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Fenomenais cinquenta anos de Ronaldo: conheça a trajetória do craque

De jogador a empresário, vida do astro é marcada por conquistas, dificuldades e superações

Por Daniel Meneses (danielzinhomota@usp.br), Estela Bughay (estelabhupalo@usp.br) e Leda Lôbo (ledalobo@usp.br) ronaldo

No dia 18 de setembro de 1976, nasceu Ronaldo Luís Nazário de Lima na cidade de Itajaí, no Rio de Janeiro. Embora sua mãe tenha dado à luz no dia 18, o futuro Fenômeno só veio a ser registrado quatro dias depois do nascimento. Ronaldo viria a se tornar uma estrela para o futebol mundial e logo recebeu o apelido que o define. Com uma trajetória espetacular repleta de vitórias e desafios, o atleta está completando 50 anos hoje.

O jogo explosivo, com velocidade e dribles, marcou Ronaldo como um fenômeno no futebol. Sua capacidade de superar lesões e outras adversidades que surgiram em meio a sua carreira foi crucial para um percurso tão marcante e respeitável no esporte.

O garoto de Bento Ribeiro ronaldo

O jogador cresceu em Bento Ribeiro, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro. Vindo de uma família humilde, sempre foi aconselhado a focar no colégio, mas teve mais afinidade ao esporte do que ao ambiente escolar. Segundo o livro “Ronaldo: glória e drama no futebol globalizado”, escrito por Jorge Caldeira, o forte de Ronaldo nunca foi o estudo, para desespero da mãe. Em contrapartida, já se destacava desde pequeno nas quadras e nos gramados. 

Ronaldo foi iniciado no esporte por meio do futsal. Jogou no Valqueire e no Social Ramos, clubes da região onde cresceu que contribuíram para a entrada do atleta na carreira esportiva. Em meio aos treinos, ele passou na peneira no Flamengo, mas desistiu do sonho de jogar em seu time do coração, pois não conseguia bancar as passagens de ônibus.

Pouco tempo depois, o jogador ingressou na equipe do São Cristóvão. Lá, migrou oficialmente para o futebol e logo se destacou na modalidade. Em um dos jogos no clube, o ex-atleta Jairzinho, o “Furacão da Copa de 70”, estava na arquibancada e ficou impressionado com o talento de Ronaldo. Por intermédio do ex-futebolista, o jovem foi indicado aos empresários Reinaldo Pitta e Alexandre Martins.

Atualmente, o estádio do São Cristóvão tem o nome de Ronaldo, além de diversas homenagens ao atleta [Imagem: Reprodução/Instagram/@rederonaldo]

Em 1992, os dois se tornaram representantes da carreira do atleta após negociarem o passe de Ronaldo com o São Cristóvão, que estava desesperado para vender seus jogadores, devido à crise financeira que enfrentava, por US$7,5 mil. Os empresários tentaram oferecer o craque ao Botafogo e ao São Paulo, mas nenhuma das duas equipes o contratou. Em uma tentativa de venda do passe ao Cruzeiro, ele entrou na categoria sub-17 do time mineiro.

A mudança para o futebol profissional ronaldo

Aos 16 anos de idade, Ronaldo já fazia parte da equipe profissional, e fez sua estreia no Campeonato Mineiro de 1993. Embora tenha entrado em campo em jogos da disputa, seu primeiro gol pelo profissional foi marcado em um amistoso contra o clube português Os Belenenses. O feito despertou atenção internacional ao jogador, que recebeu uma proposta de 500 mil dólares do Internazionale de Milão, que foi recusada.

No mesmo ano, o atleta participou do Campeonato Brasileiro, palco de um dos jogos mais marcantes da carreira do astro. Em uma partida contra o Bahia, o Cruzeiro marcou 6 a 0, sendo 5 gols de Ronaldo e um deles histórico, por ter vindo de uma bola roubada do goleiro Rodolfo Rodríguez. Nesse jogo, o recém contratado “Menino Ronaldo” passou a assumir a artilharia da edição do campeonato.

A primeira exibição de um jogo com Ronaldo na televisão ocorreu em 7 de setembro de 1993, em uma partida de Cruzeiro contra Corinthians [Imagem: Reprodução/Instagram/@ronaldo]

Ronaldo chegou a participar da Supercopa da Libertadores 93, competição que foi o artilheiro com oito gols. O torneio foi decisivo para a convocação do atleta para a Seleção Brasileira Sub-17.  No final daquele ano, seu passe valia US$10 milhões.

Mudança na carreira e Seleção Brasileira

Em 1994, Ronaldo já era um fenômeno: artilheiro do Campeonato Mineiro, com 22 gols, e dono de uma impressionante marca de 44 gols em 47 jogos pelo Cruzeiro. Pouco antes da Copa do Mundo, deixou o Brasil e partiu para a Holanda, onde vestiria a camisa do PSV Eindhoven em uma transferência de US$6 milhões.

