Por Ana Germano (anabrgermano@usp.br), Israel Valdez (israelvaldez@usp.br) e Lucas Miranda (lucasmirandaf@usp.br) olímpicos
Símbolo máximo do esporte internacional, os Jogos Olímpicos reúnem milhares de atletas e torcedores em edições alternadas de verão e inverno, além das Paralimpíadas. A versão moderna das Olimpíadas teve início em abril de 1896, em Atenas, e completa 130 anos de tradição em 2026.
A origem dos Jogos remonta à Grécia Antiga, onde tiveram início em 776 a.C., mais precisamente na cidade de Olímpia. O evento se manteve por séculos até desaparecer, quando novos interesses e prioridades culturais substituíram, aos poucos, costumes anteriores.
Desde sua retomada, os Jogos passaram a reunir delegações de diversos países em diferentes cidades-sede ao redor do mundo. Mais do que competições esportivas, as Olímpiadas buscam promover integração entre nações e difundir valores como respeito, excelência e convivência pacífica por meio de disputas que mobilizam atletas e públicos de diferentes culturas.
Origem dos Jogos na Grécia Antiga
Em diversos aspectos da história grega, mitologia e realidade se confundem e relatos sobre deuses e heróis permeiam as vivências cotidianas. Segundo a tradição, as Olimpíadas foram criadas nesse contexto como homenagem a Zeus, rei dos deuses.
Mais do que uma simples competição atlética, os Jogos também possuíam caráter sagrado. Rafael Scopacasa, professor de História Antiga na Universidade de São Paulo (USP), explica que na Grécia Antiga a religião estava presente em praticamente todos os aspectos da vida, e havia forte preocupação em agradar os deuses por meio de cultos, ritos e oferendas. Assim, as Olimpíadas foram inseridas na lógica religiosa da época.
A narrativa mitológica ajudava a dar sentido ao esporte olímpico e atribuía caráter religioso e simbólico às competições. Realizados em um santuário dedicado a Zeus, os Jogos eram cercados por referências míticas e cerimônias religiosas. As disputas ocorriam a cada quatro anos e incluíam sacrifícios de animais e rituais, como o ato de acender a chama olímpica — tradição preservada até hoje.

Ruínas do Templo de Hera, em Olímpia. Até hoje, a chama olímpica é acesa com os raios solares diante do antigo templo [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Na Antiguidade, cada cidade grega funcionava como um Estado independente, o que conferia às Olimpíadas caráter internacional. Embora essas cidades compartilhassem uma forte identidade cultural baseada em língua, religião e costumes comuns, guerras entre elas eram frequentes.
Para evitar interferência dos conflitos nas competições, instituiu-se a chamada Trégua Olímpica, que garantia segurança a todos que viajassem para Olímpia durante o período dos Jogos. Segundo Scopacasa, mensageiros do santuário de Zeus percorriam o mundo grego para anunciar a realização das disputas e solicitar a suspensão temporária das hostilidades.
Na prática, não é possível concluir que a medida interrompesse as guerras de forma concreta, mas assegurava a livre circulação de atletas e espectadores. Além disso, as Olimpíadas também possuíam uma importante dimensão geopolítica por reunir representantes de diferentes cidades-Estado e servir de ocasião para negociações diplomáticas e formação de alianças.
As modalidades dos Jogos Olímpicos da Antiguidade diferiam das atuais — embora algumas tenham resistido ao tempo e permaneçam até hoje. Na primeira edição, disputou-se apenas uma corrida a pé na pista de Olímpia. Com o passar das décadas, novas provas foram incorporadas ao programa, como lutas, competições equestres, salto em distância e lançamento de dardo.
Scopacasa explica que muitas dessas modalidades mantinham relação com a preparação militar. Na sociedade grega, caracterizada por conflitos frequentes, as práticas esportivas contribuíam para o treinamento dos jovens, que eram incentivados a desenvolver atributos como agilidade, destreza e pontaria.
No início dos Jogos, somente homens gregos nascidos livres podiam participar. Entretanto, o professor comenta que, “com o passar do tempo, o crivo étnico foi flexibilizado, até ser finalmente abolido.” Quando o território da Grécia foi conquistado por Roma no século II a.C., por exemplo, atletas romanos passaram a ser admitidos.
