Home 42ª Mostra Internacional de SP: Tarde para Morrer Jovem
42ª Mostra Internacional de SP: Tarde para Morrer Jovem
CINÉFILOS
02 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Tarde para Morrer Jovem (Tarde para Morir Joven, 2018) não pretende contar uma história linear, com começo, meio e fim. É um filme que, ao não possuir nenhuma trama específica, retrata bem uma época, um lugar e um grupo de pessoas. Nos anos 1990, logo após a redemocratização do Chile, algumas famílias decidem se mudar para uma comunidade ecológica, afastada do mundo urbano. Lá, cada indivíduo experimenta seus próprios dramas e descobertas.

O filme se situa nos anos 90, porém são alguns poucos elementos do filme que nos permitem chegar a essa conclusão, como os cortes de cabelo da moda e as músicas do momento. Contando apenas com os detalhes para ambientar o filme, uma informação que parece ser importante para a diretora Dominga Sotomayor fica perdida: a recente volta da democracia chilena. A apreensão que as personagens sentem ao passar por uma dupla de militares na estrada pode ser justificada por esse período da história chilena, porém, como o tema não é tratado de forma explícita, o espectador acaba dependendo de seus próprios conhecimentos prévios sobre.

Tarde para Morrer Jovem

(Imagem: Reprodução)

A diretora se apoia muito na percepção das sutilezas para que o filme tenha sentido, o que acaba tornando a história muito palpável e próxima da realidade. As expressões faciais, os olhares e as manias de cada personagem contam muito mais que os diálogos. E são acontecimentos casuais e rotineiros que trazem alguma ação para o filme, como o desaparecimento de um cachorro, a descoberta do sexo na adolescência, o ciúme e as desilusões amorosas da juventude e o relacionamento conflitante com os pais. O nome faz juz ao filme: os protagonistas são as crianças e adolescentes que estão descobrindo o mundo e a si mesmos. Os adultos não passam de coadjuvantes mornos nas histórias recheadas de intensidade dos mais jovens.

A imagem do filme é inovadora, e a todo momento a câmera parece encontrar ângulos não-convencionais para mostrar o que acontece. Mesmo com o formato próximo do quadrado, os cenários mostrados raramente focam em apenas um ponto ou acontecimento. Com vários planos presentes na tela o espectador recebe muita informação de uma vez só a cada cena. Enquanto os adultos trabalham na reforma, ao fundo as crianças brincam e no canto os jovens tocam violão. Esse retrato tão cru do que acontece aproxima ainda mais o filme da realidade.

Assistir Tarde para Morrer Jovem é como assistir a um velho álbum de fotografias sobre um verão em que todos tiveram suas experiências únicas. A cor das imagens se assemelha a esse efeito de foto antiga, próximo ao sépia, como se o filme todo se passasse em um fim de tarde retratado há muito tempo atrás. Na vida real são os pequenos acontecimentos do dia-a-dia que nos definem como pessoas, assim também é no filme.

por Fernanda Pinotti
fsilvapinotti@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*