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Paciente 63: seria a viagem no tempo uma loucura?

Protagonizada por Seu Jorge e Mel Lisboa, a ficção científica é cheia de reviravoltas e busca saber se Pedro é louco ou um viajante do tempo.

SCI-FI
10 set 2021 | Por Lorraine Moreira (lorrainemoreira@usp.br)

“Paciente 63” é uma áudio série pertencente à plataforma de streaming Spotify. Baseada na áudio série “Caso 63”, de Julio Rojas, a produção propõe tecer sérias críticas às práticas psiquiátricas e à cultura do comodismo, enquanto agrada o ouvinte com uma história no mínimo curiosa.

Já no começo, entende-se que se trata de uma consulta psiquiátrica: de um lado, a médica Elisa Amaral (interpretada por Mel Lisboa), do outro, o paciente número 63, Pedro Roiter (interpretado por Seu Jorge). Quando a médica pede que ele conte sua história, percebe-se um fato intrigante: Pedro veio do futuro; mais especificamente, do ano 2062. É nesse momento que a série traz o questionamento central que se desenrolará ao longo dos episódios: Pedro é louco ou realmente é um viajante do tempo?

Mas por que ele viria de 2062? Segundo o personagem, a Terra está vivendo a “pandemia do Pégaso”, uma cepa evoluída de um vírus , e a sua missão é salvar o planeta. Para cumprir o objetivo, Pedro precisa injetar o seu sangue (que já possui anticorpos) em Maria Cristina Borges que, segundo ele, será a primeira pessoa infectada pelo vírus. Mas, para tudo ocorrer bem, ele necessita da ajuda da médica Elisa, que se recusava a acreditar em Pedro, mas fica cada vez mais intrigada chegou a levar um especialista em detector de mentiras e um físico para contestar o suposto viajante.

Na continuação, Pedro comenta que o fim do mundo não viria pelo vírus em si, mas sim por um “desgaste” progressivo da espécie humana, por se acostumar com as más situações. As primeiras pandemias teriam ensinado as populações a se proteger e ficar em confinamento, mas quando o Pégaso aparece, as pessoas teriam se acomodado e pensado: “É só mais um vírus”. Passaram-se 30 anos entre a vacinação e evolução do Pégaso, sem que o mundo voltasse ao normal. Muitos ignoram a realidade e, por isso, morreram.

Como ouvinte, ora acredita-se que Pedro viajou no tempo, ora que ele é louco. Mas o que é loucura? A normalidade é uma convenção social, e aqueles que não se enquadram nisso são marginalizados. É nesse sentido que os dez episódios, de no máximo 16 minutos, seguem. No quinto capítulo, antes de se saber se o paciente fala a verdade ou não, Elisa passa psicofármacos a Pedro, após ele tentar fugir do hospital. Segundo ela, foi necessário tomar essa decisão devido ao perigo que ele representaria, caso a tentativa de fuga desse certo. O paciente, debilitado pelos remédios e indignado com a situação, explica que em 2062, qualquer médico que prescreva esses  medicamentos é preso. 

A narrativa segue tentando desvendar essa história, com muitos plot twists em sequência, o que dá ao ouvinte motivo suficiente para conferir cada parte até o final. Quando acreditamos estar corretos, aparece um fato novo na série, criando o “Paciente 0” e a partir daí, um novo caminho surge. Mas nesse momento, sabe-se, afinal, o que Pedro é.

Vale ressaltar que, por ser um podcast, há maior dificuldade na atuação. Como o único instrumento do ator é a voz, ele não pode contar com o restante de seu corpo para se expressar. Desse modo, causar um determinado sentimento no ouvinte é mais complicado. Por isso, é possível perceber alguns deslizes por parte de Mel Lisboa, por exemplo. Mas nada que prejudique a performance da atriz e o brilhante enredo de “Paciente 63”.

*Imagem de capa: Reprodução/Spotify.

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