Embora mulheres e pessoas escravizadas não pudessem competir nas edições iniciais, houveram algumas exceções. “Nas corridas de carruagens, mulheres podiam concorrer na condição de patrocinadoras: nessas competições, o prêmio não ia para o condutor da carruagem, mas para a pessoa que o contratava ou patrocinava”, afirma Scopacasa.

A cidade de Olímpia foi esquecida e permaneceu enterrada sob metros de sedimentos trazidos por rios, até ser redescoberta e escavada por arqueólogos alemães a partir de 1875 [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
A vitória nos Jogos Olímpicos era considerada a mais importante entre todas as competições gregas. De acordo com o professor, tratava-se da “maior realização que um mortal poderia almejar, segundo os poetas antigos”. Os vencedores recebiam homenagens públicas, como canções, poemas e, em alguns casos, eram criadas estátuas e moedas em sua imagem. Além disso, transformavam-se em celebridades e podiam assumir funções prestigiosas, como comandar exércitos ou chefiar missões diplomáticas em nome de sua comunidade.
Scopacasa ressalta ainda que a conquista representava “glória, fama e honra não somente para o atleta e sua família, como também, e talvez principalmente, para a sua cidade-Estado ou comunidade de origem”. Naquela época, conclui, “orgulho cívico era tão importante quanto orgulho pessoal”.
Entretanto, as diversas guerras, responsáveis por enfraquecer as cidades-Estado gregas, permitiram a conquista macedônica em 338 a.C. Ainda assim, a tradição dos Jogos foi preservada. Posteriormente, após uma série de conflitos, Roma consolidou domínio sobre a região ao derrotar a Macedônia em 168 a.C., o que resultou na incorporação de seus territórios e na ampliação de sua influência sobre o mundo grego.
Com o passar dos séculos e a consolidação do domínio romano, os Jogos Olímpicos passaram por transformações que alteraram seu sentido original. A ligação religiosa com o culto aos deuses, especialmente a Zeus, entrou em conflito com a expansão do cristianismo no Império Romano. A partir do século IV d.C., decretos imperiais passaram a restringir práticas pagãs, incluindo rituais tradicionais presentes nos Jogos. O professor explica que esse processo integrou uma mudança mais ampla, em que “novos interesses e prioridades culturais aos poucos tomaram o lugar de muitos dos costumes anteriores”.
A última edição dos Jogos na Antiguidade é tradicionalmente situada em 393 d.C., embora estudos indiquem que as competições possam ter persistido por alguns anos. Segundo Scopacasa, a “morte” definitiva dos Jogos aparentemente ocorreu no reinado do imperador Teodósio II, entre 408 e 450 d.C. Esse conjunto de mudanças, somado à perda de apoio financeiro, ao desinteresse da população e ao declínio das instituições gregas, levou ao fim das Olimpíadas na Antiguidade, entre o final do século IV e o início do século V d.C.
Jogos Olímpicos na Era Moderna
Séculos depois do fim dos Jogos na Grécia Antiga, o historiador e pedagogo francês Pierre de Coubertin foi responsável por instaurar o retorno da competição. Ao defender o esporte como meio educacional, ele propôs a retomada das Olimpíadas em um modelo conciliador que fosse capaz de unir todas as nações por meio da celebração esportiva.
A primeira edição do torneio na Era Moderna foi planejada para ocorrer na França, durante a Exposição Universal de 1900. Apesar dessa proposta inicial, porém, o príncipe Constantino da Grécia optou por organizar a competição em seu território como maneira de honrar a tradição secular. No dia 6 de abril de 1896, os primeiros Jogos da Era Moderna foram inaugurados em Atenas.
Naquela primeira edição, 285 atletas de 13 países participaram das provas, que eram compostas por modalidades de 8 esportes: atletismo, ciclismo, luta, esgrima, ginástica, halterofilismo, natação e tênis. A equipe dos Estados Unidos conquistou a maior quantidade de primeiras posições em pódios, com um total de 11 ouros, 7 pratas e 2 bronzes. Já a delegação grega consagrou-se como a maior medalhista ao somar 47 pódios — 10 ouros, 18 pratas e 19 bronzes.
Entretanto, o padrão de medalhas utilizado atualmente ainda não existia na época. Os vencedores daquela edição receberam medalhas de prata e ramos de oliveiras, enquanto os vices foram premiados com medalhas de cobre e ramos de louro. As medalhas de ouro, prata e bronze para os três primeiros colocados foram introduzidas apenas na edição de St. Louis, em 1904. Ou seja, o quadro histórico de medalhas utiliza os padrões atuais para dar coesão cronológica.
