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Copa do Mundo 2026 | Suécia: entre o legado histórico e as promessas de uma nova era

Com o peso de um vice-campeonato mundial e pódios históricos na bagagem, os suecos apostam em uma geração de craques para recuperar o protagonismo no cenário internacional

Por Ana Rita Hernandes da Costa (anaritahernandes@usp.br) suécia

Após um ciclo de instabilidade e mudanças, fora da Copa de 2022 e com a aposentadoria do ídolo Ibrahimović, a Seleção Sueca chega ao Mundial de 2026 apoiada em uma geração promissora liderada por Graham Potter e impulsionada por nomes como Alexander Isak e Viktor Gyökeres. A equipe busca recuperar um protagonismo histórico perdido nos últimos anos, mas sem abrir mão da tradicional organização tática.

O caminho até a América

A equipe chega à Copa de 2026 cercada por expectativas em torno de uma geração considerada uma das mais talentosas do país nos últimos anos. Sem depender exclusivamente da força física e do jogo direto que marcaram eras anteriores, a Suécia passou a apostar em maior intensidade ofensiva, pressão alta e mobilidade no ataque.

A reta final do país nas Eliminatórias foi marcada pelo contraste entre a campanha ruim na fase de grupos e a recuperação decisiva na repescagem. A seleção terminou na lanterna do grupo B nas Eliminatórias europeias, ao lado da Suíça, Kosovo e Eslovênia, sem conseguir vencer um único jogo e com apenas dois pontos na tabela, vindos de dois empates com a equipe eslovena na primeira e sexta rodada da fase de grupos. 

Ao considerar apenas esse cenário, a participação no Mundial não seria possível para os suecos. Porém, o regulamento da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) reserva vagas na repescagem para as seleções com bom desempenho na Nations League e que não tenham conseguido classificação direta. É o caso da Suécia, que havia sido campeã de seu grupo na Liga C da competição.

O técnico dinamarquês Jon Dahl Tomasson saiu do comando da equipe após as derrotas nas Eliminatórias e cedeu à Graham Potter a liderança em outubro de 2025. Mesmo com resultados ruins, o inglês conseguiu reorganizar o time a tempo de aproveitar a chance na repescagem, e buscou explorar o contra-ataque e usar o centroavante como ponto de referência. 

O time chegou na decisão pela vaga no Mundial com um futebol competitivo. Venceu a Ucrânia na semifinal por 3 a 1, com atuação dominante e três gols de Viktor Gyökeres, atacante do Arsenal e atual campeão da Premier League. Em Estocolmo, na final, a Suécia enfrentou a Polônia em uma partida acirrada e saiu vitoriosa por 3 a 2 após um duelo equilibrado decidido apenas nos minutos finais, com gol de Gyökeres aos 42′ do segundo tempo. Anthony Elanga e Samuel Lagerbielke também marcaram na vitória que recolocou a seleção na Copa do Mundo após a ausência em 2022.

Viktor Gyökeres garantiu a classificação com um gol aos 87’, sendo considerado do Man of the Match, principal jogador da partida [Imagem: Reprodução/Instagram/@viktorgyokeres]

Além da garantia de entrada na competição para o país escandinavo, a derrota polonesa significou a ausência de Robert Lewandowski na Copa de 2026, o que pode representar o fim de sua trajetória em Mundiais. 

História da Suécia em Copas do Mundo

A seleção da Suécia possui uma das histórias mais tradicionais do futebol europeu. Presentes em diferentes gerações de Copas do Mundo, os suecos contam com 12 participações e construíram ao longo das décadas uma identidade de organização tática e competitividade em campo.

O maior momento da história sueca em Mundiais aconteceu em 1958, Copa disputada na Suécia. Liderada por nomes como Kurt Hamrin e Nils Liedholm, a seleção chegou à primeira e única final de sua história e enfrentou o Brasil de Pelé e Garrincha na decisão disputada em Estocolmo. Os suecos abriram o placar nos minutos iniciais, mas acabaram derrotados por 5 a 2 em uma partida que entrou para a história do futebol mundial e marcou o primeiro título brasileiro em Copas.

O jogador de linha mais velho a disputar uma final de Copa, Gunnar Gren, com 37 anos, enfrentou o mais jovem de todos os tempos: Pelé, com 17 anos [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]

Mesmo sem repetir a campanha de 58, a Suécia manteve presença constante em Copas ao longo das décadas seguintes. A seleção terminou em terceiro lugar na Copa de 1994, impulsionada pela dupla ofensiva formada por Tomas Brolin e Martin Dahlin, e acumulou participações importantes, como a campanha até as quartas de final na Copa de 2018, na Rússia.

