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‘Genera+ion’ e a representatividade LGBTQIA+ adolescente

A série se destaca ao tratar de sexualidade e diversidade sob uma perspectiva contemporânea

Controle Remoto
10 out 2021 | Por Adrielly Kilryann (adriellykilryann@usp.br)

Uma das maiores reclamações do público LGBTQIA+ sobre conteúdos audiovisuais é a falta de representatividade. É de praxe séries e filmes do mainstream apresentarem romances e contextos heteronormativos aos montes e nenhuma ou pouquíssima representação de personagens que fujam desse padrão. Genera+ion — ou Generation — (2021) é, com certeza, uma exceção a essa regra.

A série narra a história de um grupo de adolescentes que vive no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e que eventualmente passa a participar de um clube para jovens da comunidade LGBTQIA+ da escola. Cada um deles, à sua maneira e com os seus limites e problemas, tenta entender como lidar com um intenso processo de descobrimento de identidade e sexualidade na juventude ultra tecnológica do século 21.

Nathan (Uly Schlesinger), Chester (Justice Smith) e Riley (Chase Sui Wonders) no pátio da escola. [Imagem: Reprodução/HBO Max]

Nathan (Uly Schlesinger), Chester (Justice Smith) e Riley (Chase Sui Wonders) no pátio da escola. [Imagem: Reprodução/HBO Max]

O que diferencia essa de outras produções sobre adolescentes é a pluralidade e precisão dos assuntos que se propõe a tratar. A produção de Zelda Barnz, que iniciou o roteiro da série quando tinha apenas 16 anos, ao lado de seus pais Daniel e Ben Barnz, confere um toque especial de modernidade à história. 

Desde as múltiplas referências pop que conferem um humor irônico que permeia toda a narrativa, até as temáticas mais sérias que acompanham o desenvolvimento dos personagens, Generation é capaz de entregar pontos relevantes da atualidade sem saturar o assunto ou forçar a barra. Questões como homofobia, gravidez na adolescência, exposição virtual, conflito entre gerações, feminismo, religião, sexo, orientação sexual e diversidade de gênero são tratadas com profundidade, mas ao mesmo tempo de uma forma leve e engraçada.

Os personagens fogem dos estereótipos e caricaturas de minorias, e cada um possui uma personalidade única e facilmente identificável entre o público jovem, o que torna mais fácil sentir empatia e compreender diversas perspectivas. O que ajuda nessa percepção, aliás — e que é um recurso bem explorado ao longo de toda a trama —, é a demonstração de diferentes pontos de vista acerca dos mesmos eventos. A partir de retornos na linha temporal dos acontecimentos, o espectador é capaz de compreender melhor o porquê de tal personagem fazer o que faz, além de se apegar ainda mais a cada história individual.

Os integrantes do clube em uma viagem. [Imagem: Reprodução/HBO Max]

Os integrantes do clube em uma viagem. [Imagem: Reprodução/HBO Max]

O elenco principal também é digno de créditos, já que convence que estamos presenciando de fato adolescentes no auge do ensino médio, e não atores bombados de 30 anos interpretando crianças. Isso não só pela aparência física, mas também nas atitudes e nuances no modo de agir. Um dos destaques é a atuação de Justice Smith, que confere uma marcante personalidade de altos e baixos a Chester.

O maior ponto negativo de Generation é que, infelizmente, o seu potencial futuro foi desperdiçado, já que não ganhará uma continuação. No dia 15 de setembro, a equipe da HBO Max anunciou, sem muitas explicações, que a série não será renovada. Considerando o episódio final e as pontas soltas deixadas por ele, além de todas as possibilidades que ainda poderiam ser desenvolvidas através de novas temporadas, é de se lastimar que uma produção que poderia dar visibilidade àqueles que não a possuem tão facilmente tenha sido cancelada de maneira tão precoce.  

Apesar disso, Generation não perde o seu brilho e deve ser assistida por qualquer pessoa que procure reconhecimento, representação ou simplesmente queira acompanhar algo cativante e bem-humorado. 

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