Com o passar das décadas, mais países passaram a integrar a competição e novas modalidades foram incorporadas ao torneio. As Olimpíadas são realizadas de quatro em quatro anos, assim como ocorria na Antiguidade. Ao longo de 130 anos desde a primeira edição da Era Moderna, apenas três foram canceladas: em 1916, devido à Primeira Guerra Mundial, e em 1940 e 1944, por conta da Segunda Guerra Mundial. Em 2020, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para o ano seguinte devido à pandemia de Covid-19.
Em 2024, os Jogos de Paris reuniram cerca de 10.500 atletas que representavam 203 Comitês Olímpicos Nacionais, divididos entre provas de 32 esportes. Ao fim da competição, os Estados Unidos permaneceram na liderança do quadro de medalhas das Olimpíadas de Verão com um total de 2523 pódios. A antiga União Soviética ocupa o segundo lugar com 1010 medalhas acumuladas, seguida pela Grã-Bretanha com 853.
Personalidades da história olímpica
Pierre de Coubertin (1863-1937)

Além de fundar os Jogos Olímpicos da Era Moderna, Pierre de Coubertin tornou-se um dos líderes da reforma educacional francesa ao defender a inclusão do esporte na educação [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Charles Freddye Pierre de Coubertin, conhecido como Barão de Coubertin, nasceu em 1º de janeiro de 1863, em Paris.
Notável entusiasta do esporte, iniciou o movimento olímpico ao inspirar-se nos Jogos realizados na antiguidade. De maneira oposta à organização grega, porém, Coubertin determinou que as Olimpíadas da Modernidade incluíssem atletas de vários países como forma de integração e manutenção de um mundo pacífico.
Coubertin também foi fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI), criado em 23 de junho de 1894 com o objetivo de organizar os Jogos Olímpicos da Era Moderna. A organização tinha sede em Paris, mas foi alterada para Lausanne, na Suíça, no contexto da Primeira Guerra Mundial.
Coubertin faleceu em 2 de setembro de 1937, em Genebra, Suíça.
Dimitrios Vikelas (1831-1908)

Dimitrios Vikelas foi escolhido para ser o primeiro presidente do COI, mesmo com pouca experiência esportiva [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Membro de uma rica família de comerciantes, Dimitrios nasceu em Syros, uma ilha grega do arquipélago de Cíclades, no dia 15 de fevereiro de 1831. Durante uma estadia em Paris, dedicou-se à literatura e se aproximou de Pierre de Coubertin. Tal afinidade fez com que Dimitrios fosse convidado para representar a Grécia no Primeiro Congresso Olímpico, que ocorreu em Paris no ano de 1894.No evento, foi eleito para ser o primeiro presidente do COI.
Durante seu período em exercício do cargo, Dimitrios e Pierre tiveram discordâncias sobre qual deveria ser a cidade-sede das primeiras Olimpíadas da Era Moderna. Enquanto Coubertin defendia que o torneio fosse realizado em Paris, Vikelas contestou a decisão com o apoio de outros cidadãos gregos, que se orgulhavam de ter iniciado tal evento na antiguidade e desejavam manter a tradição em solo local.
Apesar de ter conseguido realizar a primeira Olimpíada na Grécia, Dimitrios renunciou ao cargo após o evento e passou a atuar de outros modos na organização. Ele faleceu em 20 de julho de 1908, em Atenas.
Spyridon Louis (1873-1940)

A maratona era a prova que os gregos mais desejavam vencer, devido a sua inspiração no feito de Fidípides [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
Spyridon Louis, mais conhecido como Spyros, nasceu em Marousi, na Grécia, em 12 de janeiro de 1873. Originalmente era um trabalhador comum, de vida humilde. Ao completar a idade de serviço militar, alistou-se para o Exército Helênico, ramo terrestre das Forças Armadas da Grécia. Foi ali que Spyros teve o primeiro contato com o esporte olímpico: o responsável pela seletiva de atletas gregos para a competição era um Coronel do exército, que sugeriu a ele que participasse dos testes devido a seu potencial no atletismo. Assim, Spyros tornou-se um dos 12 maratonistas gregos que representaram o país naquela primeira edição.
No início da maratona, três estrangeiros ocupavam as três primeiras posições. Ao decorrer da prova, porém, o francês Albin Lermusiaux, que estava na liderança, desmaiou de exaustão e abandonou a corrida. O australiano Teddy Flack, que ocupava o segundo lugar, também deixou a competição devido ao cansaço, mas não sem antes ser ultrapassado por Spyros, que venceu a disputa.
