Por Sara da Franca (saradafranca@usp.br)
No segundo dia da Semana do Jornalismo, ocorrido na terça-feira (22), o Auditório Freitas Nobre recebeu Ana Carolina Amaral, colunista de clima do UOL e fundadora do projeto The Next Question, e Hellen Lirtêz, colaboradora do Amazônia Real e vencedora do Troféu Tim Lopes. A trajetória das convidadas no jornalismo ambiental, os desafios da produção e a importância da cobertura socioambiental foram tópicos abordados durante a conversa, mediada por Alícia Simões, repórter da Jornalismo Júnior.
Para além do clima
Após compartilharem o início do interesse e de suas carreiras no jornalismo ambiental, Lirtêz e Amaral destacaram a função da cobertura de entender as estruturas sociais que impactam diferentes populações, e não apenas falar sobre a natureza ou fenômenos naturais. Quem sente a crise climática e por quem ela é contada foi aspecto defendido na mesa para melhorar a cobertura do tema.
Hellen, que é de Rio Branco no Acre, relaciona seu trabalho voltado a racismo ambiental com suas origens, e como isso a instigou a notar as relações entre os dados de etnia e raça com violências socioambientais a serem investigadas.
“Pela primeira vez, eu podia dar um nome para uma violência. Isso tudo tinha um nome, era racismo ambiental.”
Hellen Lirtêz
As limitações e os riscos
As jornalistas relataram as dificuldades da reportagem ambiental in loco, especialmente pela misoginia sofrida pelas profissionais em coberturas que envolvem questões agrárias, mineração e narcotráfico. Os casos de assédio e a falta de aparatos de segurança em relação às dificuldades que mulheres jornalistas podem sofrer durante o processo foram citados por Hellen Lirtêz: “Eu nunca sei se vou voltar para casa viva”.
Limitações como os riscos de exposição das fontes também foram discutidas. Ana Carolina Amaral disse já ter deixado de publicar informações por receio das consequências que pessoas que a cederam informações poderiam sofrer. Ela também dá enfoque aos casos de colaboração entre os jornalistas que vivem em um território a ser coberto e os grandes veículos de comunicação.
A prevenção em contexto
A relevância da cobertura climática não pode se limitar às catástrofes, “o jornalismo é antecipar a tragédia”, afirma Amaral, além de defender que o jornalista deve acompanhar políticas públicas e contextualizar as declarações que podem levar à desinformação.
Ana Carolina também apresentou seu projeto The Next Question, plataforma criada para discussão da crise climática, como forma de tornar esse debate mais contínuo através de processos que envolvem o diagnóstico de um problema, seu debate e o acompanhamento das medidas a serem tomadas para sua resolução.
“A imprensa está sendo pautada por desastres e não está conseguindo dar acompanhamento para as políticas que precisam desse escrutínio constante.”
Ana Carolina Amaral
As convidadas responderam dúvidas sobre suas formações de repertório, os entraves que as coberturas podem sofrer e o impacto da bipolarização política no jornalismo ambiental.
O evento contou com os seguintes apoiadores: Copiadora do CRUSP, Editora UNIFESP, Elle Brasil, Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Jota Hamburgers, Revista Quatro Cinco Um e Summus Editorial.
[Imagem de capa: Alícia Dias/Jornalismo Júnior]



