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Uma senhora, uma van amarela e um bairro inglês

por Paula Lepinski paulalepinski.usp@gmail.com O que você faria se uma senhora excêntrica que morasse numa van estacionasse o veículo na rua da sua casa? Foi isso que aconteceu nos anos 70 em Camden Town, bairro tipicamente burguês de Londres. Um dos poucos a oferecer ajuda a Sra. Sheperd, o dramaturgo Alan Bennet permitiu que ela estacionasse …

Uma senhora, uma van amarela e um bairro inglês Leia mais »

por Paula Lepinski
paulalepinski.usp@gmail.com

O que você faria se uma senhora excêntrica que morasse numa van estacionasse o veículo na rua da sua casa? Foi isso que aconteceu nos anos 70 em Camden Town, bairro tipicamente burguês de Londres. Um dos poucos a oferecer ajuda a Sra. Sheperd, o dramaturgo Alan Bennet permitiu que ela estacionasse a van na sua garagem até que achasse algum lugar pra ficar.

O plano era que ela ficasse por três semanas. Ficou por quinze anos.

Maggie Smith no papel de Mary Sheperd

Ainda que a história real de Mary Shepperd não fosse tão surpreendente e singular, o filme A Senhora da Van (The Lady in the Van, 2015) valeria a pena ser filmado pela crítica social nas entrelinhas. Os moradores de Camden Town, claramente desacostumados a conviver com pessoas mais humildes, mostram-se a todo momento incomodados com a presença da Sra. Shepperd e sua van, que de tempos em tempos ela estaciona em uma rua diferente. O principal motivo é a higiene dela e também os seus hábitos esquisitos. Mas não é só isso. As pessoas parecem não compreender como alguém aceita viver em tais condições precárias e só desejam que ela suma. Sempre pintando sua van de amarelo vivo e espantando as pessoas com seu jeito rude e cômico, a personagem interpretada por Maggie Smith é um mistério que ninguém quer desvendar. Ninguém a não ser Alan Bennet, que assina o livro homônino e a adaptação do mesmo para o cinema.

A relação entre a Sra. Sheperd e o Sr. Bennet é a força motriz do longa. A mulher idosa, cuja identidade todos desconhecem, intriga o dramaturgo, que observa as atitudes esquisitas dela e reflete sobre quem ela pode ter sido a partir das poucas informações que tem. Pista atrás de pista, ele remonta o passado surpreendente da Sra. Sheperd, tão singular quanto ela mesma.

senhoradavan

O diretor Nicholas Hytner ressalta não só o relacionamento das duas personagens, que parte de apenas tolerância para uma relação de agradecimento mútuo, mas também suas personalidades únicas. Neste ponto, a excelente atriz Maggie Smith entrega uma personagem de atitude, que mesmo antipática desperta o interesse do público. Já Alex Jennings constrói um Alan Bennett inseguro, cuja psiquê surge dividida em vários momentos do longa.

Mantendo sempre um clima leve, sem se aprofundar muito nas críticas sociais, A Senhora da Van mescla bem o humor e a seriedade ao trazer para público uma extraordinária história real.

Assista ao trailer:

 

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