Ao longo da história, a Seleção Sueca também ficou marcada por sua capacidade de renovação entre gerações, mas com a presença constante de ídolos. Diferentes períodos do futebol do país foram liderados por jogadores emblemáticos, e Zlatan Ibrahimović é um deles. Principal nome escandinavo do século XXI, Ibrahimović transformou-se em símbolo da seleção tanto pelo desempenho dentro de campo quanto pela personalidade marcante.

Com mais de 120 partidas pela equipe, Zlatan participou de Eurocopas, Eliminatórias e Copas do Mundo, tornou-se o maior artilheiro da história da seleção, com 62 gols. Sua importância ultrapassou os números: o atacante ajudou a projetar internacionalmente o futebol sueco em uma geração que enfrentava dificuldades para competir entre as principais seleções europeias.

A aposentadoria do atacante representou o fim de uma era para a seleção. Desde então, os suecos passaram por um processo de reformulação com o objetivo de construir uma equipe menos dependente de individualidades e voltada ao coletivo. 

Convocação

A seleção da Suécia divulgou a lista dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026 em uma coletiva de imprensa realizada no dia 12 de maio, e foi a segunda equipe a divulgar a lista de escolhidos. O técnico Graham Potter estabeleceu alguns nomes que se destacam no futebol inglês e foram essenciais na repescagem, como Viktor Gyökeres, do Arsenal, Alexander Isak, do Liverpool, e Anthony Elanga, do Newcastle. 

Goleiros: 

  • Viktor Johansson (Stoke City, ENG)
  • Kristoffer Nordfeldt (Alk Solna, SWE)
  • Jacob Widell Zetterström (Derby County, ENG)

Defensores: 

  • Hjalmar Ekdal (Burnley, ING)
  • Gabriel Gudmundsson (Lille, FRA)
  • Isak Hien (Atalanta, ITA)
  • Herman Johansson (FC Dallas, EUA)
  • Gustaf Lagerbielke (SC Braga, POR)
  • Victor Nilsson Lindelöf (Aston Villa, ING)
  • Eric Smith (St. Pauli, ALE)
  • Carl Starfelt (Celta de Vigo, ESP)
  • Daniel Svensson (Nordsjaelland, DIN)

 Meio-campistas:

  • Yasin Ayari (Brighton, ING) 
  • Lucas Bergvall (Tottenham, ING)
  • Mattias Svanberg (Wolfsburg, ALE)
  • Jesper Karlström (Udinese, ITA)
  • Elliot Stroud (Mjällby, SUE)
  • Ken Sema (Watford, ING)
  • Besfort Zeneli (Elfsborg, SUE)
  • Benjamin Nygren (Nordsjaelland, DIN)

 Atacantes: 

  • Taha Ali (Malmö, SUE)
  • Alexander Bernhardsson (Holstein Kiel, ALE)
  • Anthony Elanga (Newcastle United, ING)
  • Viktor Gyökeres (Arsenal, ING)
  • Alexander Isak (Liverpool, ING)
  • Gustaf Nilsson (Union Saint-Gilloise, BEL)

Como joga a Suécia?

Graham Potter chegou à Suécia em novembro de 2025 com a missão de reorganizar uma seleção abalada. Durante a repescagem, optou pelo esquema base 3-4-3, com três zagueiros, dois alas bem ofensivos e um centroavante de referência, e seguiu com um plano mais conservador que se baseia nos contra-ataques. 

Nos jogos contra Ucrânia e Polônia, o time ficou com apenas 32% e 35% de posse de bola, defendeu em bloco compacto, explorou a profundidade e usou Gyökeres como pivô central de todas as jogadas. O centroavante do Arsenal, 17 da seleção, foi o artilheiro da classificação com um hat-trick contra a Ucrânia e gol decisivo contra a Polônia na vitória por 3 a 2 na prorrogação.

Já a defesa sueca é construída sobre um trio sólido. Victor Lindelöf, capitão e ex-Manchester United, hoje no Aston Villa, é o líder técnico da linha, com boa saída de bola e liderança dentro de campo. Ao seu lado, Isak Hien, da Atalanta, impõe fisicamente com marcação intensa e agressividade. Para fechar a zaga, a equipe conta com Lagerbielke, veloz e forte no jogo aéreo. Potter também possui Carl Starfield e Eric Smith como alternativas.

Nas alas, Daniel Svensson que tem uma tendência a jogar por dentro do time, e Gabriel Goodmundsson que ataca o fundo e serve a área, garantem liberdade ofensiva em ambos os lados. No meio, Karlström é o volante de referência, marcador e, ao seu lado, Ayari foca em recuperar, avançar e criar soluções ofensivas. Mattias Svanberg e Lucas Bergvall, que tem jogado bem na liga inglesa, são opções para o setor.

