Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Copa do Mundo 2026 | Catar vai à América ainda em busca de identidade

País-sede do mundial de 2022, o Catar buscam contornar ciclo conturbado para surpreender na Copa

Por Fernando Lucchi (fernandolucchi@usp.br) catar

Disputando a Copa do Mundo pela segunda vez – a primeira classificação via eliminatórias -, o Catar chega para o mundial apresentando mais dúvidas do que certezas. Apesar de conquistas importantes, como a Copa da Ásia de 2023 (disputada em 2024), a Seleção Catari teve um ciclo que contou com diversas trocas de treinadores, testes tardios, e em geral, pouca renovação em relação ao time que foi anfitrião da Copa de 2022.

O ciclo: entre títulos e trocas de técnicos

O começo da preparação rumo à América do Norte não foi fácil. Após o fim da Copa de 2022, a Federação Catari de Futebol decidiu não renovar o contrato do treinador Félix Sánchez, que comandou a equipe ao que acabou sendo a pior campanha do torneio, sem pontuar e com apenas um gol marcado e sete sofridos. 

Seu substituto foi o português Carlos Queiroz, que teve como primeiro desafio a disputa da Copa Ouro da Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF). Na ocasião, os marrons, como é conhecida a seleção nacional, passaram da fase de grupos com uma surpreendente vitória sobre o México, mas foram eliminados para o Panamá, em um sonoro 4 a 0. 

Queiroz ainda comandou a seleção nos dois primeiros compromissos das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo e saiu vitorioso em ambos: venceu a Índia fora de casa e goleou o Afeganistão pelo placar de 8 a 1. Apesar das vitórias, o técnico deixou a seleção, e Tintín Márquez assumiu para 2024. 

Com o espanhol, o Catar foi bicampeão da Copa da Ásia com um impressionante aproveitamento de 100% em sete jogos, batendo a Jordânia na final por 3 a 1, e assegurou a vaga na terceira fase das eliminatórias da Confederação Asiática de Futebol (AFC) para a Copa do Mundo. No torneio classificatório ao Mundial, a Seleção Catari apresentou um desempenho irregular, e Tintín foi demitido com duas vitórias, um empate e três derrotas, incluindo uma derrota de 5 a 0 para os Emirados Árabes Unidos, resultado que ceifou Márquez do cargo.

O terceiro escolhido para comandar os cataris no ciclo foi Luis García, que também durou pouco à frente dos marrons. A eliminação na fase de grupos da Copa do Golfo, sem triunfos, e, posteriormente, uma derrota para o Quirguistão nas Eliminatórias sacramentaram a terceira troca no comando do ciclo do Catar. 

Em maio de 2025, Julen Lopetegui, renomado treinador espanhol com passagens por grandes equipes como Real Madrid, Porto e Sevilla, além da Seleção Espanhola, foi o último escolhido para garantir a vaga na Copa. A vitória por 1 a 0 contra o Irã assegurou o time na disputa da quarta fase das Eliminatórias asiáticas. Em um triangular com Omã e Emirados Árabes Unidos, o Catar empatou fora com os omanis, e venceu o EAU por 2×1, com gols dos zagueiros Khoukhi e Pedro Miguel, passando em primeiro e garantindo o passaporte para disputar a Copa do Mundo.

O último torneio disputado pelos cataris no ciclo foi a Copa Árabe, em dezembro de 2025. Lopetegui utilizou o campeonato para fazer testes e integrar jogadores jovens ao elenco visando a Copa do Mundo, mas a campanha foi novamente decepcionante: apenas um empate em 3 jogos. Em 2026, o Catar não disputou jogos na Data FIFA de março em decorrência dos conflitos no Oriente Médio, que causaram o fechamento do espaço aéreo do país, mas voltou aos gramados contra a Irlanda em maio. O cenário gerou ainda mais incertezas sobre quem seriam os escolhidos por Julen para compor sua equipe titular na Copa do Mundo.

