Home Sociedade Trança Afro: não é só um estilo de penteado
Trança Afro: não é só um estilo de penteado

O que há por trás do fenômeno de popularização das tranças e a importância do cabelo na história da população preta

JPRESS
01 set 2020 | Por Aldrey Olegario (aldreyolegario@usp.br)

“(…) Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento, cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento, grito bem alto, sim?
 Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim?
Qual foi o otário equivocado que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado?
 Ruim pra quê? ruim pra quem?
Infeliz do povo que não sabe de onde vem (…)”
– Milionário do Sonho – Emicida part. Elisa Lucinda

Há quem veja o cabelo como a moldura do rosto, uma forma de se expressar e  há até aqueles que não vêem nada de especial nos fios. Mas para muitas pessoas, principalmente para a população negra, o cabelo provavelmente já foi um questionamento interno e externo. O que vemos atualmente na internet, principalmente pelas redes sociais, é uma grande quantidade de  pessoas assumindo o formato natural dos fios e ousando cada vez mais nos penteados. Nesse sentido, as tranças ganham um destaque especial, pois nos últimos anos sua procura tem crescido cada vez mais. A cantora Iza, por exemplo, teve como uma de suas marcas as longas tranças usadas no clipe de sua música Pesadão com  a participação de Marcelo Falcão. Nessa reportagem, trataremos desse processo de popularização das tranças no Brasil contando sua história desde a inserção no país até a forma como a vemos nos dias de hoje, abordando nessa trajetória aspectos da vivência negra que se conectam diretamente com o cabelo.

 

Raízes

Quando falamos de nossas raízes geralmente as associamos ao local onde nascemos – com as tranças não será diferente. Para tratarmos da inserção das tranças no Brasil também precisaremos olhar para a raiz dessa história: a África.

Ao analisarmos a história desse continente a partir dos cabelos, vemos que os penteados podem transmitir diversos significados como o estado civil, religião e identidade étnica. Em seu artigo Trança Afro – A cultura do cabelo subalterno, Aline Ferraz Clemente explica que alguns penteados com tranças são usados de forma específica para representar eventos sociais: o koju soko (tranças na nuca e no alto da testa)  para casamento e o kolese (duas tranças nas laterais da cabeça) para os momentos fúnebres, por exemplo. 

No Brasil, a cultura africana chega na primeira metade do século 16 com a escravização das pessoas negras trazidas do continente africano para a produção de açúcar. Através do discurso racista que fundamentava a escravidão no país, os costumes, religião, culinária e tudo aquilo que se relacionava ao povo negro passou a ser discriminado. 

Tratar desse período no Brasil também é falar sobre as formas de resistência negra, como as revoltas, fugas e sincretismo religioso, e das contribuições culturais que podem ser percebidas na dança, música e também nos trançados dos cabelos.

 

Cabelo é assunto de quem?

Os preconceitos em geral deixam suas marcas nos mais diferentes recortes sociais, inclusive quando relacionados ao cabelo. Acerca disso, cabe pontuar a importância das amplas discussões acerca das atribuições de gênero, pois fizeram com que  algumas das concepções machistas que se embasam em frases como “Isso é coisa de mulher” fossem cada vez menos aceitas na sociedade. Nesse debate, a beleza, a estética, o se sentir belo e o cuidado com o cabelo se incluem, porque por muito tempo o autocuidado foi – hoje, algumas vezes, ainda é – atribuído à figura feminina. Entretanto, mesmo com essas visões problemáticas, as experiências não deixam de ser vividas em sua pluralidade e assumem particularidades que também precisam ser mostradas.

Quando perguntado sobre sua relação com o cabelo, Octavio Augusto, Nova Lima-MG, disse que  durante a infância só usava o cabelo raspado e que as pessoas pretas, em geral, não usavam o cabelo no estilo black, então não haviam muitas referências para se inspirar. Dessa forma, raspar e deixar o cabelo baixo, além de ser algo padronizado para o uso do cabelo natural, eram as únicas opções.

“Quem tinha cabelo black era dito como sujo.” 