Não demorou muito para mostrar ao mundo do que era capaz: sua adaptação foi tão veloz quanto seus dribles e, logo na primeira temporada, marcou 35 gols em 36 partidas, marca que garantiu a artilharia do Campeonato Holandês com 30 gols. Para deixar claro que era mesmo diferenciado, marcou doze gols a mais do que Patrick Kluivert, do Ajax, apontado pela imprensa como seu grande rival na época.

Ronaldo seguiu os passos do conterrâneo Romário, que também jogou pelo PSV [Imagem: Reprodução/Instagram/@ronaldo]

Porém, foi em solo holandês que Ronaldo iniciou o processo físico que se tornaria sua marca registrada ao longo da carreira. Em entrevista para o Arquibancada, o jornalista Antônio Rocha Filho, ex-Folha de S. Paulo e professor de jornalismo na ESPM, comentou a mudança: “Ele passou a operar com um padrão europeu de preparação física e de embate”. Seu time, o PSV, era famoso por investir pesado em treinos de força e hipertrofia muscular, uma abordagem inovadora para o futebol brasileiro dos anos 90. Ali, o jovem brasileiro descobriu um novo tipo de preparação física, que colocou em prática métodos que transformariam não só seu corpo, mas também sua forma de jogar.

Ainda no PSV, em fevereiro de 1995, Ronaldo encarou o primeiro grande obstáculo de sua carreira: uma cirurgia no joelho que marcou o início de uma série de lesões que o perseguiria por toda sua trajetória. Mas nada disso o impediu de continuar brilhando. 

Em 1996, trocou a Holanda pela Espanha. No Barcelona viveu a temporada com mais gols de sua carreira: foram 34 gols em 37 jogos, uma performance tão impressionante que rendeu ao clube a Supercopa da Espanha, a Copa do Rei e a Recopa Europeia. Em seu primeiro grande ápice de tantos outros em sua trajetória, Ronaldo se tornou, aos 20 anos, o mais jovem vencedor do prêmio de Melhor do Mundo da FIFA.

Ronaldo foi o segundo jogador brasileiro a ganhar o prêmio de Melhor do Mundo [Imagem: Reprodução/Twitter/@FCBarcelona]

No ano seguinte, foi a vez de conquistar a Itália: a Inter de Milão desembolsou cerca de US$27 milhões (o maior valor já pago por um jogador na época) para ter o craque em seu elenco. Nesse momento, a imprensa local o apelidou de “Il Fenomeno”. Segundo Rocha Filho, essa é a geração, ao lado de nomes como Ronaldinho, Rivaldo e, mais tarde, Kaká, que ajudaram a transformar o futebol europeu. Esses atletas levaram para lá não só talento, mas também a ousadia, criatividade e improviso que sempre marcaram o futebol sul-americano. 

De 98 ao Penta ronaldo

Ronaldo já integrava o elenco campeão da Copa de 1994, nos Estados Unidos, mas ainda como reserva de Romário e Bebeto, sem entrar em campo. Sua consolidação como titular veio no ciclo seguinte: foi peça central nos títulos da Copa América e da Copa das Confederações, ambas em 1997, e mostrou ao mundo que estava pronto para liderar a Seleção.

Ronaldo não jogou nenhuma partida na Copa de 1994,  mas afirmou que a competição serviu de aprendizado [Imagem: Reprodução/Instagram/@ronaldo]

Na Copa de 1998, na França, Ronaldo chegou à final como a grande estrela brasileira, com quatro gols marcados ao longo do torneio. Porém horas antes da partida, sofreu uma convulsão cujas causas nunca foram totalmente esclarecidas. Ele entrou em campo abaixo de sua melhor forma e o Brasil perdeu por 3 a 0. Ainda assim, a atuação ao longo do torneio lhe rendeu a Bola de Ouro de melhor jogador da competição.

Infelizmente, os dois anos seguintes foram marcados por duas rupturas do tendão patelar, que o afastaram dos gramados por cerca de 15 meses, o que fez alguns até colocarem em dúvida a continuidade da carreira. Mas sua recuperação a tempo da Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, é com certeza um dos pontos centrais e mais incríveis da trajetória do atacante.

Pouco antes da copa, o Brasil vivia um clima de incerteza. Ronaldo, principal atacante, vinha de quase dois anos lutando para se recuperar de uma grave lesão no joelho direito, sofrida em 2000, durante um jogo contra a Lazio. Na temporada 2001/2002, ele quase não jogou pela Inter de Milão, e muitos, incluindo imprensa e torcedores, duvidavam que ele aguentaria o ritmo pesado de uma Copa do Mundo. Para aumentar a pressão, o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, decidiu não convocar Romário – o favorito da torcida – e apostou todas as fichas em Ronaldo, com o acompanhamento de perto do fisioterapeuta Nilton Petrone, o “Filé”.

