Por Lucas Miranda (lucasmirandaf@usp.br) holanda
Com uma das seleções mais tradicionais do futebol, a Holanda chega aos Estados Unidos com a ambição de conquistar o troféu que falta à história do país. O desempenho consistente nos últimos anos coloca o elenco novamente entre as equipes capazes de brigar pelas fases decisivas do torneio. A seleção holandesa estreia em 14 de junho, às 17h (BRT), diante do Japão.
Trajetória recente holanda
Na Copa do Mundo de 2022, a Holanda chegou às quartas de final, quando foi eliminada nos pênaltis pela campeã Argentina. No ano seguinte, terminou a Liga das Nações na quarta colocação após derrotas para Croácia, na semifinal, e Itália, na disputa pelo terceiro lugar. Já na Eurocopa de 2024, caiu na semifinal diante da Inglaterra. Em 2025, voltou a ser eliminada nas quartas de final da Liga das Nações, desta vez nos pênaltis contra a Espanha.
Nas Eliminatórias Europeias para a Copa, a Laranja Mecânica — apelido da seleção em referência à cor do uniforme e ao estilo de jogo revolucionário apresentado no Mundial de 1974 — teve desempenho consistente e garantiu a vaga ao terminar em primeiro lugar no grupo com Polônia, Finlândia, Malta e Lituânia. A campanha contou com seis vitórias e dois empates em oito partidas, com 27 gols marcados e apenas quatro sofridos.

A seleção holandesa desembarca nos Estados Unidos com uma sequência de mais de 10 jogos de invencibilidade [Imagem: Reprodução/X:@CBSSportsGolazo]
Retrospecto em Copas do Mundo
A Laranja Mecânica chega a sua décima segunda Copa com a ambição de conquistar o troféu que já deixou escapar em três oportunidades — a seleção disputou três finais do torneio, mas terminou todas como vice-campeã.
Em 1974, liderada por Johan Cruyff, a equipe chegou à decisão de forma invicta, mas perdeu de virada para a Alemanha Ocidental por 2 a 1. Quatro anos depois, voltou à final na Copa realizada na Argentina, onde foi derrotada pelos anfitriões por 3 a 1 na prorrogação.

A seleção holandesa de 1974 entrou para a história do futebol pela proposta ofensiva e pelo alto nível técnico apresentado ao longo do torneio [Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons]
O terceiro vice-campeonato veio no Mundial de 2010. Liderada pelo craque Robben, a seleção perdeu a final para a Espanha e voltou a bater na trave na busca pelo primeiro título.
Além disso, a Laranja Mecânica conquistou o terceiro lugar na Copa de 2014, após perder a semifinal nos pênaltis para a Argentina e derrotar o Brasil na disputa pela terceira colocação. A seleção também terminou em quarto lugar na edição de 1998, quando foi eliminada pelo Brasil na semifinal, novamente nos pênaltis, e perdeu para a Croácia na disputa pelo terceiro lugar.
Convocação final
O treinador Ronald Koeman divulgou, no dia 27 de maio, a lista com os 26 jogadores que representarão a Holanda na Copa do Mundo. Os convocados foram:
Goleiros:
- Mark Flekken (Bayer Leverkusen, ALE)
- Robin Roefs (Sunderland, ING)
- Bart Verbruggen (Brighton, ING)
Defensores:
- Nathan Aké (Manchester City, ING)
- Virgil van Dijk (Liverpool, ING)
- Denzel Dumfries (Inter de Milão, ITA)
- Jorrel Hato (Chelsea, ING)
- Jan Paul van Hecke (Brighton, ING)
- Jurriën Timber (Arsenal, ING)
- Micky van de Ven (Tottenham, ING)
Meio-campistas:
- Ryan Gravenberch (Liverpool, ING)
- Frenkie de Jong (Barcelona, ESP)
- Teun Koopmeiners (Juventus, ITA)
- Tijjani Reijnders (Manchester City, ING)
- Marten de Roon (Atalanta, ITA)
- Guus Til (PSV, HOL)
- Quinten Timber (Olympique de Marselha, FRA)
- Mats Wieffer (Brighton, ING)
Atacantes:
- Memphis Depay (Corinthians, BRA)
- Brian Brobbey (Sunderland, ING)
- Cody Gakpo (Liverpool, ING)
- Justin Kluivert (Bournemouth, ING)
- Noa Lang (Galatasaray, TUR)
- Donyell Malen (Roma, ITA)
- Crysencio Summerville (West Ham, ING)
- Wout Weghorst (Ajax, HOL)
Estilo de jogo
Desde 2023, quando Koeman assumiu o comando da seleção, a equipe passou a alternar entre esquemas com três ou quatro defensores. No último ano, porém, o treinador demonstrou preferência por uma linha defensiva com quatro jogadores. Essa também deve ser a base da Holanda para a Copa, embora não seja surpresa se a Laranja Mecânica adotar uma formação com três zagueiros em algumas partidas.
Com base nos últimos jogos disputados, a tendência é a utilização de um esquema em 4-2-3-1, no qual o lateral-direito exerce papel importante no ataque e possui liberdade para avançar pelo corredor. O meio-campo da seleção holandesa possui grande qualidade técnica, característica que oferece à equipe diferentes alternativas para superar pressões e encontrar espaços.
Sem a posse de bola, a Holanda costuma pressionar alto para recuperar rapidamente o controle da partida. No setor ofensivo, a movimentação constante dos atacantes e meias dificulta a marcação adversária e amplia as opções de construção das jogadas.