Em razão de sua vitória nos Jogos, o rei Jorge I da Grécia decidiu conceder qualquer desejo ao maratonista. Em resposta, Spyridon exigiu apenas um burro e uma charrete para ajudar nas atividades domésticas, e chegou a tornar-se um agente policial. Após sua condecoração, o atleta não teve outras aparições públicas.
Quatro anos depois, comunicou-se o falecimento de Spyros, em 26 de março de 1940. Em 2004, o Estádio Olímpico de Atenas foi nomeado em sua homenagem.
James Connolly (1868-1957)

Além de vencer a prova de salto triplo, Connolly também conquistou o segundo lugar no salto em altura e o terceiro lugar no salto em distância [Imagem: Reprodução/COI]
James Brendan Connolly, também conhecido como Jamie, nasceu em 28 de outubro de 1868, em Boston, nos Estados Unidos.
Dedicado à modalidade de salto, tornou-se o primeiro medalhista olímpico da Era Moderna ao sair de Harvard para competir nos Jogos de 1896. Após ser proibido pela universidade de participar do evento esportivo e decidir deixar seu curso para competir, Jamie retornou ao câmpus apenas em 1950 para participar de uma palestra sobre literatura.
A conquista da medalha veio após o atleta dar dois saltos com o pé direito e um pulo, o que o fez alcançar uma distância mais longa do que o resto dos concorrentes e vencer a prova de salto triplo. James concluiu a competição com o resultado de 13,17m, e manteve 1,01m de diferença do segundo colocado. O francês Alexandre Tuffèri, que ocupou a segunda posição no pódio, alcançou 12,70m.
O atleta serviu na 9° Infantaria do estado de Massachusetts após o evento, mas voltou a competir nos Jogos de Paris em 1900, quando foi superado por um compatriota. Além disso, também serviu à Marinha e concorreu politicamente em 1912, mas foi derrotado. Por fim, dedicou-se à escrita e ao jornalismo.
Connolly faleceu em Brookline, Massachusetts, em 28 de janeiro de 1957.
O Brasil nos Jogos Olímpicos
Com 170 medalhas em 65 modalidades de 18 esportes, o Brasil acumula o total de 24 participações nas Olimpíadas, sem contabilizar as edições de inverno dos jogos. Entre os esportes que mais contribuíram para a presença verde e amarela nos pódios, o judô aparece como principal destaque, com 28 medalhas conquistadas. Em seguida estão o atletismo (21 medalhas) e a vela (19 medalhas). Outras modalidades relevantes incluem a natação (15 medalhas) e o vôlei de praia (14) que, se considerado juntamente com os resultados obtidos no vôlei de quadra (12 medalhas), figura entre os esportes com mais medalhistas na história brasileira.
A primeira participação do Brasil nos Jogos Olímpicos Modernos só ocorreu em 1920, na Antuérpia, 24 anos após a edição inaugural de 1896. Nessa primeira participação, a delegação brasileira contava com 21 atletas inscritos em apenas 5 modalidades: polo aquático, remo, natação, saltos ornamentais e tiro esportivo. Na ocasião, o grupo levou um mês de viagem até a sede dos jogos, em um navio cedido pelo governo federal.
O Brasil conquistou as primeiras medalhas logo em sua estreia, todas na modalidade de tiro esportivo. Os atletas conquistaram bronze na categoria pistola livre em equipe, prata no segmento de pistola livre individual e ouro em tiro rápido individual. Mesmo que a participação de mulheres já fosse permitida pelo comitê olímpico, todos os atletas da delegação de estreia eram homens. A primeira brasileira a participar dos Jogos Olímpicos foi a nadadora Maria Lenk, que custeou a própria viagem juntamente com outros 68 atletas para comparecer à edição 1932, realizada em Los Angeles.
Essa arrecadação de fundos organizada pelos próprios atletas era uma prática comum, visto que o esporte olímpico brasileiro foi marcado durante décadas pela falta de investimento e estrutura. Muitos atletas costumavam treinar em condições precárias, conciliar a carreira esportiva com outros trabalhos e enfrentar dificuldades para competir em alto nível, muitas vezes sem contar com apoio financeiro ou acompanhamento profissional adequado.
