Home Lançamentos ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’: o reencontro consigo mesmo
‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’: o reencontro consigo mesmo

Após 20 anos de lançamento, o romance reafirma sua autenticidade narrativa e visual, trazendo a experiência de uma sensível fantasia ao espectador

CINÉFILOS
10 jun 2021 | Por Amanda Marangoni (amandamarangoni@usp.br)

O filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, 2001), dirigido por Jean-Pierre Jeunet, conta a história de Amélie Poulain (Audrey Tautou), uma jovem mulher que teve uma infância solitária e carente de afeto. Amélie passou pela fase inicial de sua vida sem nenhuma amizade e com pais distantes, apenas com a companhia de sua imaginação. Quando adulta, ela sai de casa e se muda para Paris, onde trabalha como garçonete numa cafeteria e segue uma rotina mundana, passando a maior parte do tempo sozinha em seu apartamento, como uma observadora.

O inesperado ocorre quando Amélie encontra, por acaso, uma caixa de memórias escondida no banheiro de seu apartamento. Ela foi deixada por um menino que morava ali há várias décadas. A protagonista, com toda sua curiosidade, toma como objetivo retornar o pertence a seu dono. Amélie consegue, com a ajuda de seu vizinho Raymond Dufayel (Serge Merlin), localizar o homem e entregar a lembrança. Ela toma a felicidade nostálgica que o homem sentiu ao reencontrar seu passado para si, e leva isso como motivação para realizar vários atos de gentileza, finalmente encontrando o que supostamente seria o sentido de sua vida.

 

Em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, o vizinho Raymond Dufayel (Serge Merlin) ajuda Amélie. Amélie aparece com um vestido verde, enquanto Raymond usa um gorro preto e um casaco marrom.

Amélie e Raymond analisam o álbum de fotos de Nino. [Imagem: Divulgação/Canal+]

Amélie passa a viver com base nas pequenas dificuldades dos que cruzam seu caminho. Ela ajuda uma colega de trabalho a encontrar o amor, cria esperanças para uma moradora de seu prédio, defende um trabalhador que sempre é envergonhado por seu chefe e traz novas experiências de vida para seu pai. Dessa forma a protagonista decide se deixar levar pelos sonhos, mesmo que não sejam os seus.

É assim que ela encontra Nino (Mathieu Kassovitz), um estranho inusitado que trabalha em uma sex shop e coleciona fotos descartadas no metrô. Nino e Amélie possuem uma semelhança marcante: ambos são solitários e observadores, como se estivessem presentes apenas no pano de fundo da vida. Então, novamente, com a ajuda de Raymond, ela se esforça para encontrar a pessoa que ela passa a acreditar ser sua alma gêmea, mesmo que tenha receio de admitir seus sentimentos por ele. Assim, Amélie decide proclamar o sentido de sua vida, sonhos e esperanças.

 

Audrey Tautou, que interpreta Amélie Poulain, observando algo através de um vidro.

Amélie observando Nino através de um vidro na cafeteria. [Imagem: Reprodução/Flickr]

O longa apresenta uma narrativa dinâmica, contando com a locução do narrador (André Dussollier), principalmente no primeiro ato, que explora a infância de Amélie e apresenta os personagens assim que eles surgem na trama, explorando suas particularidades.

A maneira como Amélie enxerga beleza na simplicidade é encantadora, fazendo com que seja fácil criar afeto pela personagem, ainda mais com a excêntrica atuação e interação com a câmera de Tautou. Acompanhar a protagonista pela versão irreal da cidade de Paris criada pelo diretor, com visuais inovadores, cores contrastantes e regida por uma bela trilha sonora, é capaz de transportar o espectador para uma fantasia detalhista, sonhadora e solitária. Mesmo após 20 anos, a fascinação que emerge ao seguir os passos da imaginação de Amélie  sobre as possibilidades do mundo ao seu redor continua viva.

Nota do Cinéfilo: 4,5 ótimo

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain está disponível na Apple TV+. Confira o trailer:

*Imagem da capa: [Divulgação/Canal+]

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*