Por Larissa Santos (larissasantos22@usp.br)
O terceiro dia d’A Feira do Livro de 2026 ocorreu em 1º de junho e continuou a atrair diversas pessoas interessadas em livros, histórias e lazer. O vasto acervo presente no festival a céu aberto reúne desde livros infantis e juvenis até livros acadêmicos e religiosos, além de contar com convidados de diferentes áreas de atuação.
O evento contou com programações oficiais e paralelas ao longo do dia, atividades culturais e literárias organizadas pelas próprias editoras, livrarias e expositores. As programações independentes ocorrem em três Tablados Literários: Espaço Motiva, Tablado Mário de Andrade e Tablado Bubu.
Locais como os Tablados Literários, dedicados a lançamentos de livros, contação de histórias, acessibilidade, diversidade na literatura, debates, encontros com autores e sessões de autógrafos, são promovidos de modo independente e funcionam como pequenos festivais dentro da programação principal.
Entre as biografias
Dentro da programação oficial, houve um debate no Palco da Praça com Pedro Bial, jornalista, apresentador e escritor, e Uirá Machado, jornalista e escritor, mediado por Anita Efraim, jornalista e comentarista, com o tema Além do Jogo, no qual os autores contaram a história por trás das biografias que escreveram.
Bial falou sobre sua obra Isabel do Vôlei: da vida à onda mais alta de Ipanema (Gente, 2025), enquanto Machado apresentou Entre Bispos e Reis: a trajetória de Mequinho, um gênio brasileiro do xadrez (Todavia, 2026).
Os autores relataram o processo de produção das obras, suas relações com os biografados e o papel que a biografia desempenha em suas vidas.

Organização do evento
O evento conta com um gramado onde é possível relaxar, ler livros e aproveitar a companhia da família e dos pets. Localizado na área central aberta da Praça Charles Miller, os visitantes podem acompanhar as sessões realizadas no Palco da Praça por meio de um telão ao ar livre.
A Feira conta com mapas para auxiliar na localização dos palcos e tablados, além de ter sua programação disponibilizada nas redes sociais e no site oficial, o que permite que os visitantes se planejem para as atividades de seu interesse.

Em entrevista ao Sala33, Rodolfo Mondoni, jornalista de negócios do Estadão, contou um pouco de sua experiência no festival. Frequentador de outras edições da Feira, ele afirma que os dias de semana costumam proporcionar um ambiente mais tranquilo para conhecer estandes e autores, especialmente os independentes. Além disso, destaca que o evento é um espaço não apenas para a compra de livros, mas também para passear e encontrar amigos.
Encontro sobre comportamento
Entre as programações mais aguardadas do evento esteve a participação do jornalista e escritor norte-americano Charles Duhigg, autor do best-seller O Poder do Hábito (Random House, 2012). Uma conversa sobre sua trajetória como escritor e sobre suas obras foi realizada e rendeu diálogos sobre psicologia, comportamento humano e maneiras de desenvolver conexão com outras pessoas.

Mediada pela jornalista Cris Naumovs, a mesa abordou as motivações que levaram Charles Duhigg a pesquisar e escrever seu livro Supercomunicadores (Random House, 2024). Segundo o autor, a ideia surgiu a partir de uma conversa com sua esposa sobre problemas que enfrentava no trabalho e de sua própria reação aos conselhos que ela ofereceu para o ajudar a resolver a situação.
A experiência o instigou a pesquisar mais sobre a comunicação humana e a observar as técnicas que tornam algumas conversas eficazes, enquanto outras não produzem o mesmo efeito.
Para Charles, estar em sintonia com o objetivo da conversa da outra pessoa contribui para uma comunicação mais eficiente. “O objetivo de um supercomunicador é explicar às pessoas esses tipos de conversa para que tenhamos o mesmo tipo de conversa e possamos encontrar conexão”, afirmou.
“Nós podemos ter controle sobre nosso hábito mental e assim desenvolver uma comunicação melhor com outras pessoas”
Charles Duhigg
Grande aldeia literária

[imagem: Larissa Santos /Acervo Pessoal]
Em entrevista à Jornalismo Júnior, Diogo Oliveira, escritor e criador de conteúdo literário para autores. “É um lugar bacana para encontrar pessoas fora da internet, ver pessoalmente as pessoas que você só acompanha digitalmente e conhecer títulos diferentes que, às vezes, o algoritmo não te entrega. Aqui no Pacaembu é um ambiente propício para isso: se encontrar, conversar, sentar e ler”, afirmou.
*Imagem de capa: Larissa Santos /Acervo pessoal