“Fácil é sonhar todas as noites; difícil é lutar por um sonho todos os dias”
Lorena Molinos, atleta de nado sincronizado
Atualmente, devido a criação do Ministério do Esporte, que visa regularizar a área por meio da criação de programas e leis — como o Bolsa Atleta, criado em 2005, e a Lei de Incentivo ao Esporte, criada em 2007 —, esse cenário melhorou e o avanço do profissionalismo nos esportes olímpicos tem sido um fator determinante para o desempenho positivo do Brasil nas últimas edições dos Jogos. A conquista dessas melhorias não foi repentina: durante anos, atletas de todo o país lutaram para ter os seus direitos reconhecidos e suas demandas acatadas.
Em 2019, através da campanha virtual #JuntosPeloEsporte, atletas olímpicos protestaram contra a transformação do Ministério do Esporte em uma secretaria incorporada ao Ministério da Cidadania, já que essa mudança afetava diretamente a autonomia e a agilidade do órgão federal responsável por planejar, coordenar e financiar as políticas públicas esportivas. Apenas em 2023 a Secretaria do Esporte foi dissolvida e o Ministério do Esporte voltou a se autogerir.
Nos últimos anos, no entanto, tais mudanças tornaram-se cada vez mais significativas. Atletas passaram a contar com equipes multidisciplinares — que incluem treinadores especializados, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos — além de ter acesso a centros de treinamento mais modernos. Programas de incentivo, como bolsas e patrocínios, também contribuíram para que esportistas pudessem se dedicar integralmente à preparação.
Esse avanço contribuiu diretamente para a melhora no desempenho do país em competições internacionais. Ainda assim, especialistas apontam que os avanços não são homogêneos nem uniformes e que ainda persistem desafios, sobretudo em modalidades com menor visibilidade.
“O que valia era o conceito do amadorismo. Eu competi com um uniforme emprestado, que tive de devolver quando as provas acabaram”
Maria Lenk, atleta de natação
Esportes tradicionais como futebol, vôlei e judô permanecem como a base do sucesso brasileiro, com destaque também para a vela. Mais recentemente, a ginástica artística ganhou projeção internacional devido à atuação de atletas como Jade Barbosa, Flávia Saraiva e Rebeca Andrade, bicampeã olímpica e maior medalhista da história do Brasil nos Jogos Olímpicos, com um total de 6 pódios (2 ouros, 3 pratas e 1 bronze).
Nas últimas edições, o Brasil estabeleceu novos recordes de rendimento e consolidou sua presença competitiva. Prova disso é o desempenho recente nos Jogos de Tóquio 2021 e Paris 2024, em que o país alcançou respectivamente 21 (7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes) — sua melhor campanha — e 20 medalhas (3 ouros, 7 pratas e 10 bronzes).
RIO 2016, o Brasil como país sede
Em 2016, o Brasil foi eleito pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para sediar o maior evento esportivo do mundo. Tal decisão representou um marco histórico, uma vez que nenhum outro país na América Latina havia sediado as Olimpíadas até então. Entre os meses de agosto e setembro, o Rio de Janeiro, capital turística do Brasil, recebeu mais de 11 mil atletas de 207 nações diferentes e em média 1,7 milhões de amantes do esporte — tanto brasileiros quanto estrangeiros —, interessados em torcer e participar da ocasião.

A tocha olímpica passou pelas mãos de 10 mil pessoas, sendo carregada durante um revezamento que durou 100 dias e que percorreu os 27 estados brasileiros. [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
No quesito desempenho esportivo, o país anfitrião registrou sua melhor campanha até aquele momento com a conquista de 19 pódios e sete ouros. O principal destaque foi a inédita medalha de ouro no futebol masculino, um feito simbólico para um país historicamente associado à modalidade e essencial para a reafirmação do potencial das jovens promessas do futebol, como é o caso de Neymar Jr.
Além das conquistas presentes no quadro de medalhas, os Jogos Olímpicos do Rio 2016 também geraram impactos relevantes em outras esferas, como melhorias em infraestrutura, intervenções urbanas — especialmente na zona oeste do Rio — e maior visibilidade internacional para o Brasil. Mais do que um evento esportivo, a Olimpíada representou um marco político, econômico e social, e evidenciou tanto a capacidade do país de sediar competições de grande porte quanto os desafios estruturais enfrentados pelos atletas que permaneceram em pauta no período pós-olímpico.
*A capa desta matéria usa uma imagem editada do Flickr, por Juanje Orío
