Home SCI-FI Poeira Lunar: uma história não recomendada aos claustrofóbicos
Poeira Lunar: uma história não recomendada aos claustrofóbicos
SCI-FI
12 set 2018 | Por Jornalismo Júnior
Por Larissa Silva (larissa.calorina_@hotmail.com)

Foto: Letícia Vieira / Audiovisual – Jornalismo Júnior

Era para ser mais um passeio sobre a Lua. Levar turistas da Terra para conhecer os encantos de um ambiente, que antes era apenas um ponto brilhante no céu, é um trabalho bem conhecido pelo capitão Pat Harris, principalmente a bordo do cruzeiro turístico Selene. No entanto, quem poderia imaginar que o Mar de Seda (feito de uma espécie de poeira encontrada apenas na Lua), antes tão calmo, se agitaria e engoliria a embarcação com todos os 22 tripulantes?      

“Todas as vezes que pensávamos estar assumindo as rédeas da situação, o Mar nos preparava uma nova surpresa”. Essa é a maior sensação que o escritor Arthur C. Clarke, famoso pela obra 2001: Uma Odisseia no Espaço, consegue transmitir em cada capítulo de seu nono romance. Em cada parte, Clarke descreve o maior resgate da história lunar através de diferentes pontos de vista: começando pelo capitão Harris, que, mesmo não sabendo se alguém um dia os encontrará, precisa manter a ordem dentro do cruzeiro;  depois os engenheiros que lutam contra o tempo e contra seus próprios temores para encontrar e, se possível, resgatar todos os passageiros com vida; e, por fim, pelos olhos e anseios do jornalista Maurice Spenser, que deseja transmitir tudo para a Terra e para isso é capaz de qualquer façanha — como “alugar” uma nave para ir em busca de sua reportagem.  

Poeira Lunar foi escrito em 1960, quase uma década antes do homem pisar na Lua. Assim,  é possível sentir as dúvidas do que se poderia encontrar no solo lunar. Talvez um mar feito de poeira? Para muitos, sim. No entanto, mesmo que na Lua esse evento não seja possível — pelo menos não há nada que comprove isso — , o escritor Clarke conseguiu enxergar além e escrever uma história que facilmente poderia ocorrer atualmente em algum lugar do universo.

O livro, publicado em 2018 pela editora Aleph, é um combo de aventura e ciência. Entender o que cada personagem passa e acima de tudo compreender de forma simples os procedimentos científicos que são abordados em todo o livro é se sentir parte da narrativa que se desenvolve sob a dúvida: o que mais pode dar errado?

Ficar preso dentro de uma embarcação que a qualquer momento pode ter as paredes rompidas por uma substância ainda misteriosa, junto com um grupo de pessoas desconhecidas, com comida e água suficientes para apenas alguns dias e sem saber ao certo se alguém vai descobrir onde você está, é uma história que prende a atenção do início até o fim, sempre mesclando a parte mais técnica da ciência com questões da natureza humana: o instinto de sobrevivência, a convivência com as diferenças, o medo da morte e o amor.     

Arthur C. Clarke morreu em 2008, mas deixou uma extensa lista de obras que o colocam como um dos maiores escritores de ficção científica do século 20. Se em previsões para o futuro Clarke era um especialista, certamente um dia uma embarcação turística irá admirar a beleza da Terra assim como admiramos a beleza longínqua da Lua.

Laboratório
O Laboratório é o portal de jornalismo científico da Jornalismo Júnior. Apaixonados por curiosidades, nosso objetivo é levar a informação científica o mais próximo possível do público leigo. Falamos sobre saúde, meio ambiente, tecnologia, ficção científica, história da ciência, escrevemos crônicas, resenhamos livros, cobrimos eventos e muito mais!
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*