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Márcio França avalia cenário político e perspectivas para sua pré-candidatura ao Senado em evento em São Paulo

Em roda de conversa com representantes da sociedade civil, o ex-ministro criticou a polarização de discursos políticos e a falta de decisões efetivas para o crescimento e desenvolvimento da capital paulista
Na imagem, Fernando Guimarães (à esq), Márcio França (centro), e Renato Afonso (à dir).
Por Vitoria Mendes (vitoria_luisalmendes@usp.br

Na segunda-feira, 1 de junho, Márcio França (PSB),  ex-ministro de Portos e Aeroportos em 2023 e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte em 2026, participou de uma roda de conversa promovida pelo movimento Direitos Já! Fórum pela Democracia, que reuniu representantes de associações civis e autoridades políticas na Casa de Portugal, em São Paulo. Sob o tema “Democracia e Desenvolvimento”, o pré-candidato ao Senado também dialogou sobre o cenário político atual e as possibilidades para sua candidatura nas  eleições de 2026. 

Mediada pelo Coordenador do Direitos Já!, Fernando Guimarães, e pelo Presidente da Casa de Portugal, Renato Afonso Gonçalves, a conversa  ressaltou  a necessidade da apresentação de líderes que, estrategicamente, tenham um papel a cumprir pela sociedade e pela defesa da democracia brasileira. Segundo os mediadores, Márcio França é um exemplo dessa competência. 

Para Guimarães, a pré-candidatura de França ao Senado representa o que intitulou como uma  “engenharia política” entre os 26 estados brasileiros. Segundo ele, o método consiste em uma ampliação do campo democrático da esquerda à direita para o enfrentamento da crescente extrema-direita no Senado Federal. Nesse sentido, ele destaca dois nomes viáveis e representativos nesse modelo: Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

O legado de São Paulo frente ao Brasil 

Durante a roda de conversa, França foi  questionado pelos presentes sobre temas educacionais e políticos com base em seus mais de 40 anos de atuação na carreira pública.

Ao falar sobre o perfil do eleitorado, França afirmou que a população do estado de São Paulo é profundamente polarizada quanto às plataformas eleitorais e se contrapõe aos estados que têm maioria com pensamento progressista. Tal polarização, para ele, não foi iniciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas pelo ex-governador de São Paulo, João Doria, durante a disputa eleitoral de 2018, pelo que chamou de “lógica mentirosa” da idealização de um Estado incompetente e da sacrificação do empreendedorismo populacional.

“Eles tentaram passar uma noção de estado que não educa, onde a saúde não funciona, que os impostos sustentam uma multidão de pessoas que não fazem nada. Eles conseguiram embutir essa lógica mesmo não sendo verdade”, disse.

Ele ressalta a necessidade de candidaturas mais alinhadas ao centro, que garantam possível vitória pela obtenção de pequena parcela de votos que poderiam ser atribuídos ao adversário político. “Da Bahia para baixo, que são estados menos progressistas, precisam ter candidaturas mais ao centro para pegar um pedacinho do adversário, para disputar, no final das contas, 3%”, afirmou. 

Carlos Antonio Luque, presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), questionou o pré-candidato quanto à desarticulação das Secretarias Nacionais e à falta de auxílio adicional àqueles que se inserem no Sistema de Cotas — tema central das políticas de França, responsável por investimentos na rede pública de educação e pela regulamentação da Lei de Cotas. Para o ex-ministro, o sucateamento educacional evidencia a má gestão política do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Temos muitos recursos, uma boa estrutura financeira, mas ao invés de crescermos proporcionalmente com o nosso dinheiro, nós estamos involuindo. São Paulo a cada ano cai um pouco pela falta de novidades”, disse França.   

“Os resultados estão ruins em todos os níveis educacionais de São Paulo, isso significa que a gestão não está boa. As ações devem ser pensadas e coordenadas”. 
Márcio França 

Na imagem, o pré-candidato ao Senado pelo PSB, Márcio França
Márcio França é filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) desde 1988, marco inicial de sua trajetória política [Imagem: Vitoria Mendes/Jornalismo Júnior]

Questionado pelos escassos investimentos em cultura pelo governo estadual, Márcio França afirmou que a cultura e os esportes são pilares que possuem gastos orçamentais considerados pequenos frente a outros recursos governamentais, mas que são essenciais para o resgate da autoestima da população brasileira. Para ele, os mais jovens não possuem condições financeiras para usufruir do acesso cultural ao público e ressalta que, por meio da contratação de profissionais da cultura pelas escolas, o acesso poderia ser universalizado. 