Falas como essa exemplificam bem, infelizmente, a maneira como o cabelo afro ainda é visto algumas vezes, como um cabelo que não se cuida.

“Eu cansei de ouvir de padrasto meu que ele queria ter o cabelo ‘ruim’ igual ao meu, porque era só raspar que era mais fácil.”

Ainda sobre sua relação com o cabelo natural, Octavio também conta que usou tranças. Ele começou a colocá-las quando sua mãe, que trançava o cabelo para recuperar dos danos causados pela química, certa vez o ofereceu essa possibilidade e desde então continuou fazendo por um bom tempo. Nesse momento, ele relata que também fazia porque estava na moda e  não compreendia, como hoje, todo o contexto cultural que estava relacionado.

A respeito desse público, a trancista Silene Moraes, Piracicaba-SP, relata que a maior parte desses clientes busca as tranças porque estão deixando o cabelo natural crescer e também para mudar o estilo do cabelo.

Trança Afro

Cabelo trançado. [Imagem: Arquivo pessoal/Silene Moraes]

Em busca do cabelo liso

“Eu sofria bullying por ter o cabelo alisado, porque apesar de tudo eu não tinha o cabelo liso como o das outras meninas.”

É assim que Mayara, Santo André-SP, nos descreve sua experiência com o cabelo durante a infância na escola. Ela nos conta que, com quatro anos, sua avó já trançava seu cabelo, mas que alisou os fios para não se sentir tão diferente das outras meninas da escola, as quais tinham o cabelo liso.  No começo sentia-se bem, mas logo depois as consequências da química vieram e como um caminho para contornar a situação, por volta de seus 15 anos, retornou a usar tranças. 

“Depois do alisamento, comecei a fazer tranças pois meu cabelo estava muito fraco, quebradiço e porque tive que cortar bem curtinho.”

A história de queda dos cabelos com a química contada por Mayara é bem mais frequente do que se imagina. Quando questionada acerca dos motivos que levam seus clientes a usar tranças, Silene conta que a maioria chega até ela para iniciar a transição capilar, processo em que a pessoa começa a deixar seu cabelo natural crescer ao passo que elimina aos poucos, com  corte, a química do cabelo. Acerca disso, Octavio também compartilha sua experiência com os alisantes:

“Quando decidi alisar meu cabelo eu estava no auge de não me aceitar.” 

Ele relata que, no período da escola, todos os meninos tinham cabelo liso e que não conseguia modelar no próprio cabelo os penteados que eram considerados bonitos, como moicano e franjas. Isso, somado às ofensas,  o influenciaram a alisar o cabelo.

“Eu queria de todas as formas ter cabelo liso.”

Como no momento não via beleza no cabelo natural, para Octavio usar o cabelo liso foi uma mudança positiva no começo, pois estava se sentindo bem consigo mesmo, mas apesar disso as críticas ainda aconteciam.

“Tem o cabelo ‘ruim’ e quer alisar? Tá achando que melhora? Eram comentários bem racistas e preconceituosos.”

Eram coisas assim que ele ouvia quando tinha o cabelo alisado. Além dos gastos com os alisantes, o cheiro da progressiva e os machucados deixados por ela em seu couro cabeludo são lembranças  que marcaram a experiência de Octavio  com a química. 

Ela é de São Paulo, ele de Minas gerais. Ela é ela, ele é ele. Eles, de modo particular, têm vivências muito diferentes e nesse caso muito parecidas, vivenciaram situações que se desdobraram do racismo, porque na verdade isso nunca foi só uma questão de texturas de cabelo. Outro aspecto que chama a atenção é a semelhança na descrição do motivo: não querer ser discriminado, não querer se sentir ‘fora da caixinha’. Mas e quando o cabelo quebra? o que acontece quando uma das poucas coisas que te aproxima ao que é ‘bonito’, começa a cair ou até mesmo te ferir? Os reflexos dessa pressão são determinantes e têm o poder de afetar a individualidade e a maneira como cada um se enxerga.

