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USP Talks – DNA do Brasil
Horizonte de Eventos
09 nov 2020 | Por Mateus Dias (mateusdesouzadias10@usp.br)

Na última terça (3), ocorreu mais uma edição do USP Talks. O programa é um projeto da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Jornal da USP e aborda temas variados, com o objetivo de aproximar pesquisas acadêmicas da população. A edição de tema DNA do Brasil: Origens e características genéticas da população brasileira ocorreu em transmissão ao vivo pelo Canal USP do YouTube, como tem sido desde maio, devido à pandemia. Mediado por Herton Escobar, jornalista científico e repórter do Jornal da USP, o programa contou com palestrantes do Instituto de Biologia (IB) da Universidade de São Paulo. 

[Herton Escobar, mediador, jornalista científico e repórter do Jornal da USP. Imagem: Reprodução/ YouTube]

Herton Escobar, mediador, jornalista científico e repórter do Jornal da USP. [Imagem: Reprodução/ YouTube]

As palestrantes eram Lygia da Veiga Pereira – biofísica, professora titular do IB, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) e do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva e especialista em genética humana e médica – e Tábita Hünemeier – bióloga molecular, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB, especialista em genética e ancestralidade de populações humanas. Junto ao professor Paulo Lotufo, da Faculdade de Medicina da USP, as especialistas desenvolvem o projeto DNA do Brasil, que pretende sequenciar o genoma de 15 mil brasileiros. Na edição, elas falaram sobre o projeto e como o sequenciamento é importante para conhecermos a nós mesmos e nossa história.

Lygia começou explicando o que é genoma, gene e DNA. Simplificadamente, o genoma é a receita que instrui o funcionamento de nossa células e do nosso corpo, o DNA é o que compõe o genoma e o gene são as instruções específicas, como “produzir determinada proteína”. Uma coisa interessante apontada por ela é que o genoma dos humanos são 99,9% iguais e que o restante é responsável por nossas características e por tornar-nos diferentes. A biofísica acrescentou que a importância de sequenciar o genoma é justamente descobrir qual é essa parte variante e como cada pedaço desse 0,1% pode predispor certas doenças. Com isso, é possível desenvolver tratamentos mais adequados e precisos.

Passada a palavra Tábita, a bióloga explicou como o sequenciamento do genoma brasileiro pode contribuir para além dos benefícios médicos. Ela contou um pouco da chegada dos muitos povos que formaram a população brasileira e como eles contribuíram para miscigenação. Ela pontuou que, muitas vezes, essas populações foram silenciadas, apagadas e extintas, e como o sequenciamento genético pode auxiliar na recuperação dessa história. 

Em seguida, foi aberta a sessão de perguntas, e o primeiro questionamento foi sobre o testes de DNA que “rastreiam” as origens, se são seguros e se podem indicar doenças. Lygia respondeu que para descobrir ancestralidade o teste é eficaz, mas que não pode ser usado para descobrir predisposições a doenças. O DNA avaliado nesses testes é um apenas um pedaço que não representa todo o genoma, e, além disso, decodificá-lo e entendê-lo é um desafio que ainda está distante de ser realizado.

[Lygia da Veiga Pereira, palestrante, biofísica e professora titular do IB. Imagem: Reprodução/ YouTube]

Lygia da Veiga Pereira, palestrante, biofísica e professora titular do IB. [Imagem: Reprodução/ YouTube]

Tábita também fala sobre o equívoco em usar o termo “raça” para humanos, já que a palavra indica uma grande variedade genética em seres da mesma espécie, o que não ocorre em nós. As palestrantes falaram também sobre as questões éticas que envolvem o sequenciamento genético e o quanto a privacidade desses dados precisa ser respeitada. 

Lygia ainda comentou sobre o andamento do projeto DNA do Brasil, sobre como tem sido a procura por voluntários para a pesquisa e como elas têm contado com o apoio da iniciativa privada. Ela também fala que, pelos genomas já sequenciados, foi possível concluir as hipóteses sobre as variantes que compõem o DNA brasileiro, tanto as já conhecidas e esperadas quanto novas variantes. Tábita contou sobre algumas descobertas que já podem ser vistas durante o andamento do projeto e quais os próximos passos a serem dados.

Tábita Hünemeier, palestrante,bióloga molecular, professora do IB. [Imagem: Reprodução/ YouTube]

Tábita Hünemeier, palestrante,bióloga molecular, professora do IB. [Imagem: Reprodução/ YouTube]

Entusiasmada, Lygia acredita que o sequenciamento é importantíssimo para o povo brasileiro e que espera que o projeto fomente muitas pesquisas no Brasil todo, enquanto Tábita afirma que o projeto também podem preencher lacunas históricas de povos indígenas e africanos que foram trazidos no período de escravidão.

A transmissão continua disponível no YouTube e você pode encontrá-la na íntegra pelo link.

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