A convocação final

A Associação de Futebol do Catar divulgou na última segunda-feira (1º) a lista com os 26 nomes que estarão presentes na Copa do Mundo, sem nenhuma grande novidade entre os selecionados e apenas um nome que atua fora da liga nacional. Os chamados foram:

Goleiros:

  • Mahmoud Abunad (Al-Rayyan, QAT)
  • Meshaal Barsham (Al-Sadd, QAT)
  • Salah Zakaria (Al-Duhail, QAT)

Defensores:

  • Ayoub Al-Oui (Al-Gharafa, QAT)
  • Boualem Khoukhi (Al-Sadd, QAT)
  • Homam Al-Amin Ahmed (Cultural Leonesa, ESP)
  • Lucas Mendes (Al-Wakrah, QAT)
  • Issa Laye (Al-Arabi, QAT)
  • Pedro Miguel (Al-Sadd, QAT)
  • Al-Hashmi Al-Hussain (Al-Arabi, QAT)
  • Sultan Al-Brake (Al-Duhail, QAT)

Meio-campistas:

  • Assim Madibo (Al-Wakrah, QAT)
  • Abdulaziz Hatim (Al-Rayyan, QAT)
  • Ahmed Fathi (Al-Arabi, QAT)
  • Karim Boudiaf (Al-Duhail, QAT)
  • Jassem Gaber (Al-Rayyan, QAT)
  • Mohamed Al-Mannai (Al-Shamal, QAT)

Atacantes:

  • Ahmed Al-Ganehi (Al-Gharafa, QAT)
  • Ahmed Alaaeldin (Al-Rayyan, QAT)
  • Akram Afif (Al-Sadd, QAT)
  • Almoez Ali (Al-Duhail, QAT)
  • Edmílson Junior (Al-Duhail, QAT)
  • Hasan Al-Haydos (Al-Sadd, QAT)
  • Mohammed Muntari (Al-Gharafa, QAT)
  • Tahsin Mohammed Jamshid (Al-Duhail, QAT)
  • Yusuf Abdurisag (Al-Wakrah, QAT)

Como joga o Catar?

Mantendo os principais nomes do ciclo de 2022, mas sem um trabalho consistente desde então, é difícil prever com exatidão como o Catar de Lopetegui deve se comportar no Mundial. Contra as seleções do Grupo B, mais qualificadas e com peças de maior qualidade, a abordagem tática do treinador, conhecido por gostar de reter a posse de bola e aplicar alta intensidade na recuperação defensiva, pode ser colocada em segundo plano em prol de um estilo mais conservador, que busque minimizar os riscos. Entretanto, dificilmente o espanhol deve abrir mão do 4-2-3-1, principal esquema utilizado ao longo de sua carreira.

Provável time titular do Catar para a estreia da Copa [Arte: Fernando Lucchi/buildlineup.com]

A escolha tática do treinador por esse esquema valoriza os principais nomes da Seleção Catari, Akram Afif e Almoez Ali. O primeiro pode atuar tanto como um ponta pela esquerda, que encontra espaços de forma vertical por meio de dribles em velocidade, quanto como um meia de criação, fazendo um jogo de conexões diretas com Ali, o homem-gol da equipe. 

Nessa variação, Lopetegui costuma permitir a subida de um dos laterais, especialmente o esquerdo, Homam Ahmed, de modo a promover maior apoio na construção ofensiva. Os meias possuem papéis bem definidos na equipe: Karim Boudiaf é o volante de contenção e Assim Madibo atua como segundo homem de meio-campo, fazendo um papel de ligação entre a defesa e o ataque da equipe asiática. Geralmente, os pontas Edmilson Junior e Ahmed Al-Ganehi são criadores secundários e complementam o ataque do time como válvulas de escape para Afif.