 

A popularização das tranças na atualidade

O papel das redes sociais na difusão do movimento de busca pelas várias formas que o cabelo natural consegue assumir pode ser percebido em diversas plataformas. Canais no YouTube, tutoriais nas  redes sociais, posts em blogs são hoje algumas das formas de encontrar as diversas maneiras de usar o cabelo afro.

Nathalia Evellyn, São Gonçalo-RJ, é formada em design de moda e produz conteúdos para internet. Com um público jovem, em seu canal no YouTube ela fala sobre moda, dá dicas de beleza e de cuidados com o cabelo.

Mulher negra

Nathalia Evellyn [Imagem: Arquivo pessoal]

Acerca dessa relação do cabelo com o mundo digital, Nathalia diz acreditar que o aparecimento dos conteúdos específicos para os tipos de cabelos das pessoas pretas na internet favoreceu muito a popularização das tranças e também do uso do cabelo natural, pois mostraram um outro olhar, uma vez que os traços pretos sempre foram motivos de zombaria.

Nesse sentido, a blogueira nos explica mais sobre o papel desempenhado pelos criadores de conteúdo voltado para esse público. Para ela, além de ensinar como cuidar e modelar os fios, a atuação dos influenciadores desse nicho contribui para a desconstrução de visões preconceituosas sobre o cabelo afro, porque mostram novas formas de encarar o espelho, através da redescoberta da própria beleza.

“Foi através de outros criadores de conteúdo que decidi parar de alisar meu cabelo, sair daquela ‘ditadura do cabelo liso perfeito’. Foram 17 anos de alisamento.”

  Ainda sobre a contribuição das mídias, a forma de falar sobre os assuntos relacionados ao cabelo também é exposto como algo importante. Ela nos diz que muitas vezes as pessoas acabam entrando no processo de transição capilar e se frustram por esperarem que seu cabelo assuma o formato igual ao de uma determinada celebridade.

“É  sempre bom lembrar que todos os tipos de cabelo crespo são lindos.”

Assim, explorar as diferentes curvaturas dos fios e a beleza possível em cada uma delas passa a ser uma característica essencial no trabalho de um influenciador. Sobre os reflexos dessa desconstrução de preconceitos, Nathalia diz que percebe o impacto  de seu trabalho com o retorno de seus seguidores, ao pedirem dicas e se reconhecerem no trabalho que faz.

“Hoje em dia recebo várias mensagens de pessoas dizendo que se inspiram em mim, que através de mim assumiram o cabelo natural.”

Essa recente nova relação com o cabelo afro também foi percebida por Silene através da procura das tranças. Ela nos relata que há três anos percebeu a mudança, pois começou a ser mais procurada e seu trabalho mais reconhecido. A valorização das diferentes técnicas de trança é mais que devida, haja vista que o trabalho é todo manual, detalhista, além de levar um tempo considerável para ser concluído. Acerca da duração, Silene diz que algumas tranças que faz levam de seis a sete horas para serem finalizadas. Assim como nos disse Nathalia, para ela a internet também teve total influência na popularização das tranças, principalmente porque percebeu que seu trabalho passou a ser compartilhado e acompanhado por Instagram e Facebook.

Trança afro

Cabelo trançado. [Imagem: Arquivo pessoal/Silene Moraes]

Através desse fenômeno, tornou-se possível a descoberta de uma variedade e liberdade muitas vezes jamais experimentada antes por nós, pretos. 

“Posso ser várias pessoas em uma só.”

É o que declara Mayara a respeito dos benefícios que vê ao usar tranças, pois pode mudar as cores, espessura e tamanho delas quando quiser. 

Trança afro

Cabelo trançado. [Imagem: Arquivo pessoal /Silene Moraes]

Por outro lado, é necessário perceber que nem tudo são flores nessa questão do uso do cabelo natural. Octavio nos relata que no período em que estava usando o cabelo no estilo black gastava muito com produtos específicos. Sobre esse outro aspecto, Mayara conta que em um certo momento acabou parando de alisar e deixou o cabelo ficar mais próximo do natural, porém as pessoas gozavam dela e, por conta disso, voltou a alisar os fios outra vez.