Na frente, a Suécia tem o que poucas seleções do mundo podem oferecer: Gyökeres, nome central, um finalizador habilidoso com facilidade de chegar até o gol, especialista em arrancadas e transições. Ao seu lado, ou atrás como 3º meia, Elanga mostra-se com velocidade característica, um ponta objetivo que ataca o espaço e não desperdiça as oportunidades de profundidade. Outro nome que pode ser escolhido para o ataque é Gustaf Nilsson, atualmente do Union Saint-Gilloise. 

Apesar da lesão sofrida, o atacante do Liverpool Alexander Isak também retorna a tempo da Copa. Assim, o técnico inglês poderá usar da combinação de Isak e Gyökeres para finalizar e dominar jogadas aéreas. 

Possível escalação da Seleção Sueca. Potter pode escolher a atuação em 3-4-3 ou em 3-4-2-1 [Arte: Ana Rita Hernandes/https://www.buildlineup.com/]

Por conta do perfil da equipe, a tendência é que Potter mantenha a postura mais cautelosa, assim como fez na repescagem, com foco em recuar e fechar espaços.

Destaques do ciclo de 2026

Viktor Gyökeres

Com 27 anos, o atacante do Arsenal desde julho de 2025 é o principal nome da seleção e um dos centroavantes mais relevantes do futebol europeu no momento, agora campeão da Premier League. Gyökeres apresenta uma boa combinação de força física, velocidade e capacidade de finalização. Na temporada 2024/25 da Primeira Liga portuguesa pelo Sporting, marcou um gol a cada 2,70 chutes e acertou o alvo em 66% das tentativas, números que explicam o interesse de gigantes europeus pelo sueco. Na seleção, Viktor tem bons números desde sua estreia pelo time nacional em 2019 e foi herói na repescagem, com hat-trick contra a Ucrânia e gol decisivo contra a Polônia. 

Alexander Isak

O atacante do Liverpool conta com 23 gols em sua última temporada da Premier League antes da lesão sofrida em dezembro de 2025. Foi superado apenas por Mohamed Salah na disputa pela Bola de Ouro inglesa, e ainda acumulou 211 toques na área adversária, segundo maior número da liga. O sueco voltou aos treinos em abril e foi convocado para o Mundial mesmo sem ter jogado pela equipe neste ano, porém continua destacando-se como grande potencial de ataque e opção de dupla para Gyökeres. 

Anthony Elanga 

Ponta do Newcastle, Elanga se destaca por sua velocidade. O jogador é um atacante de profundidade que aproveita qualquer espaço ou sobra de bola, e funciona perfeitamente no modelo de transição rápida que Potter quer implementar. Dentro do esquema sueco, tem liberdade para buscar o corredor direito e criar desequilíbrio na equipe adversária. 

Lucas Bergvall 

Com apenas 20 anos, Bergvall chega à Copa do Mundo como uma das boas esperanças da Suécia. Saiu do Djurgården para o Tottenham em 2024 e chamou atenção por ter recusado o Barcelona para escolher os Spurs. Meio-campista moderno e versátil, tem excelente controle de bola, precisão nos passes curtos e médios, boa visão de jogo e capacidade de pressão. Completa uma média impressionante de passes e tem compostura notável para a idade. Esteve nos dois jogos decisivos da repescagem e é visto como peça central no projeto de renovação da seleção.

Expectativas e desafios 

A Seleção Sueca se encontra no Grupo F, junto da Holanda, Japão e Tunísia. Seu primeiro jogo será neste domingo (14), às 23h (BRT), contra a Seleção Tunisiana, em Guadalupe, no México.

O camisa 3, Victor Lindelöf, é capitão da equipe [Imagem: Reprodução/Fifa] 

O Grupo F da Copa do Mundo de 2026 pode ser apontado como uma chave equilibrada. A Holanda, sob o comando de Ronald Koeman, chega como a favorita da chave, já que conta com Van Dijk na defesa, De Jong no meio e Memphis Depay no ataque. 

O Japão também é um adversário a se preocupar, por ser tradicionalmente um time que realiza jogos intensos e técnicos nas Copas. Jogadores como Mitoma, Kubo, Endo e Kamada dão qualidade técnica e velocidade ao time.  

A estreia contra a Tunísia, seleção africana que aposta em organização tática e intensidade,  pode ser decisiva para a classificação sueca no grupo. O grupo não apresenta um cenário totalmente definido, e a disputa pelas vagas no mata-mata tende a ser decidida nos detalhes. Com Gyökeres, Isak e até o novo sistema de Potter, a Suécia tem chances reais para avançar. 

*Imagem de Capa: Reprodução/X/@svenskfotboll 

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