A formação utilizada por Koeman prioriza mobilidade no setor ofensivo e liberdade para os laterais apoiarem o ataque [Arte: Lucas Miranda/buildlineup.com]
Principais destaques
Memphis Depay
Maior artilheiro da história da seleção holandesa, com 54 gols, o jogador do Corinthians se destaca pela técnica, criatividade e versatilidade no setor ofensivo. Capaz de atuar como segundo atacante, centroavante móvel ou ponta-esquerda, tem como principal característica a participação na construção das jogadas sem perder presença na área adversária. Além da qualidade na finalização, contribui com passes decisivos e criação de espaços para os companheiros.

Dono da camisa 10 da seleção, Memphis disputará sua terceira Copa do Mundo em 2026 [Imagem: Reprodução/X:@Memphis]
Virgil van Dijk
Principal referência do sistema defensivo holandês, o zagueiro do Liverpool tem como pontos fortes a leitura de jogo, força física e qualidade na marcação. Reconhecido pela capacidade de antecipar jogadas e neutralizar ataques antes que a bola chegue aos adversários, também contribui na saída de bola com passes precisos. Com 1,95 m de altura, ainda é importante para o time em jogadas de bola parada.

Capitão da Holanda, van Dijk é uma das principais lideranças do elenco dentro e fora de campo [Imagem: Reprodução/X:@OnsOranje]
Frenkie de Jong
Principal organizador do meio-campo holandês, o jogador do Barcelona se destaca pela inteligência tática, visão de jogo e capacidade de conduzir a bola sob pressão. Capaz de atuar como volante ou meia central, tem como principal característica a progressão com a posse ao quebrar linhas de marcação por meio de passes ou arrancadas em direção ao ataque. Além da qualidade na construção das jogadas, contribui defensivamente com bom posicionamento e recuperação de bola.

De Jong é uma das principais referências técnicas da Holanda e peça fundamental na saída de jogo da equipe [Imagem: Reprodução/X:@OnsOranje]
Expectativas para 2026 holanda
Após boa trajetória na Eurocopa de 2024 e sólida campanha nas Eliminatórias para a Copa, a Laranja Mecânica não terá caminho fácil na busca pelo título. Os desafios começam na primeira fase da competição, quando enfrentará Japão, Suécia e Tunísia pelo Grupo F. Apesar da pouca tradição em Mundiais, essas seleções costumam impor dificuldades aos adversários. Embora a expectativa seja de liderança holandesa no grupo, surpresas podem acontecer.
Com elenco experiente, meio-campo qualificado e uma geração capaz de competir em alto nível, a Holanda chega ao Mundial novamente cercada pela expectativa de encerrar uma das maiores lacunas da história das Copas: a ausência de um título para uma das seleções mais tradicionais do futebol.
*Imagem de capa: Reprodução/X:@OnsOranje