“Comecei a deixar ele um pouquinho crespo e as pessoas zoavam comigo. Aí eu voltei a alisar novamente por conta dessa zoação, desse bullying.”

É importante ressaltar que, embora atualmente tenha se popularizado o processo de assumir os cabelos naturais, nem todos os preconceitos relacionados ao tema foram cessados. Mayara completa:

“Eu me sentia muito mal naquela época [quando na infância  era criticada por seu cabelo] e talvez isso reflete até um pouquinho hoje, por eu não ter 100% de confiança de sair com meu cabelo [natural] na rua sem ter alguém olhando torto pra mim.”

Assim, devemos entender que as diferentes maneiras de usar o cabelo não devem ser encaradas como uma pressão, seja fora do formato natural ou dentro dele, mas como uma escolha sobretudo individual que cada pessoa faz e que precisa ser respeitada.

 

Cabelo também é uma questão de representatividade 

A animação Hair Love do diretor Matthew Cherry, produzida pela Sony Pictures Animation venceu o Oscar 2020 como Melhor Curta-metragem de Animação. O curta tem o cabelo afro como um de seus aspectos centrais, ao tratar da história de uma família negra em que uma garotinha tem a ajuda de seu pai para cuidar dos cabelos. “Grandes animações não abordam dinâmicas de famílias negras, não existe esta representatividade. Espero que possamos mudar isso.”, declara Matthew em seu discurso na cerimônia.

 


A falta de representatividade  negra não é um aspecto percebido apenas por Cherry. Mayara diz que não está totalmente satisfeita, mas se sente um pouco representada atualmente, principalmente quando a questão é produtos para seu tipo de cabelo, pois quando criança ter o cabelo liso era uma das únicas alternativas para se sentir bonita. Ela ainda acrescenta:
 

Hoje acho que a mulher negra está chegando a lugares que os antepassados nunca imaginaram que iriam chegar.” 

Octavio compartilha de um sentimento parecido com o de Mayara, diz que se sente muito orgulhoso quando vê pretos sendo destaque, mas que a ideia de representatividade ainda é muito complicada.

“Tiveram que criar uma lei. Eu acho ridículo ter que criar uma lei para colocar pessoas negras em filmes, novelas e em programas de televisão.”

A Lei a que Octavio se refere é a 4370/98 proposta pelo deputado Paulo Paim (PT-RS), aprovada em 2002 pela Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. Ela determina, conforme a Agência Câmara de Notícias, cotas para representação da etnia negra nos filmes, anúncios publicitários, peças e programas veiculados pelas emissoras de televisão ou apresentados em cinemas, como a presença de afrodescendentes em pelo menos 25% no elenco de um programa de televisão. Apesar de medidas como essa e de amplos debates, é perceptível ao olhar para as mídias em geral e em relatos como o de Octavio e Mayara que esse é um assunto o qual está longe de ser resolvido. Ainda sobre isso, Octavio  pontua uma crítica à visão generalizada sobre a representação de pessoas negras na mídia:

“Acabam criando essa vertente de que preto só consegue fazer uma coisa [música],  só que não, preto consegue fazer qualquer coisa.” 

Perguntei à influenciadora Nathalia  quanto à representatividade negra na internet e da relação desse assunto com os produtos para cabelo. Ela nos relata que, embora nas plataformas digitais o crescimento dessa representatividade seja mais notável, as marcas não protagonizam da mesma forma cabelos crespos e cacheados.

“Não haveria nada melhor do que ver cada vez mais pessoas negras do cabelo crespo ou crespíssimo sendo embaixadoras de alguma marca grande.”

 

 Mas e aí, branco pode usar? 

Conjuntamente à popularização das tranças, novas discussões vieram à tona. Dessa maneira,  falar sobre apropriação cultural  e das maneiras que a cultura pode ser ressignificada torna-se necessário. Propõe-se aqui não um espaço para debater quem deve ou não usar tranças – até porque não se trata disso – mas um momento para refletir essa questão, de modo mais subjetivo por meio de alguns questionamentos. 