Segundo dados do Informativo de Finanças e Orçamento da bancada de vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixou de executar R$ 37,1 milhões de recursos destinados à cultura em São Paulo em 2025, o que aumentou os impactos às vivências artísticas. 

Para França, não faltam espaços físicos para a implementação de maior aporte dos conteúdos culturais, falta uma gestão correta dos governantes para a possibilidade de convênios mais abundantes. “Os pensamentos dos envolvidos com a cultura não devem ser de receber mais um pouquinho, devem ser grandes. De um pensamento de aumento orçamentário alto, de dez vezes mais, vinte vezes mais”, afirmou. 

A reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Raiane Assumpção, perguntou à França sobre a valorização da produção da universidade pública frente às questões orçamentárias de corte de gastos das universidades federais. Para ele, do ponto de vista financeiro, as afirmações de falta de recursos orçamentários não são verídicas, mas a falta de decisões políticas amplas de retirar recursos de um lado para estimular outros, sim. “A decisão de que quem ganha até R$5 mil não vai mais pagar Imposto de Renda foi simples, por exemplo. Cobramos da parte de cima e deixamos de cobrar da parte de baixo. É tirar de um lado e pôr no outro”, respondeu o ex-ministro.

O ex-ministro ainda explicou que, há anos, a decisão de diminuir e excluir o serviço público foi um grande erro. Para o pré-candidato, a lógica de enfraquecer o público para reter maiores valores orçamentários gerou negligência às estruturas e tecnologias nacionais, além de fomentar o que identificou como uma “ditadura orçamentária”. “Por que não fazemos as nossas empresas públicas funcionar direito para que elas possam gerenciar o público? A lógica era enfraquecer para poder reter. É a lógica cruel de que o orçamento é assim, mas ele não é”, ressaltou. 

“Governar é decidir, é tentar criar compensações para que todos tenham oportunidades. As pessoas não serão iguais, mas as oportunidades devem ser”. 
Márcio França

Da roda de conversa às urnas eleitorais

Ao ser questionado quanto à decisão das pré-candidaturas para o Senado Federal e para o governo do estado de São Paulo, França disse que cogita fazer apenas o que ajudaria na manutenção da democracia. “Eu não farei nada que prejudique a candidatura do presidente Lula. Se for para manter a democracia, qualquer cargo vale a pena”, afirmou.  

Na imagem, Marcio França em enrtevista a jornalistas
França foi vice-governador de Geraldo Alckmin (PSB) e tornou-se governador com a renúncia do político ao cargo, em 2018 [Imagem: Vitoria Mendes/Jornalismo Júnior]

França também foi questionado acerca da disposição preferencial do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Executivo paulista, Fernando Haddad (PT), por uma chapa ao governo de São Paulo constituída por um candidato homem e uma candidata mulher — referência a Simone Tebet e Marina Silva.

Para ele, a proposta de Haddad é interessante por contrapor à chapa eleitoral do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que optou por quatro homens como candidatos. “Quanto a elas [Tebet e Silva], Simone é um nome muito forte, assim como Marina. As duas são mulheres, as duas são ministras, as duas disputaram eleições à Presidente da República. As duas estão muito bem colocadas”. França também afirma que os números das pesquisas mostram uma surpreendente aproximação do PSB e do PT frente às eleições de 2026 e sugere um segundo turno mais apertado que nas últimas eleições. 

Sobre o evento

O evento faz parte de um ciclo de debates promovido pelos Direitos Já! Fórum pela Democracia, com foco na reconstrução democrática, no desenvolvimento sustentável e na inclusão social. 

Márcio França  foi o terceiro convidado da iniciativa, que já contou com a presença de Fernando Haddad, além da participação da pré-candidata ao Senado Federal por São Paulo, Simone Tebet. Para a coordenação do Direitos Já!, o incentivo a conversas com pré-candidatos à eleição de 2026 fomenta o direito à cidadania e participação política ativa da sociedade civil, além de elucidar visões e projetos políticos dos candidatos convidados. 

Imagem de capa: Reprodução/Eder Gomes – Direitos Já!

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