Por Melissa Siqueira (melissasiqdiogo@usp.br) estados unidos
Quase um século depois de disputar a primeira Copa do Mundo da história, em 1930, os Estados Unidos se preparam para mais um capítulo de sua trajetória no torneio. No Mundial inaugural, realizado no Uruguai, a Seleção terminou na terceira colocação – resultado que permanece como sua melhor campanha até hoje.
Em 2026, em sua 12º participação, o país sediará a competição ao lado de México e Canadá. Sob o comando de Mauricio Pochettino, os estadunidenses buscam superar o retrospecto recente, marcado pela ausência na Copa de 2018 e pela eliminação nas oitavas de final em 2022.
A busca pela consolidação
Enquanto a seleção feminina dos Estados Unidos (as USWNT) é reconhecida internacionalmente como uma das maiores potências do futebol, o time masculino ainda busca consolidar seu espaço na modalidade. Há décadas, o país investe na popularização do esporte: a contratação de Pelé pelo New York Cosmos, em 1975, ajudou a ampliar a visibilidade do futebol; a realização da Copa do Mundo de 1994 impulsionou o interesse do público e abriu caminho para a criação da Major League Soccer (MLS), em 1996; e, mais recentemente, a chegada de Lionel Messi ao Inter Miami trouxe novo fôlego ao crescimento da modalidade no país com o chamado “efeito Messi”.

As americanas já venceram quatro das nove Copas do Mundo Femininas realizadas, além de quatro medalhas de ouro olímpicas [Imagem: Reprodução/Instagram/@usynt]
Além do crescimento da popularidade do futebol, os Estados Unidos também investem na formação de atletas e no fortalecimento da modalidade. Um dos principais exemplos é o Pathways Strategy, projeto da United States Soccer Federation (U.S. Soccer), que busca tornar o futebol mais acessível no país e possibilitar que mais jovens se desenvolvam no esporte a longo prazo.
Reflexos deste trabalho buscam ser observados na seleção masculina, uma das principais vitrines do processo. Desde setembro de 2024, após o encerramento da segunda passagem de Gregg Berhalter pelo comando técnico, a equipe é treinada pelo argentino Mauricio Pochettino, que assumiu a missão de elevar o nível competitivo dos norte-americanos.
Apesar de resultados irregulares, incluindo duas derrotas consecutivas nos amistosos de março, o treinador terá de transformar o potencial em resultados dentro de campo. No Grupo D, os anfitriões enfrentarão Austrália, Paraguai e Turquia em busca de uma campanha que confirme a evolução do futebol no país.
American way of playing
Pochettino pretende incorporar a “tradicional mentalidade vencedora” norte-americana ao time no Mundial deste ano. O ex-comandante do Tottenham é conhecido por implementar um futebol ofensivo, com forte pressão e organização tática, e apostará em uma estrutura ofensiva e competitiva baseada em jovens talentos.
Seu esquema tático costuma adotar o formato 4-3-3: com a bola, os Estados Unidos procuram construir as jogadas com aceleração na transição para explorar a velocidade dos pontas e os espaços deixados pelos adversários. Sem a posse de bola, adotam uma postura agressiva de marcação, de modo que os atacantes pressionam a saída de bola rival, enquanto os meio-campistas encurtam os espaços para dificultar a progressão adversária. O objetivo é recuperar a posse em zonas avançadas do campo e transformar rapidamente a pressão em oportunidades de gol.
A espinha dorsal do time é formada por atletas que atuam em ligas europeias. O atacante Christian Pulisic é a principal referência técnica da equipe, enquanto Tyler Adams e Weston McKennie garantem intensidade e equilíbrio no meio-campo. Ao redor deles, os jogadores procuram oferecer dinamismo a um elenco que quer aproveitar o fator casa para melhorar suas recentes campanhas em Copas do Mundo.

