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Biohackers: criadores do amanhã

A série ganha a segunda temporada e discute as consequências da biologia sintética

SCI-FI
06 ago 2021 | Por Lorraine Moreira (lorrainemoreira@usp.br)

“– Com biologia sintética, deixamos de ser criaturas e passamos a ser criadores. Não é apenas o futuro da medicina, mas o futuro da humanidade. Podemos prevenir doenças. Fornecer oportunidades sem barreiras como classes sociais ou fronteiras. Eliminar distúrbios genéticos. Ou toda a humanidade, se não fizermos nosso trabalho direito. É nossa responsabilidade criar o mundo do futuro. Responsabilidade de vocês. Vocês são os criadores do futuro.

– E Deus?

– Honestamente? Vai ficar obsoleto.”

O diálogo pertence à série Biohackers, da Netflix, que recentemente ganhou a segunda temporada. Ela aborda o tema da biologia sintética através da história de Mia,  estudante de medicina esforçada, que, na verdade, quer desmascarar a professora Tanja Lorenz. Já na primeira temporada, sabe-se que a renomada cientista ilegalmente alterou os genes de Mia e os de seu irmão, causando a morte dele e de dezenas de outras crianças em um experimento de terapia gênica. 

Em resumo, na primeira temporada, Mia cria um vínculo amoroso com um estagiário e aliado de Lorenz: Jasper, cuja rara doença é desejo de estudo da professora. Ao se destacar entre os alunos, a protagonista consegue se aproximar da professora e avança na investigação. O problema é que Jasper descobre o plano e a proximidade da namorada com Niklas, seu melhor amigo, o que não o deixa  contente e o motiva a  contar tudo à professora. Com a ajuda de seus amigos( Lotta, Chen-Lu, Ole e Niklas), Mia consegue as provas necessárias, mas quando vai entregá-las para um jornalista e concluir seu plano, é sequestrada – e o mais improvável: juntamente com a cientista que ela pretendia denunciar.

 Na segunda temporada, imagens do sequestro de Mia e Lorenz aparecem e observamos o estado atual das personagens. Sem poder lecionar e fazer seus experimentos por conta do processo penal que enfrenta, Lorenz volta para a casa de sua mãe. Enquanto isso, Mia encontra-se totalmente perdida: esqueceu o que aconteceu desde o sequestro e, em diferentes momentos, tem lapsos de memória. 

Se na primeira temporada Mia se encoraja pela necessidade de desmascarar aqueles que fizeram mal a sua família, agora pretende entender o que fizeram com ela. Depois de se lembrar que a ex-professora também foi sequestrada, Mia pede sua ajuda. Lorenz,  sem expectativas de ficar livre da cadeia – já que o grande financiador dos seus projetos científicos ilegais não conseguiu um bom acordo na justiça para ela – aceita ajudar. Isso porque sabe que o mandante do sequestro é a mesma pessoa que financiou seus projetos. Portanto, tendo provas incriminatórias, Lorenz conseguiria ficar livre das grades e dar aulas novamente. 

A obra traz grandes dilemas éticos envolvidos na biologia sintética, sem o objetivo de responder quais decisões são certas ou erradas, mas com finalidade de fazer o  espectador pensar a respeito do tema. Por isso, as contradições são apresentadas intencionalmente de modo que, se um espectador que, nos primeiros episódios, nunca admitiria uma modificação genética que coloque em risco uma vida, ao longo da série pode  pensar em abrir exceções.

A série Biohackers mantém os diálogos profundos sobre ética em torno do que é melhor para a humanidade. Mas, dessa vez, aparecem nas próprias falas dos personagens. Niklas e Lotta, por exemplo, debatem sobre a questão em uma conversa, e ele pergunta: “Seria correto matar uma pessoa para proteger 100?”. Nesse momento, Lotta  diz que não, porque a pessoa que morreu poderia ter descoberto a cura do câncer, por exemplo, e ajudado outras milhares de pessoas. 

Por fim, o fator que mais diferencia a segunda temporada da primeira é a presença de uma desmistificação da vilanização maquiavélica. Os personagens de Biohackers não são unicamente bons ou ruins. Lotta, por exemplo, ajuda Mia na primeira temporada, investe ilegalmente em um estudo sobre a doença de Jasper e quer proteger sua família. Já na segunda temporada,  ao descobrir que seu pai é o investidor criminoso por trás dos experimentos de Lorenz, decide que o melhor a se fazer é ajudá-lo na tentativa de assassinar sua amiga. 

*Imagem de capa: Divulgação/BiohackersNetflix.

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