Home Controle Remoto ‘Maid’ e o impacto de uma narrativa sobre abuso, pobreza e maternidade
‘Maid’ e o impacto de uma narrativa sobre abuso, pobreza e maternidade

Nova minissérie da Netflix angustia o telespectador com um drama denso e realista

Controle Remoto
12 nov 2021 | Por Bianca Camatta (biancacamatta@usp.br)

A minissérie Maid, que estreou em outubro na Netflix, narra a história de Alex (Margaret Qualley) que, após fugir com sua filha Maddy da casa em que morava com o namorado abusivo Sean (Nick Robinson), enfrenta dificuldades para se estabelecer financeiramente e manter a guarda de sua filha. Com produção de John Wells e Margot Robbie, a série é inspirada no best-seller Maid: Hard Work, Low Pay, and a Mother’s Will to Survive — livro de memórias da autora Stephanie Land, que foi traduzido para o Brasil como Superação: Trabalho Duro, Salário Baixo e o Dever de Uma Mãe Solo (Alta Life, 2020).

Ao fugir da casa em que morava, Alex tem o seu carro como o único lar possível até aceitar viver em um abrigo para vítimas de violência doméstica. A personagem não acreditava que poderia viver lá, pois não entendia que tinha sofrido violência, afinal o ex-namorado não bateu nela e ela não está fisicamente ferida. Assim, a série aborda os diversos tipos de agressão que muitas vezes são minimizados pela sociedade e, consequentemente, pelas vítimas. 

Sem dinheiro, Alex precisa da assistência do governo, mas é tudo muito burocrático, o que fica evidente durante toda a narrativa. Sem emprego, ela não consegue ter acesso a algumas dessas ajudas. Mesmo quando começa a trabalhar como faxineira, as dificuldades continuam: as condições de trabalho são ruins e o salário é muito baixo — insuficiente para as necessidades de mãe e filha. Para aproximar o telespectador da angústia pela dificuldade do sustento, a série mostra o dinheiro sendo descontado a cada gasto na tela. 

Alex tenta conseguir ajuda do governo. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Alex tenta conseguir ajuda do governo. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Alex ainda vive uma relação agitada com a mãe Paula (Andie MacDowell) — que é bipolar — e uma briga judicial pela guarda de Maddy. Em meio a tudo isso, o sentimento de aflição invade o telespectador — nos vemos imersos na história, nos colocamos no lugar da personagem e sentimos medo e desespero durante a maior parte da série. Ao lembrarmos que situações parecidas acontecem na vida real, esses sentimentos se intensificam.

A atuação de Margaret Qualley contribui para todas essas sensações. Ela consegue transparecer muito bem as angústias da personagem, desde a apatia(nos momentos em que se vê sem rumo) e crises de pânico até o amor e carinho que nutre por Maddy. 

Isso tudo prende o telespectador que quer descobrir se enfim as personagens conseguirão alcançar a tranquilidade e felicidade. Porém, ao mesmo tempo, é difícil maratonar a série de uma vez só. Os momentos em que tudo parece estar caminhando para dar certo e que nos causam alívio rapidamente são interrompidos por novos problemas — que, em sua maioria, estão relacionados com atitudes de Sean, o que demonstra como é difícil se livrar de um abusador. 

Alex enquanto vive com Sean. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Alex enquanto vive com Sean. [Imagem: Reprodução/Netflix]

Em muitos momentos, as únicas coisas que dão força na busca da personagem por uma vida melhor são sua filha e o seu sonho de escrever — hobbie que é uma fonte de alívio e esperança para Alex. 

A dificuldade de superar os diversos tipos de abuso também é enfatizada pela história de Paula e das mulheres que vivem no abrigo, em especial Danielle (Aimee Carrero), que se torna amiga de Alex no início da trama. 

Maid é uma série perturbadora, mas que consegue mostrar de forma emocionante como os sonhos e o amor materno são importantes para guiar alguém quando os desafios insistem em se prolongar. 

 

*Imagem de capa: Divulgação/Netflix

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