O meia-direita Timothy Weah é filho de George Weah, ídolo do PSG e do Milan – e também ex-presidente da Libéria. Até hoje, George segue como o único jogador africano a conquistar a Bola de Ouro [Arte: Melissa Siqueira]
Os 26 selecionados dos Estados Unidos
Com o meio-campista Tanner Tessmann fora da competição devido a uma lesão, Pochettino divulgou a lista de convocados para a Copa do Mundo de 2026 no dia 26 de maio. Os jogadores escolhidos foram:
Goleiros
- Chris Brady (Chicago Fire, EUA)
- Matt Freese (New York City FC, EUA)
- Matt Turner (New England Revolution, EUA)
Defensores
- Alex Freeman (Villarreal, ESP)
- Antonee Robinson (Fulham, ING)
- Auston Trusty (Celtic, ESC)
- Chris Richards (Crystal Palace, ING)
- Mark McKenzie (Toulouse, FRA)
- Max Arfsten (Columbus Crew, EUA)
- Sergiño Dest (PSV, HOL)
- Tim Ream (Charlotte, EUA)
- Miles Robinson (Cincinnati, EUA)
- Joe Scally (Borussia Mönchengladbach, ALE)
- Sergiño Dest (PSV, HOL)
Meio-campistas
- Brenden Aaronson (Leeds, ING)
- Cristian Roldan (Seattle Sounders, EUA)
- Gio Reyna (Borussia Mönchengladbach, ALE)
- Malik Tillman (Bayer Leverkusen, ALE)
- Tyler Adams (Bournemouth, ING)
- Weston McKennie (Juventus, ITA)
Atacantes
- Alex Zendejas (Club América, MEX)
- Christian Pulisic (Milan, ITA)
- Folarin Balogun (Monaco, FRA)
- Haji Wright (Coventry City, ING)
- Ricardo Pepi (PSV, HOL)
- Tim Weah (Olympique de Marseille, FRA)
De olho neles
Christian Pulisic
O camisa 10 da Seleção Estadunidense, que pode jogar como atacante ou ponta direita, se destacou no Borussia Dortmund e no Chelsea antes de chegar ao AC Milan. Caracterizado por sua velocidade, drible e capacidade de criação, Pulisic é frequentemente citado como o jogador mais talentoso da seleção dos Estados Unidos e é uma das grandes esperanças para a Copa do Mundo.

Aos 17 anos, tornou-se o mais jovem estrangeiro a marcar na Bundesliga pelo Borussia Dortmund [Imagem: Reprodução/Instagram/@cmpulisic]
Malik Tillman
Nascido de mãe alemã e pai americano, o meio-campista de 24 anos tem dupla nacionalidade e escolheu representar a seleção dos Estados Unidos – mesmo que já tenha atuado nas categorias de base da Seleção Alemã anteriormente. Tillman teve passagens de destaque no Rangers, da Escócia, e no PSV, da Holanda, antes de começar a jogar pelo clube alemão Bayer Leverkusen , em julho de 2025.

Seu irmão mais velho, Timothy Tillman, também é jogador profissional e atua no Los Angeles FC, da MLS [Imagem: Reprodução/Instagram/@malik.tillman]
Antonee Robinson
Apelidado de “Jedi”, atua como lateral-esquerdo no Fulham, na Premier League, e é considerado um dos melhores defensores do campeonato. Conhecido pela sua velocidade e capacidade defensiva, Robinson é nascido em Milton Keynes, na Inglaterra, mas é filho de um americano naturalizado, o que o tornou elegível para representar os Estados Unidos.

Seu apelido surgiu na infância, quando Robinson, fã de Star Wars, pediu ao pai que o chamasse de “Jedi” em seu primeiro time de futebol [Imagem: Reprodução/Instagram/ @antonee_jedi]
Weston McKennie
Conhecido pela sua versatilidade, McKennie já atuou como volante, meia direita, ala e até lateral-direito e esquerdo na Juventus. Embora americano, morou na Alemanha dos seis aos nove anos e começou a jogar no time alemão FC Phönix Otterbach, onde marcou oito gols logo na sua primeira partida.

McKennie é um grande fã de Harry Potter, tanto que sua comemoração de gol característica envolve balançar a mão como se estivesse usando uma varinha mágica [Imagem: Reprodução/Instagram/@west.mckennie]
Estados Unidos na Copa do Mundo
Os Estados Unidos realizam sua partida de estreia na Copa do Mundo em Los Angeles, na próxima sexta-feira (12), às 22h (BRT), contra a Seleção Paraguaia, em duelo válido pelo Grupo D.
A chave dos anfitriões é uma das mais equilibradas da competição. Embora o fator casa possa pesar a favor dos norte-americanos, Paraguai e Turquia chegam com credenciais suficientes para disputar as primeiras posições do grupo. Sem um grande favorito, a classificação deve ser definida nos detalhes, e os Estados Unidos podem precisar lutar até a última rodada para garantir uma vaga no mata-mata.
*Foto de capa: Reprodução/Instagram/@ussoccer
