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Qual o legado de ‘Space Jam: O Jogo do Século’?

Com o lançamento de sua sequência, o filme de 1996 voltou a ser lembrado pelo público

CINÉFILOS
23 jul 2021 | Por Júnior Vieira (jvsanjunior@usp.br)

A ideia de unir animações e atores em longas-metragens não é inédita. Obras como Você Já Foi à Bahia? (The Three Caballeros, 1942), Mary Poppins (1964) e Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, 1988) tornaram-se clássicos por trazerem produções ousadas às telonas. Em um período no qual as técnicas de efeitos visuais não eram tão facilmente desenvolvidas, esses filmes conseguiram juntar personagens queridos pelo público em tramas que divertem o espectador.

Seguindo o conceito, Space Jam: O Jogo do Século (Space Jam, 1996) marcou a infância de muitos e se mostrou presente na programação de canais como o SBT. Com os Looney Tunes e Michael Jordan, astro do basquetebol americano, o longa mostra a formação de ambos como um time que jogará contra forças extraterrestres que pretendem transformá-los em uma atração do parque de diversões do planeta Montanha Bobolândia.

Senhor Swackhammer, proprietário do parque, e um de seus capangas. [Imagem: Reprodução/Warner Bros.]

Senhor Swackhammer, proprietário do parque, e um de seus capangas. [Imagem: Reprodução/Warner Bros.]

Em meio ao ataque, os estrangeiros Monstars roubam e absorvem os poderes de cinco jogadores da NBA, liga de basquete estadunidense. Diante de uma possível derrota, Pernalonga e seus amigos sequestram Jordan e suplicam por sua ajuda na partida que definirá o destino das animações.

Por mais que Space Jam se trate de uma ficção, o roteiro se apoia em alguns fatos para sua construção. Assim como no filme, Michael também se aposentou por um certo período para se tornar jogador de beisebol. No entanto, devido a sua fraca performance nos jogos em que participou, rapidamente voltou para o basquete, esporte que o consagrou.

Além disso, ao trazer atletas verdadeiros interpretando a si mesmos, Space Jam: O Jogo do Século consegue construir uma narrativa que dinamiza a relação com o espectador. Ainda que suas atuações sejam vergonhosas, as coincidências apresentadas na produção agradam aqueles que estiverem acostumados com a modalidade esportiva abordada.

Contudo, a produção consegue atingir altos e baixos de maneira drástica. Se por um lado o enredo avança positivamente em seu primeiro ato, as próximas sequências trarão um aspecto cansativo para o longa. A adição de certas subtramas que não acrescentam novidades para a continuidade do filme torna-o arrastado, o que faz com que sua duração de 1 hora e 27 minutos seja um empecilho. 

Caso Joe Pytka, diretor da obra, retirasse algumas cenas dos atletas em busca de suas habilidades perdidas e investisse mais na relação dos Looney Tunes, o aproveitamento humorístico da produção seria muito melhor desenvolvido. Além disso, as cenas de publicidade são tão descaradas que você consegue prever de imediato quando haverá a propaganda de uma determinada marca. Um ótimo exemplo de quando a obra subestima seu público.

Outro ponto negativo encontrado é a formulação de piadas machistas e gordofóbicas. Mesmo que estejamos falando de um longa-metragem lançado em 1996, época em que as discussões acerca desses temas não eram tão frequentes na sociedade, existe a grande possibilidade de você se sentir desconfortável com as piadas voltadas para Stan Podolak (Wayne Knight), publicitário cujo único desenvolvimento existente gira em torno de seu peso e de sua insistência para auxiliar Jordan. Também a sexualização de Lola Bunny, única representação feminina existente no filme, se torna ainda mais problemática quando você se lembra de que ela é apenas uma coelha.

Em cena de Space Jam, Lola e Pernalonga. [Imagem: Reprodução/Warner Bros.]

Lola e Pernalonga, seu par romântico na trama. [Imagem: Reprodução/Warner Bros.]

 Mas, apesar de todas essas falhas, é inegável que a trilha-sonora construída é merecedora de toda sua atenção. Com participações de Jay-Z, Chris Rock e Salt-N-Pepa, o álbum foi responsável por trazer R. Kelly como intérprete da canção I Believe I Can Fly, vencedora de três Grammy Awards.

Em julho deste ano, foi lançado nos cinemas mundiais o filme Space Jam: Um Novo Legado (Space Jam: A New Legacy, 2021), continuação da obra de 1996. Ao renascer a herança deixada pelo longa original, nos resta a pergunta: qual é o legado de Space Jam? Afinal, se observarmos por um olhar mais crítico, é visível que ele está muito distante de atingir a perfeição. 

No entanto, por mais que os Looney Tunes sejam dignos de uma produção bem superior, O Jogo do Século cumpre adequadamente seu papel de ter um desenvolvimento morno e, mesmo assim, atingir a camada comercial da indústria cinematográfica, fator comprovado pela sua arrecadação de US$250,2 milhões de bilheteria. É leve, nostálgico e, caso você tenha tempo de aguentar a mesma expressão facial de Michael Jordan durante pouco mais de 1 hora, com certeza, irá se divertir. Isso é tudo, pessoal!

Space Jam: O Jogo do Século está disponível para todos os assinantes da plataforma de streaming HBO Max. Confira aqui o trailer:

*Imagem da capa: Reprodução/Warner Bros.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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