Apesar dos nomes individuais de destaque no setor ofensivo, é difícil imaginar uma seleção que consiga executar com excelência a proposta de jogo de Lopetegui durante a Copa do Mundo. A saída de bola do Catar é um ponto de atenção importante: ao longo do ciclo, os marrons apresentaram dificuldades em diversos momentos para construir o jogo a partir do campo defensivo contra adversários que pressionaram sua saída de bola, situação que deve se repetir no Mundial. A defesa da equipe conta com nomes experientes, entretanto, em declínio físico, o que também pode se tornar um risco contra seleções como o Canadá, que possui um estilo de jogo mais veloz e jogadores de ataque mais jovens. 

Fique de olho: os destaques

Akram Afif

Capitão, camisa 10 e ídolo nacional, Afif é a grande arma do Catar para tentar surpreender nessa Copa. Com a possibilidade de atuar tanto pela ponta-esquerda como por dentro, Akram é o cérebro da Seleção Catari. Polivalente e extremamente habilidoso, seus diferenciais são sua capacidade de drible, velocidade e visão de jogo, sendo o tipo de jogador que consegue desmontar defesas no jogo individual, ou achar um passe em profundidade para um companheiro. Em 2025/26, ele tem 16 gols e 17 assistências em 32 jogos pelo Al-Sadd, e é o líder de passes para gol da Stars League, a primeira divisão catari. Afif ainda possui no currículo dois prêmios de melhor jogador em atividade no continente asiático, recebidos em 2019 e 2023, e melhor jogador asiático do planeta em 2024.

Akram Afif tem 79 participações em gols em 128 jogos pelo Catar [Imagem: Reprodução/Instagram/@qfa]

Edmílson Junior

Nascido na Bélgica, filho de brasileiro e naturalizado catari, Edmilson é um ponta que pode atuar pelos dois lados, apesar da preferência pelo canto esquerdo do campo. Ele é o típico “ponta de arrasto”e tem como principais características a velocidade e o drible no um-contra-um. Na seleção do Catar, passou a ganhar espaço em 2024 após grandes atuações pelo Al Duhail, clube catari, e se consolidou como segundo principal criador ofensivo do time de Lopetegui.

Edmilson Jr. é filho do ex-atacante Edmilson, campeão brasileiro em 1987 pelo Sport [Imagem: Reprodução/Instagram/@qfa]

Almoez Ali

Outro atleta naturalizado, Almoez nasceu em Khartum, cidade do Sudão do Sul, mas ainda criança migrou para o Catar com a família. Estreou pela Seleção Catari em 2016, e, desde então, tornou-se um pilar da equipe, sendo hoje o maior artilheiro da história do país, com 60 gols em 125 jogos. Além disso, Ali foi o principal goleador das eliminatórias asiáticas, com 12 tentos em 14 partidas. O centroavante é um finalizador nato e esperança de gols da equipe dos marrons, mas sofreu com lesões ao longo do ciclo. Sem dúvidas, sua condição física é um fator decisivo para definir o quão longe o Catar pode ir na Copa do Mundo. 

Almoez Ali foi o responsável pela assistência do único gol catari na Copa do Mundo de 2022 [Imagem: Reprodução/Instagram/@almoeizz]

Catar na Copa do Mundo

O Catar está no Grupo B do torneio mundial, que conta com a presença do anfitrião Canadá, e dos europeus Suíça e Bósnia e Herzegovina. Sediada no Levi’s Stadium, em Santa Clara, EUA, a estreia dos marrons no torneio é contra os suíços, no dia 13 de junho, às 16h no horário de Brasília. 

É difícil acreditar que o Catar possua capacidade de apresentar na Copa do Mundo um futebol mais consistente do que o demonstrado ao longo do ciclo. A campanha já negativa na Copa de 2022, com um trabalho mais consistente e duradouro em comparação com o recente início de Lopetegui, gera pouca empolgação para uma seleção fragilizada, que conta com o pior elenco de seu grupo em termos técnicos. Se há algo que possa levar os cataris a uma possível classificação é a imprevisibilidade da equipe, além da competência de seu treinador no comando do elenco. 

*Imagem de capa: Reprodução/Instagram/@qfa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima