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Musicais Brasileiros – Além da Broadway, o gênero cresce no Brasil
Em Cena
26 jun 2013 | Por Jornalismo Júnior

A enxurrada de adaptações dos musicais internacionais no Brasil há muito tempo já não é a única razão para a empolgação dos fãs do gênero. Os musicais brasileiros modernos vêm crescendo de modo sem precedentes, tanto em quantidade, quanto em estrutura e em público. Ao mesmo tempo em que a chegada de espetáculos clássicos como O Rei Leão, O Mágico de Oz e Billy Elliot chamam muita atenção, as produções feitas inteiramente no Brasil também geram cada vez mais expectativas.

Cena de “O Rei Leão”, da Disney. Divulgação T4F

Desde a produção brasileira de RENT, em 1999, que marca a volta do gênero aos palcos, os musicais foram se desenvolvendo até chegar à explosão que observamos hoje em que na temporada, é possível encontrar mais de 5 musicais em cartaz simultâneamente. Muito importante nesse processo foi o papel da dupla Charles Moëller e Cláudio Botelho – “Os Reis dos Musicais”, como conta a biógrafa da dupla, Tânia Carvalho, no livro de mesmo nome (Imprensa Oficial, 2009). Moëller e Botelho foram, e ainda são, responsáveis por grandes produções brasileiras que despertam da atração do público pelo gênero.

Têm-se como exemplo a produção da dupla em A Ópera do Malandro, remontagem de 1978 e espécie de “mix” entre tudo que Chico Buarque havia escrito para a Ópera no teatro e no cinema. O espetáculo foi um enorme acontecimento na cena carioca em 2003, seu ano de estreia. Os ingressos esgotavam com meses de antecedência e já havia fãs que iam vê-la mais de uma vez, falavam sobre ela nas ruas e usavam suas camisetas. Botelho declara no livro de Tânia que o espetáculo nacional foi importante justamente para “tirar um pouco o estigma de ‘Broadway-loucos’ que acompanhava a dupla”.

Outro grande musical que se opôs a essa fama da dupla de muito “americanizados” foi Sassaricando. Para o diretor, através dele “provamos que teatro bom não tem nacionalidade e que podemos tratar o teatro não como um produto a ser defendido por leis xenófobas, mas sim como algo moderno e atual, capaz de agradar a tantos quantos estejam interessados em assistir um bom espetáculo”. O musical de 2007 retrata a vida e os costumes do Rio de Janeiro através de quase cem marchinhas.

Musical Sassaricando. Divulgação Moëller&Botelho

Entretanto, não é só através da representação de traços típicos da nossa cultura que se produz um musical brasileiro. A dupla inovou com 7 – O Musical. A obra de 2007, tida como um de seus trabalhos mais importantes, foi idealizada a partir de uma série de trilhas enviadas para pelo cantor Ed Motta – e a partir delas, Möeller e Botelho construíram uma espécie de visão particular da história da Branca de Neve dos irmãos Grimm. Botelho admite que, na construção desse espetáculo, seu maior desafio “foi fazer um musical brasileiro, sem samba, sem mulata, sem carnaval, sem oba-oba”. Infelizmente, esses grandes musicais não se encontram mais em temporada, ao menos por enquanto. No caso de 7, a boa notícia é que a peça foi apenas a primeira parte de uma trilogia, dentro da qual o próximo espetáculo deve ser Verônica ou 13.

O que não falta atualmente no cenário teatral são musicais brasileiros de excelente qualidade fazendo enorme sucesso entre o público e a crítica. Um dos grandes responsáveis pelo “boom” das produções nacionais foi Tim Maia – Vale Tudo. O espetáculo, que conta a história de uma das figuras mais amadas e controversas da música brasileira através de musicas como Sossego, Me dê motivo e Azul da cor do mar; foi dirigido por João Fonseca e pode ser considerado um grande fenômeno, já que mais de 200 mil pessoas o assistiram desde sua estreia em 2011, passando por várias capitais brasileiras e encerrando sua temporada carioca no dia 30 de junho no Theatro NET Rio. Do mesmo diretor, outra grande produção que vem chamando atenção é o musical Rock in Rio. Este conta uma história fictícia e lúdica que mostra as emoções e transformações que a música é capaz de provocar. Como pano de fundo estão músicas que marcaram os quase trinta anos do festival, como Pro Dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho, Love Of My Life, do Queen e Highway to Hell, do AC/DC. O musical contou com uma enorme produção e está em cartaz São Paulo até 30 de agosto, no Teatro Alfa.

Cena do musical “Tim Maia – Vale Tudo”. Divulgação Chaim Produções

Outro espetáculo que vem enchendo de boas músicas as noites do público paulista é Vingança, montagem que tem como base a obra de Lupicínio Rodrigues. A música, a boemia e a paixão são o fio condutor da história de três triângulos amorosos no sul do Brasil em 1950. As músicas de Lupicínio são conhecidas por retratar a melancolia que gera o amor perdido e a conhecida “dor-de-cotovelo”- termo criado pelo compositor. Fazem parte da peça músicas como Vingança, Quem há de dizer e Se acaso você chegasse. O musical está em cartaz até o dia 4 de julho no palco do CCBB e os ingressos já estão esgotados, mas é possível tentar obtê-los entrando na fila de espera.

Para continuar esse processo fantástico de crescimento, o próximo passo do teatro musical brasileiro é criar cada vez mais coisas novas. Novas músicas, novas histórias. É necessário investir na dramaturgia e ir além do que ainda predomina no gênero, os musicais biográficos. Cláudio Botelho já afirmou em entrevista ao jornal O Globo que “ainda temos poucos musicais com canções e histórias inéditas, sem serem baseadas em pessoas ou fatos reais. Temos que nos inspirar no que fizeram Tom e Vinicius em ‘Orfeu‘”; referindo-se a Orfeu da Conceição, peça importantíssima do gênero que conta a história do mito grego de Orfeu adaptando-o a realidade das favelas cariocas. Essa marcou o encontro musical de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que construíram juntos seu repertório. Com uma inspiração dessas e com as grandes mentes criativas responsáveis pelos musicais brasileiros hoje em dia, o gênero tem tudo para continuar crescendo de modo impressionante.

por Bianca Caballero
biancasacaballero@gmail.com

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