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Dublagem: entre a técnica e a controvérsia
CINÉFILOS
27 maio 2013 | Por Jornalismo Júnior

Um filme entra em cartaz no cinema e tem cópias dubladas e legendadas. Você sabe o que separa uma de outra? Já parou para pensar como são feitas as dublagens de um filme?
Sérgio Moreno, que já dublou atores como Orlando Bloom (Legolas, da trilogia “O Senhor dos Anéis), explica que a produção de dublagem de um filme começa com o envio da mídia física pelo cliente. A tradução do filme fica por conta de uma indicação do estúdio, que é responsável pela captação das vozes e pela mixagem delas com os efeitos sonoros e as músicas do filme. O filme dublado está pronto quando esse novo aúdio é inserido no vídeo. “Todos os processos de transcrição, tradução, dublagem e mixagem levam pelo menos 15 dias para ficarem prontos”, diz.
A escolha de um ator para dublar certo personagem pode ser tanto do diretor de dublagem quanto do próprio cliente, ou até mesmo um trabalho em conjunto. Segundo Sergio, o estúdio tem a autonomia necessária para garantir a qualidade de áudio do filme dublado. Ele resume: “Tudo depende do cliente, pois cada um tem seu perfil e padrão”.
Sergio ainda ressalta que a dublagem é um exercício que cabe ao ator. Este deve, portanto, ser registrado perante o Ministério do Trabalho. Ele ainda destaca que um curso de dublagem ajuda o profissional que deseja trabalhar nesse ramo, pois “existem técnicas específicas”. Justamente por isso, Sergio acredita que os filmes dublados por pessoas famosas que não são atores acarretam numa significativa perda de qualidade do filme.

A crítica

Escalar um personagem é uma discussão que vai além dos estúdios de dublagem. Para Heitor Valadão, jornalista e redator do site Cinema em Cena, “decidir a pessoa que fará a dublagem tem sido uma questão mercadológica”, visando à maior arrecadação por parte das produtoras. Apresentadores de televisão, comediantes ou simplesmente famosos são escolhidos para, muitas vezes em poucos dias, substituir o trabalho que levou meses de preparação na versão original.
Esse problema persiste mesmo na dublagem de desenhos animados, pois também é feita uma preparação dos atores para dar voz aos personagens, o que pode não acontecer na dublagem. ”Dizer que o que está na tela não é um personagem de carne e osso e pode-se escolher para ela qualquer voz é um desrespeito a todos os envolvidos na produção”, ressalta.
Filmes dublados são vistos com ressalvas pelos críticos de cinema. Heitor acredita que o trabalho do crítico é prejudicado com a troca do som original pela dublagem. “Substituir o áudio original acarreta na total e completa mudança na atuação dos diretores e na direção”, explica.
Para o crítico, a dublagem é aceitável para o público infantil, que ainda não aprendeu a ler. Ele esclarece: “Os pais devem começar a educar a criança a ver filmes legendados assim que for possível”.

Luciano Huck dublou a personagem Flynn, no filme Enrolados (2011)

Cultura de dublagem

O Brasil está inserido numa cultura da dublagem, e prova disso é a enorme quantidade de filmes dublados nos cinemas. Para Heitor, o mercado nada mais é que o reflexo do desejo do público consumidor.
O jornalista ainda ressalta que há um grande equívoco quando se diz que um filme dublado é inclusivo. Geralmente, os cinemas possuem ingressos caros, e o público em sua maioria não é o de baixa renda. “Eles, na verdade, adquirem muitos filmes piratas, que em sua grande maioria são feitos de cópias estrangeiras e são apenas legendados”, diz.
A solução para o problema da inclusão nada tem a ver com a entrada de filmes dublados, e sim a diminuição dos impostos sobre o cinema e o home vídeo. “Consequentemente, isso os tornaria mais baratos e acessíveis”.

Por Camila Berto Tescarollo
berto.camila@gmail.com

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