trás dos efeitos visuais do longa é tão grande que a Academia selecionou Amor e Monstros como um dos candidatos ao prêmio de Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2021.        

Cena do filme Amor e Monstros em que Joel (Dylan O'Brien) é perseguido numa floresta por um monstro gigante que parece uma minhoca.

Algum leitor lembra daquele meme que o menino está jogando um jogo de terror e fala: “Olha o bicho vindo!”? Então… Amor e Monstros se encaixa perfeitamente nessa descrição. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Em meio a criaturas colossais, o melhor amigo do homem também se faz presente. Joel encontra Garoto, um cachorro esperto e que aparentemente perdeu seu dono. O animal ajuda o personagem em sua jornada, não apenas salvando ele de situações perigosas, mas também o salvando de sua própria covardice. E Amor e Monstros é justamente isso: uma jornada de autodescoberta recheada de charme e superação. 

Com personagens tão carismáticos, a aproximação necessária para que o espectador comece a se importar com o destino deles é facilmente alcançada, e no final do longa, estamos torcendo para que todos consigam sobreviver. A introdução de figuras como Clyde (Michael Rooker) e Minnow (Ariana Greenblatt) apenas reforçam isso, apesar de serem esquecidos em meio ao desenvolvimento do roteiro. 

A narrativa se perde em alguns momentos, quando introduz elementos não tão necessários, tal como um vilão de última hora. O verdadeiro inimigo do filme apresentado ao longo da obra é de fato o ambiente hostil encontrado na superfície terrestre. Um vilão humano, sem muito contexto, apenas desvia o foco do que realmente importa. 

É perceptível a criação de bases narrativas para futuras continuações, e isso atrapalha a naturalidade que o filme espontaneamente já tem. Essa espontaneidade pode ser vista na cena em que Joel encontra o último representante da família de robôs Mav1s, deixando a adrenalina das sequências anteriores um pouco de lado e se aprofundando na jornada de autoconhecimento de Joel. 

Amor e Monstros é uma obra que representa fielmente a jornada de um personagem em um jogo de videogame, mesmo não sendo baseado em um: você inicia o jogo não sabendo de nada e a cada inimigo abatido, ganha mais conhecimento e experiência para se tornar o grande herói no final.   

O longa está em exibição no canal de streaming Netflix. Confira o trailer

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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