A consolidação da aposta em Ronaldo veio logo nos primeiros jogos, no Grupo C. Na estreia contra a seleção da Turquia, em Ulsan, o Brasil saiu atrás no placar, mas Ronaldo mostrou que estava de volta: com a ajuda de um cruzamento de Rivaldo, empatou a partida, gol importante que fez o Brasil virar o marcador para 2 a 1. Na partida seguinte, contra a China, em Seogwipo, o Brasil venceu por 4 a 0 e Ronaldo marcou de novo, aproveitando um passe de Cafu. Para fechar a primeira fase com chave de ouro, no jogo contra a Costa Rica, em Suwon, Ronaldo fez dois gols em apenas 13 minutos. 

Com quatro gols em três jogos e o Brasil invicto para as oitavas de final, Ronaldo não só deixou para trás o medo das lesões, como também mostrou que sua velocidade e poder de decisão continuavam os mesmos. A dúvida virou alegria, e o país voltou a acreditar no sonho da quinta estrela.

Corte de cabelo inesperado de Ronaldo na Copa de 2002 chamou atenção e virou tendência no Brasil todo [Imagem: Reprodução/Instagram/@ronaldo]

Ronaldo encerrou a Copa de 2002 como artilheiro absoluto, com 8 gols, inclusive com dois decisivos na final contra a Alemanha que cravaram o pentacampeonato para o Brasil. Quatro anos depois, na Copa de 2006, já nos capítulos finais de sua carreira, ainda encontrou forças para balançar as redes mais três vezes. Com isso, chegou à impressionante marca de 15 gols em Copas do Mundo, um recorde histórico que resistiu até 2014, quando o alemão Miroslav Klose fez seu 16º gol e superou o feito do Fenômeno. 

Retorno em preto e branco ao Brasil

Após o fim do contrato com o Milan em junho de 2008, Ronaldo retornou ao Brasil. Enquanto se recuperava de uma nova lesão no tendão do joelho esquerdo, que havia sofrido em fevereiro, ele treinou nas instalações do Flamengo, fato que criou rumores de que ele iria jogar pelo time carioca. 

Para a infelicidade dos torcedores rubro-negros, o Corinthians anunciou a contratação de Ronaldo Fenômeno, em dezembro de 2008. Após cinco semanas de negociação entre o presidente do clube Andrés Sanchez, o vice-diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg e o empresário do jogador na época, Fabiano Farah, ficou acordado que o jogador defenderia o time no próximo ano. 

Após ter sido campeão da Série B em 2008 e conquistado o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro, o Corinthians estava passando por um momento de reconstrução. A contratação de Ronaldo, significou, para além dos títulos que seriam conquistados, um grande salto para o marketing do time. Devido aos patrocínios, a receita do time passou de R$ 24,7 milhões para R$ 49,1 milhões, em 2009. A Nike, por exemplo, que direcionava 5 milhões de reais por ano ao time, passou a pagar R$ 20 milhões.

Ronaldo também foi fundamental para patrocínio de 18 milhões entre o Corinthians e a marca Batavo, na época o maior patrocínio do futebol brasileiro [Imagem: Reprodução/Instagram/@ronaldo]

Em campo, Ronaldo jogou como a estrela que sempre foi. Personagem importante da Copa do Brasil 2009 e do Campeonato Paulista 2009, ajudou o Corinthians a conquistar ambos os campeonatos e ganhou espaço no coração dos torcedores. Ele fez sua estreia no Timão no primeiro jogo da Copa do Brasil, contra o Itumbiara. Mesmo que não tenha marcado, sua magia não demorou a aparecer: no jogo de volta das oitavas de final, contra o Athletico Paranaense, marcou dois gols e garantiu a classificação para a próxima fase. 

Já no Campeonato Paulista, logo na primeira fase, Ronaldo entrou no clássico contra o Palmeiras e marcou seu primeiro gol pelo Corinthians, o que garantiu o empate em 1 a 1. Com uma boa campanha, o time se classificou para o mata-mata e venceu o São Paulo nas semifinais com um placar agregado de 4 a 1, com um dos gols marcados por Fenômeno. Na final contra o Santos, Ronaldo marcou dois gols e ajudou o time a se consagrar campeão invicto do Paulistão, além de garantir a artilharia do time ao lado de Chicão, com 8 gols.   