Um dos pontos citados em entrevista pelo Opá Negra, coletivo negro da USP, foi a questão da mercantilização da estética negra. O coletivo explica que no caso das tranças, por exemplo, as pessoas negras enfrentam diversos estigmas para usá-las, ao passo que as pessoas brancas transitam com facilidade nessa mercantilização. 

“Para as pessoas negras é uma coisa que nunca foi uma alternância de estilo ou algo que nos elevasse aos olhos da sociedade.”

Trata-se de sintetizar todo o contexto cultural envolvido em um penteado que está em alta, que está na moda. E achando que se trata de estar na moda por conta da persuasão e da reificação proposta pela mídia, algumas pessoas brancas colocam e tiram as tranças sem maiores preocupações, e são admiradas inclusive, algo que como o Opá nos conta não é comum de acontecer com a população preta. E quando a moda passa? Ela simplesmente passa e como todas as outras coisas que já foram moda, ficam para trás. E como ficam a cultura e os outros sujeitos dessa história – aqueles que nem sequer conseguem transitar livremente com os próprios cabelos?

 

Sobre a autoestima negra

Nesse processo de mudanças capilares a autoestima é um dos aspectos que mais mudam. Quando teve que cortar o cabelo, porque estava quebrando por conta da química, Mayara conta que sua autoestima foi muito afetada, pois o cabelo na época era uma questão muito séria para ela e que hoje, com as tranças, se sente melhor consigo mesma.

“ Hoje em dia eu me sinto bem mais bonita do que quando  tinha o cabelo alisado, porque aquilo eu não fazia para mim, fazia para os outros.” 

Octavio também diz perceber um impacto em sua autoestima com as mudanças no cabelo. Ele descreve o processo de deixar o cabelo black como uma forma de assumir as próprias raízes e ultrapassar preconceitos daqueles que diziam para ele não deixar o cabelo crescer.

“Eu me sinto bem melhor com o cabelo natural do que com a química.”

O apoio dos amigos foi um fator determinante para Octavio durante a sua mudança para o cabelo black. 

“Por causa de uma voz que me falou ‘cara, você vai ficar lindo com o cabelo black’, eu parei para pensar o que é ser eu, comecei a tirar a química do meu cabelo e deixar o black crescer. E eu me senti muito melhor. É felicidade basicamente.”

 O Opá Negra explica que a depreciação estética da população negra no Brasil é efeito direto do racismo e que a construção do padrão de belo fora sendo fundamentado em um ideal de beleza branco, europeu e inatingível para pessoas pretas. Dessa forma, os traços negros, em confronto com esse padrão inviável, se encontram em um lugar não valorizado, daí então passam a ser retratados negativamente – cabelo ‘ruim’, por exemplo. O coletivo explicita também que os reflexos dessa realidade são dados na subjetividade da população negra e que se auto-odiar é um movimento impulsionado pelo racismo. Assim:

 O ato de usar tranças e assumir as raízes do nosso cabelo é algo que pode se dizer libertador para a subjetividades das pessoas negras.”

Trança afro

Cabelo trançado. [Imagem: Arquivo pessoal/Silene Moraes]

A partir disso, é possível entender, nos relatos de Mayara e Octavio, o que de tão extraordinário os fios de cabelo podem provocar na relação de cada um consigo mesmo. O coletivo completa:

“Olhar no espelho  e gostar do que se vê  é negar se encaixar em um padrão, é um ato extremamente político.”

Trança afro

Cabelo trançado. [Imagem: Arquivo pessoal/Silene Moraes]

Trata-se, como falado pelo Opá, da reafirmação da cultura,  raízes e da ancestralidade das pessoas pretas. Logo, tal como conclui o coletivo, aceitar o cabelo natural é  também uma forma de empoderar e fortalecer aqueles que vivenciam o racismo.

J.Press
A J.Press é uma agência de grandes reportagens que procura novas perspectivas de mundo. Com forma e conteúdo plurais, quer explorar assuntos a fundo, mesmo sabendo não ser possível esgotá-los. Em nossa agência, questões de interesse público ganham novos ares. Todos os textos da J.Press começam com uma pergunta, mas não pretendem chegar a uma única resposta.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*