Depois de um ano fantástico no Corinthians, 2010 foi marcado por lesões e aumento de peso para Ronaldo. Logo no começo do Campeonato Paulista, ele sofreu uma lesão muscular que afetou seu desempenho no resto do ano. Com uma eliminação precoce na Libertadores e terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, o Timão terminou o ano sem títulos e sem grande protagonismo de Ronaldo, que jogou 27 partidas e marcou 12 gols.

No começo de 2011, após derrota para o Tolima na pré-Libertadores, Ronaldo anunciou sua aposentadoria. Com 69 partidas, 35 gols marcados e 2 títulos pelo Corinthians, o jogador encerrou a passagem no clube grato à torcida e se desculpando pelo fracasso na Libertadores.  

Adeus aos gramados

Ainda na coletiva de imprensa em que anunciou sua aposentadoria, Ronaldo revelou um diagnóstico de hipotireoidismo que havia recebido quando jogava no Milan, o que justificava sua dificuldade em perder peso. O sobrepeso, aliado às inúmeras lesões que havia sofrido, o fizeram antecipar o fim de sua carreira no futebol. 

“Eu doei a minha vida ao futebol, eu fiz todos os sacrifícios mais duros e impensáveis que alguém pode fazer. Foi lindo demais, foi maravilhoso demais.” 

Ronaldo Fenômeno em anúncio da aposentadoria.

A coleção de troféus individuais de Ronaldo é daquelas de encher os olhos  e ajuda a explicar por que seu nome está sempre entre os maiores da história do futebol. Foram três prêmios de Melhor do Mundo pela FIFA em 1996, 1997 (quando se tornou o primeiro a vencer o prêmio em anos consecutivos) e 2002. Também conquistou duas Bolas de Ouro da revista francesa France Football, em 1997 e 2002, conforme registra a Confederação Brasileira de Futebol.

Esses prêmios de clube e de carreira somam-se aos individuais conquistados em Copas do Mundo: a Bola de Ouro de 1998 e a artilharia de 2002. E claro, o recorde de maior artilheiro da história das Copas, mantido por 12 anos após sua última partida pela competição.

Essas conquistas, unidas à resiliência de um jogador que voltava de lesões gravíssimas para atuar no mais alto nível, ajudaram a consolidar Ronaldo não apenas como um grande atleta, mas como um dos maiores ídolos do futebol brasileiro e mundial. O Fenômeno ganhou uma reputação que levaria, mais tarde, para a vida após a aposentadoria dos gramados.

Ronaldo além do campo

Logo após a aposentadoria do futebol, Ronaldo cria a 9ine, junto do empresário Marcus Buaiz e do grupo WPP. Se tratava de uma agência voltada à gestão de carreira de atletas e artistas que contou com nomes como Neymar Jr e Bruno Rezende no portfólio. A 9ine, porém, não durou muito e encerrou as atividades em 2016, mas Ronaldo deu outra chance para sua carreira nos negócios. Em 2017, comprou a agência Octagon Brasil, atualmente Octagon Latam, também ligada ao marketing esportivo.

No ano seguinte, Ronaldo comprou 51% das ações do clube espanhol Valladolid, do qual foi acionista majoritário até 2025, quando anunciou a venda do time em meio a protestos da torcida contra sua administração, devido às campanhas ruins do Valladolid no Campeonato Espanhol durante sua gestão. Em 2021, comprou 90% da SAF do Cruzeiro e ficou na administração do clube até 2024. 

De acordo com Rocha Filho, a imagem pública de Ronaldo contribuiu muito para sua carreira de empresário. A superação de dificuldades enfrentadas e a simplicidade que o jogador apresentava nos campos foram características que continuam atreladas a sua figura empresária. Além disso, para Ademir Takara, bibliotecário do Museu do Futebol, a escolha de se manter no meio futebolístico como empresário ao invés de técnico ajudou a manter sua relevância no esporte. “Ao optar por ser empresário, ou melhor, cartola, acabou meio que se transformando, no imaginário popular, numa espécie de craque dentro e fora dos campos”, afirmou em entrevista ao Arquibancada

Hoje, ele se mantém à frente de empresas como a Ronaldo Academy, rede de escolas de futebol para jovens e a Rede Ronaldo, televisão digital que une esporte e cultura. O Fenômeno está sempre envolvido em eventos esportivos, como na final da Copa do Mundo 2026, quando apareceu ao lado de Ronaldinho Gaúcho no show de intervalo da Madonna. 

Seja nos gramados ou no mundo dos negócios, Ronaldo chega aos cinquenta anos com uma carreira espetacular dentro e fora de campo, e deixa um legado que não será esquecido tão cedo pelo futebol mundial. Parabéns, Fenômeno! 

Imagem de capa: A capa desta matéria usa imagens editadas do Wikimedia Commons, por Rjcastillo, por Ank kumar, por Alex Carvalho e por Antônio Cruz/ABr)

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